Medo de ganhar impede resultado melhor para o Vasco no Morumbi
Jogar contra o ex-vice-líder fora de casa seria difícil, mas, na prática, não foi tanto. O time, porém, não teve a ambição de conseguir uma virada histórica contra o São Paulo

Jogo fora de casa, no Morumbi, com 50 mil pessoas no estádio. O São Paulo iniciou a rodada e bastava uma vitória para alcançar a liderança. Todos sabiam que seria difícil, quase impossível. E o técnico, mesmo triste com a derrota, saiu satisfeito com a postura que os atletas desempenharam em campo.
- De uma derrota amarga temos que tirar lições. Já falei para eles que não tem bicho papão nenhum no Brasileiro. Tem times qualificados, mas poderíamos ter ganhado deles. Eu ouvi a torcida do São Paulo gritando 'time de guerreiro', guerreiro foi o meu time, pois você jogar com mais de 50 mil torcedores da forma que jogamos, com coragem, eu vejo meu time muito guerreiro - disse Jorginho.
O discurso é bonito, devido às circunstâncias apresentadas anteriormente. Mas, na prática, não foi bem assim. O time, que sofreu gol logo no primeiro minuto de jogo, poderia ter sido sufocado nos outros 89 minutos. Mas se reergueu, buscou o empate e conseguiu o domínio do jogo no segundo tempo.
E foi aí que faltou 'ser guerreiro'. Faltou, na verdade, não ter medo de ser um clube grande, como é. Aos 35 minutos do segundo tempo, o Vasco estava mais perto de virar a partida do que sofrer a derrota. E Jorginho, por cautela demais ou por satisfação com aquele empate, não quis buscar a vitória no final da partida. Nenhuma substituição até então, querendo que o jogo corresse por despercebido, com receio de que uma alteração quebrasse a estrutura feita. Tiro no pé - o golpe veio aos 37, quando Tréllez aproveitou contra-ataque, lançou Everton e se apresentou na área para testar para as redes.
Só depois, Jorginho lançou seu time a frente. Já era tarde. A formação poderia ser mudada instantes antes, ousando, motivando o time a conquistar uma virada histórica no Morumbi. Não foi o que aconteceu, para revolta do torcedor. A única jogada era explorar a visão de jogo de Giovanni e a velocidade nas infiltrações de Yago Pikachu, grande nome do elenco. Como o adversário precisava da vitória em casa, os espaços apareceram e o Vasco tinha o contra-ataque para matar o jogo. Não o fez, e a atitude extra-cautelosa do treinador acabou sendo um tiro no próprio pé.

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