Gonçalves relembra polêmica de Brasil x Noruega em 1998 e dá receita para anular Haaland
Ao L!, ex-zagueiro da Seleção relembra o lance que gerou revolta no Brasil em 1998 e dá receita para Ancelotti

O reencontro entre Brasil e Noruega na Copa do Mundo traz à memória um dos episódios mais polêmicos da história da Seleção Brasileira no torneio. Na fase de grupos do Mundial de 1998, na França, os brasileiros foram derrotado por 2 a 1 pelos noruegueses em uma partida marcada pelo pênalti de Júnior Baiano sobre Tore André Flo.
O lance gerou revolta no país e estampou uma das capas mais emblemáticas da história do Lance!. Quase 30 anos depois, o jornal conversou com o ex-zagueiro Gonçalves, titular naquele confronto, que relembrou o episódio e apontou o caminho para a Seleção Brasileira anular Erling Haaland.
Em entrevista ao Lance!, Gonçalves, um dos zagueiros mais marcantes da década de 1990, afirmou que, apesar da derrota, a equipe dominou a maior parte do jogo e acabou castigada por um detalhe. Para o ex-defensor, um dos pilares do Botafogo campeão do Brasileirão de 1995, o placar não refletiu o futebol apresentado pelo Brasil naquela tarde, na França.
— Nós dominamos. Tivemos mais posse de bola e criamos mais chances de gol. Infelizmente, eles conseguiram marcar em uma jogada do Tore André Flo. Depois, houve o pênalti, que resultou na derrota por 2 a 1. Se analisarem o jogo, verão que fomos melhores. Mas Copa do Mundo tem disso: às vezes você tem um vacilo e acaba perdendo.
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O pênalti em Brasil x Noruega que marcou a Copa de 1998
O lance decisivo aconteceu nos minutos finais da partida, no Estádio Vélodrome, em Marselha. Dentro da área, Júnior Baiano segurou a camisa de Tore André Flo. O árbitro norte-americano Esfandiar Baharmast assinalou o pênalti. Kjetil Rekdal converteu a cobrança e decretou a vitória da Noruega.

A marcação provocou indignação imediata no Brasil. A transmissão oficial da partida não exibiu um ângulo conclusivo do lance, o que reforçou a impressão de que o atacante havia simulado o contato. Além disso, os jogadores da Seleção Brasileira também contestaram a marcação do pênalti.
— Júnior Baiano, de fato, segurou a camisa, mas, para mim, não foi o suficiente para derrubá-lo. O Flo acabou cavando o pênalti, e o árbitro caiu na dele. Naquela época não existia VAR. Se existisse, acredito que o árbitro não manteria a marcação — opinou Gonçalves.

Capa do Lance! abordou a polêmica
A repercussão foi tão grande que o Lance! estampou, no dia seguinte, a foto do árbitro com a histórica manchete: "Ladrão!". Naquele momento, a transmissão oficial da partida não havia exibido um ângulo conclusivo do lance, e a percepção predominante era de que o pênalti havia sido marcado de forma equivocada.
Cerca de 48 horas depois, porém, a polêmica ganhou um novo capítulo. Uma câmera de uma emissora sueca registrou o lance por outro ângulo e ajudou a esclarecer o ocorrido. As imagens mostraram Júnior Baiano puxando a camisa de Tore André Flo antes da queda do atacante. Ainda assim, a interpretação sobre a intensidade do contato continuou dividindo opiniões.
Com a divulgação das novas imagens, o jornal Lance! fez uma retratação que entrou para a história do jornal. A manchete passou de "Ladrão!" para "Ladrão?", reconhecendo que o novo ângulo trazia elementos que não haviam sido mostrados pela transmissão oficial e colocava a avaliação inicial sob nova perspectiva.
Tore André Flo publicou imagem do puxão
No dia 23 de julho, quando a partida completou 28 anos, Tore André Flo publicou em sua conta no Instagram imagens do confronto entre Noruega e Brasil. Entre elas, uma mostrava o puxão de Júnior Baiano em sua camisa antes de ambos subirem para disputar a bola pelo alto. O registro, reproduzido da transmissão da TV sueca, evidencia o contato que motivou a marcação do pênalti por Esfandiar Baharmast. Mesmo assim, a interpretação sobre a intensidade da infração segue dividindo opiniões entre torcedores e especialistas.

