Ancelotti tem certezas, mas vê Endrick e Danilo Santos pedirem passagem
Treinador utilizou 24 dos 26 jogadores convocados para a Copa do Mundo

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MORRISTOWN, NJ (EUA) - O técnico Carlo Ancelotti deixou Cleveland com uma vitória por 2 a 1 sobre o Egito e, segundo ele próprio, com a equipe titular praticamente definida para a estreia na Copa do Mundo. Mas isso não significa que o último amistoso tenha eliminado todos os questionamentos. A oito dias do duelo contra o Marrocos, em Nova Jersey, algumas situações seguem abertas, seja por questões físicas, como a lesão de Wesley, seja pelo bom desempenho de jogadores que vêm saindo do banco e aumentando a concorrência por vagas entre os titulares.
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A principal preocupação surgiu logo na lateral direita. Wesley deixou o gramado com muitas dificuldades para caminhar após sentir a virilha. A tendência é que o jogador passe por exames para determinar a gravidade da lesão, mas o problema já abre uma discussão dentro da comissão técnica. Danilo aparece como alternativa natural, embora não atue regularmente na posição desde o ciclo encerrado na Copa do Mundo de 2022. Outra possibilidade seria uma improvisação com Ibañez, que atuou como zagueiro diante dos egípcios. Seja qual for a escolha, a situação aumenta a sensação de que o sistema defensivo ainda está longe de estar totalmente definido.
A defesa, aliás, segue sendo o setor que mais inspira cuidados. Gabriel Magalhães foi preservado por desgaste físico e ainda carrega o peso emocional da final da Liga dos Campeões. A cobrança do pênalti desperdiçado na decisão entre Arsenal e Paris Saint-Germain virou tema até mesmo na entrevista coletiva de Ancelotti antes do amistoso. O treinador e o capitão Marquinhos tentaram minimizar o impacto psicológico do episódio, mas é evidente que a comissão técnica acompanha atentamente a recuperação do defensor.
Na lateral esquerda, Douglas Santos parece ter aproveitado a oportunidade e surge como solução confiável para a estreia. O problema maior está do meio para frente.
Casemiro e Bruno Guimarães continuam sendo as peças mais sólidas do meio-campo. O veterano manteve seu padrão de regularidade, enquanto Bruno alternou momentos de destaque e de discrição nos dois amistosos. A grande questão está na formação do setor. Ancelotti ainda parece dividido entre uma equipe com três homens de meio-campo ou um desenho mais agressivo.
Nesse contexto, a disputa entre Lucas Paquetá e Luiz Henrique permanece aberta. Paquetá oferece intensidade, mobilidade e o famoso papel de box-to-box, mas caiu de rendimento diante do Egito após boa atuação contra o Panamá. Luiz Henrique fez o caminho inverso: discreto no Maracanã e mais participativo em Cleveland.
Vinícius Júnior e Raphinha seguem com status de titulares. Vini foi um dos destaques diante do Panamá, embora tenha apresentado atuação mais modesta contra os egípcios. Já Raphinha ainda procura seu melhor futebol e passou pelos dois amistosos sem conseguir exercer protagonismo.
A disputa mais interessante acontece no comando do ataque. Matheus Cunha não conseguiu convencer nas oportunidades que recebeu. Igor Thiago começou a ganhar espaço após excelente entrada diante do Panamá, quando participou diretamente do gol de Rayan e ainda marcou de pênalti. A recompensa veio com a titularidade diante do Egito, mas o atacante desperdiçou duas oportunidades claras e deixou escapar a chance de consolidar sua posição.
Quem aproveitou novamente foi Endrick. O jovem entrou bem nas duas partidas e, contra o Egito, marcou o gol da vitória. O atacante demonstra algo que tem faltado a outros concorrentes: capacidade de decidir em poucos minutos. Ao lado de Danilo Santos, é um dos nomes que mais pressionam por uma vaga entre os titulares.
Há ainda a situação de Neymar. O camisa 10 seguirá sendo monitorado e fará exames nos próximos dias. Dependendo da evolução física, poderá iniciar os trabalhos com o restante do grupo ainda antes da estreia.
Se existe uma certeza deixada pelos amistosos, ela atende pelo nome de pressão alta. Os melhores momentos da Seleção nasceram justamente desse comportamento coletivo. Foi assim no gol de Vinícius Júnior contra o Panamá. Foi assim na recuperação de bola de Igor Thiago que originou o gol de Rayan. E foi assim também nos dois gols marcados diante do Egito. Sempre que pressionou a saída adversária, o Brasil encontrou espaços, recuperou bolas em zonas perigosas e criou situações claras.
Por outro lado, a equipe segue desperdiçando muitas oportunidades. Somente no primeiro tempo contra o Egito foram pelo menos três chances claras desperdiçadas, duas por Igor Thiago e uma por Vinícius Júnior. Em uma Copa do Mundo, esse tipo de desperdício costuma custar caro.
A vitória em Cleveland encerrou a fase de preparação, mas não acabou com os debates em torno da equipe. Ancelotti inicia os trabalhos desta semana, afirmando já ter o time titular definido em sua cabeça e com algumas certezas importantes, como a intensidade na marcação e a pressão alta como marca registrada desta Seleção. Ao mesmo tempo, surgiram boas dúvidas. Endrick voltou a aproveitar os minutos que recebeu e marcou o gol da vitória diante do Egito. Danilo Santos também entrou bem e mostrou que pode brigar por espaço. São jogadores que vêm aproveitando as oportunidades, saindo do banco e tornando a disputa interna mais acirrada. Se por um lado a defesa ainda exige ajustes, por outro a concorrência criada pelos reservas é um problema que todo treinador gosta de ter às vésperas de uma Copa do Mundo.

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