Dorival aponta 'apagão' em derrota do São Paulo e cobra responsabilidade do elenco
Treinador foi duro ao analisar partida do Tricolor e evitou fazer correlações com a crise extracampo do clube

O técnico Dorival Jr. foi enfático ao analisar a derrota do São Paulo de virada por 2 a 1 para o Athletico-PR na noite desta quarta-feira (22), e deu um peso importante ao "apagão de 45 minutos" do elenco no segundo tempo, que permitiu dois gols rivais em apenas seis minutos. O treinador analisou todo o cenário vivido pelo Tricolor, dentro e fora de campo, e cobrou para o que os atletas sigam mantendo responsabilidade com o clube.
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O treinador viu o São Paulo com o controle da partida na primeira etapa e que teve "autoridade" para mandar no jogo. Entretanto, lamentou os seis minutos que a equipe parou de jogar e sofreu os dois gols de Leozinho, além da falta de capacidade reação após a virada levada.
- Fazer um primeiro tempo como fizemos, com autoridade, tranquilidade, troca de passes, aparecendo, fazendo movimentos trabalhados, e, de repente, um apagão de quatro, cinco minutos transforma aquilo que poderia ser um grande resultado diante de uma grande equipe. É lamentável isso, mas temos que conviver com a situação. Entendemos que a responsabilidade é toda nossa. Não temos que creditar ou apontar isso para nada nem para ninguém - analisou Dorival.
O técnico voltou a pontuar a necessidade do elenco se responsabilizar pelo momento do clube e ponderou que a preparação durante a Copa do Mundo foi bem feita, o que aumenta a necessidade do grupo responder em campo. Dorival cobrou para que os jogadores evitem deslizes como no jogo diante do Athletico-PR, já que, naturalmente, a derrota aumenta a pressão extracampo.
- Temos que nos sentir mais responsáveis pelo momento que o clube vem passando. Fazia isso como atleta e faço agora comandando um grupo. Temos que ter consciência de que, em determinados momentos, precisamos de algo mais de todos nós, e o São Paulo está precisando disso. Está na hora de respondermos também, até porque, de maneira geral, houve uma preparação em todos os aspectos. Envolveu todos que estão dentro do CT e tenho certeza de que foi muito bem aproveitada. Alguns fatos acontecem dentro de uma partida que, às vezes, fogem do nosso domínio, mas não podemos nos omitir da nossa responsabilidade. O grupo de atletas tem que ter consciência de que vai depender muito da postura deles. O que foi apresentado hoje não foi suficiente para mudar o resultado - afirmou o treinador.
Peso da crise extracampo
O São Paulo teve semanas conturbadas fora de campo às vésperas do retorno do Campeonato Brasileiro, que incluem atrasos de salário e um transfer ban aplicado pela Fifa por uma dívida com a Lazio, time da Itália. Apesar do cenário fora das quatro linhas não contribuir para o clima no clube, Dorival evitou fazer conexões diretas entre os problemas de gestão e o resultado na partida contra o Furacão.
O treinador voltou a citar a condição de jogo e da rápida virada sofrida, mas destacou que, dentro do São Paulo, há os setores responsáveis por cuidar da crise fora do gramado e que o elenco precisa se concentrar nos treinamentos e nas partidas.
- Olha, não é uma situação saudável, mas não podemos apontar situações como essa como a principal responsável por este momento. Não temos esse direito, de maneira nenhuma. Tivemos um longo tempo de trabalho, e muito do que foi visto no primeiro tempo foi desenvolvido nesse período. O jogo se resumiu a cinco minutos em que tivemos praticamente um apagão. [...] É saudável para o clube? Não, jamais será - opinou o técnico, que citou que viveu situações parecidas em outro clube recentemente, o que pode indicar uma referência ao cenário de dificuldades extra-campo no Corinthians, último clube treinador por eles amntes do São Paulo.
- Passei por esse problema há pouco tempo. Parece que os movimentos se repetem, só mudam os endereços. Não é uma situação favorável para ninguém: nem para o torcedor, nem para a diretoria, nem para os jogadores, nem para a comissão técnica. Mas temos que enfrentar isso e ter a consciência de que há pessoas trabalhando para resolver essas situações - finalizou.]

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