"Haaland" de 1998
O personagem central daquela polêmica era Tore André Flo, principal referência ofensiva da Noruega na época. Com cerca de dois metros de altura, o atacante se destacava pelo jogo aéreo e era uma das principais armas da equipe nas bolas alçadas à área. Para neutralizá-lo, a defesa brasileira montou uma estratégia específica, com a marcação dividida entre Gonçalves e Júnior Baiano.
— Júnior Baiano ficou encarregado de marcá-lo nas bolas aéreas, enquanto eu fazia a sobra. Durante a maior parte do jogo, praticamente o controlamos e levamos vantagem nas disputas.

Quase três décadas depois, o ex-zagueiro enxerga um desafio ainda maior para a Seleção Brasileira. Para ele, Erling Haaland, atacante do Manchester City, reúne características semelhantes às de Tore André Flo, mas em um patamar ainda mais elevado.
— Haaland é bem superior em todos os aspectos ofensivos. Ele também é muito alto e forte, mas é extremamente veloz e letal. Talvez o Flo fosse um pouco mais habilidoso, mas o Haaland tem uma potência impressionante.
Tore André Flo: a pedra no sapato responsável por um retrospecto amargo em Brasil x Noruega
A Noruega é a única seleção que jamais foi derrotada pelo Brasil e, sem dúvida, esse retrospecto passa pelos pés de Tore André Flo. Antes do duelo na Copa do Mundo de 1998, o atacante já havia deixado sua marca na vitória norueguesa por 4 a 2, em 1997, resultado que decretou a primeira derrota da Seleção sob o comando de Zagallo.
No histórico do confronto, Brasil e Noruega se enfrentaram quatro vezes. Os noruegueses somam duas vitórias e os outros dois jogos terminaram empatados.
- 27/07/1988 - Noruega 1 x 1 Brasil - Amistoso
- 29/05/1997 - Noruega 4 x 2 Brasil - Amistoso
- 23/06/1998 - Brasil 1 x 2 Noruega - Copa do Mundo
- 16/08/2006 - Noruega 1 x 1 Brasil - Amistoso
Receita para Ancelotti para a defesa brasileira anular Haaland
Na visão de Gonçalves, Carlo Ancelotti precisará adotar uma estratégia diferente da utilizada por muitas equipes atualmente para conter o camisa 9 escandinavo. Segundo o ex-jogador da Seleção e do Botafogo, a combinação entre velocidade, força física e capacidade de finalização faz com que Haaland seja praticamente imarcável quando recebe liberdade para atacar os espaços entre os zagueiros.
— Para enfrentá-lo, o Brasil precisará ajustar a dupla de zaga: um zagueiro marca e o outro faz a sobra. Não é possível marcar o Haaland em linha; acredito que o Ancelotti precisará rever a marcação da linha defensiva. O ideal seria que, independentemente do lado em que ele caísse, um zagueiro encostasse na marcação enquanto o outro fizesse a cobertura a dois ou três metros de distância.

— Essa postura evitaria o seu ponto forte: a arrancada (o movimento de 'facão') que ele faz entre os zagueiros em alta velocidade. É muito difícil alcançá-lo na corrida ou vencê-lo no contato físico, pois ele alia rapidez, potência e muita força. Portanto, a defesa brasileira precisa jogar com um homem colado e outro na sobra para evitar que ele leve vantagem nesses atributos físicos.
Quando Brasil e Noruega se enfrentam?
Brasil e Noruega se enfrentam no domingo, 5 de julho, às 17h (de Brasília), em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A equipe de Carlo Ancelotti garantiu a classificação para esta fase após vencer o Japão de virada, enquanto os noruegueses eliminaram a Costa do Marfim. Clique para assistir à Copa do Mundo na Cazé TV com Disney+!
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