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Horários do Brasileirão entram no centro do debate sobre criação da liga única no país

Discussão é sobre o impacto dos horários nas receitas dos clubes

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Thiago Braga
São Paulo (SP)
Dia 04/06/2026
07:00
Vasco x Chapecoense em São Januário pelo Brasileirão 2026
imagem camerajogos noturnos entram em discussão no Brasileirão (Foto: Pedro Cobalea / Lance!)

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A discussão sobre os horários do Campeonato Brasileiro ganhou força nos últimos meses porque ela parece estar no centro do debate que tem sido feito para a construção de uma liga única no futebol brasileiro.

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De um lado, a CBF argumenta que os jogos realizados mais tarde têm impacto sobre a presença de público nos estádios. De outro, levantamento com base nos jogos do torneio do ano passado apresentado aos clubes indica que a perda financeira direta decorrente dessa redução de público é relativamente pequena quando comparada à realidade econômica dos participantes da Série A.

Os dados mostram que as partidas de domingo realizadas às 16h registraram ocupação média de 70% e público médio de 32,6 mil pessoas. Nos jogos das 17h30, a ocupação caiu para 67%, com média de 32 mil torcedores. Às 18h30, os números recuaram para 63% de ocupação e 28,4 mil espectadores. Já os confrontos iniciados às 20h30 tiveram ocupação média de 55% e público de 24,6 mil pessoas.

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A diferença entre os jogos das 18h30 e os das 20h30 foi calculada em aproximadamente 3,8 mil torcedores por partida. O levantamento apresentado aos clubes, porém, acrescenta outro elemento à discussão. Embora a redução de público exista, seu impacto financeiro direto aparece como relativamente limitado.

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A partir da diferença média de 3,8 mil torcedores entre os jogos das 18h30 e os das 20h30, o estudo utilizou um ticket médio de R$ 51 para calcular a perda potencial de arrecadação. Considerando o cenário máximo de cinco partidas como mandante aos domingos à noite, a redução estimada de receita de bilheteria seria de aproximadamente R$ 195 mil ao longo da temporada.

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Os próprios dados mostram que poucos clubes tiveram exposição significativa a esse horário. Quinze dos vinte participantes da Série A receberam menos de dois jogos como mandantes aos domingos às 20h30. Quatro equipes não tiveram nenhuma partida nessa faixa horária, cinco receberam apenas uma, três tiveram duas, duas tiveram três, uma teve quatro e cinco clubes receberam cinco jogos.

Os números apresentados aos dirigentes ajudam a sustentar o argumento de que o debate não pode ser reduzido apenas ao horário de domingo à noite. Segundo o estudo, a questão principal está na construção de uma grade capaz de distribuir melhor os jogos ao longo da semana.

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A própria comparação internacional utilizada pela CBF reforça esse raciocínio. O levantamento mostra que o Campeonato Brasileiro possui uma concentração de partidas noturnas superior à observada nas principais ligas europeias. Cerca de 80% dos jogos da Série A são disputados à noite. Na Espanha, o índice é de aproximadamente 60%. Na Alemanha, gira em torno de 30%. Na Inglaterra, apenas 25% das partidas acontecem em horários noturnos.

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Torcida em jogo noturno no Morumbis (Foto: Divulgação/ São Paulo FC)

Durante visitas realizadas neste ano à Inglaterra, Espanha e Alemanha, representantes da entidade observaram que os campeonatos europeus priorizam os horários da tarde nos finais de semana. A Premier League é o caso mais emblemático. Em grande parte das rodadas disputadas aos sábados e domingos, não há partidas realizadas à noite. As faixas próximas das 20 horas costumam ser reservadas para confrontos de meio de semana.

Essa discussão ocorre em um cenário particularmente complexo. A fragmentação da grade é influenciada por diversos fatores. Entre eles estão os compromissos das competições continentais, a necessidade de respeitar o intervalo mínimo de 66 horas entre partidas para descanso dos jogadores, questões de segurança pública, pedidos de descanso feitos pelos clubes, como maior tempo de descanso antes de partidas importantes, e os interesses das empresas responsáveis pela transmissão.

A divisão comercial do Campeonato Brasileiro entre Libra e Futebol Forte União acrescentou novas camadas à organização da competição. Ao mesmo tempo em que a negociação dos direitos passou a ser feita por blocos distintos de clubes, o modelo produziu resultados financeiros expressivos.

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A Libra fechou um acordo de aproximadamente R$ 6 bilhões com a Globo para a comercialização dos direitos do Brasileirão entre 2025 e 2029. A FFU, por sua vez, negociou seus contratos por R$ 8,5 bilhões, valor tratado pelo mercado como histórico para o futebol brasileiro. Nesse cenário, a distribuição das partidas passou a exigir um número maior de janelas de transmissão, ampliando a variedade de horários ao longo da semana.

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