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OPINIÃO: Craque no clube, só mais um na Seleção

Dia 13/10/2015
15:33

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Todas as vezes em que a Seleção faz uma exibição ruim, imprensa e torcedores perguntam por que os jogadores brasileiros vão bem nos principais times estrangeiros e se perdem vestindo a camisa amarela. Há uma primeira explicação que é lógica. No clube há treinos quase diários, partidas em sequência, e logo, o conhecimento mais próximo de cada um e a facilidade de adquirir entrosamento.

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Para se apresentar na Seleção, no entanto, é necessário invariavelmente fazer uma viagem, às vezes longa, driblar o fuso horário, e como preparação para o compromisso, participar de um único coletivo, e em algumas ocasiões nada além de uma simples recreação, dado que os atletas chegam fisicamente prejudicados pelo deslocamento.

O problema maior, porém, é a carga emocional que os jogadores também trazem na bagagem, o que passou a ocorrer com maior frequência, podem crer, após o 7 a 1. Sim, o esgotamento provocado por aeroportos e aviões, e a responsabilidade de representar o país sempre existiram. Em outros tempos praticamente todos os craques - e aqueles honravam efetivamente tal qualificação - atuavam em clubes brasileiros, o que permitia reuni-los e treiná-los com maior facilidade. Mas as atividades eram igualmente cansativas.

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Na década de 1960, a Seleção fez pelo menos quatro excursões ao exterior, Europa e África, disputando às vezes amistosos de dois em dois dias, levando nas costas o bicampeonato mundial. Vale ressaltar que tal peso era essencialmente positivo. Mas também havia o encargo. Assim, voltando ao presente, é preciso dizer que depois do vexame diante da Alemanha, e a incrível perda da Copa dentro de casa, que é um fardo bastante negativo, a cobrança passou a ser muito agressiva, levando todos os que estão envolvidos com a Seleção a uma insegurança formidável. Ou seja, há agora, e com razão, uma pressão absurda de mídia e opinião pública, daqui e de fora.

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Um frango, uma falha bisonha da zaga, uma chance de gol desperdiçada, enfim qualquer erro ou vacilo, ganha uma dimensão infinita. Existem jogadores emocionalmente estáveis, que não tremem diante das críticas, mas a maioria esmagadora, como o Mundial-14 mostrou, é de uma vulnerabilidade impressionante. Diante disto, a questão tática parece menor. É preciso lembrar ainda que a turma de hoje entra em campo sob a coerção de interesses econômicos e políticos determinados pelo profissionalismo exacerbado, o que não ocorria outrora com tanta intensidade.
Mas o fato é que o 7 a 1, obra-prima do gênio Luiz Felipe Scolari, tem peso fundamental na dificuldade que o jogador, craque lá fora, mostra quando veste a amarela.

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