Logo do Lance! branca com exclamação amarela

Filmes e séries que podem indicar o caminho do Brasil ao hexa

Seleção de Ancelotti iniciou novo ciclo em busca da tão sonhada sexta taça

PorWilson Spiler•Rio de Janeiro (RJ)
26/09/2026 07:00
Brasil 2002 Os Bastidores do Penta
Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho em cena do documentário "Brasil 2002 - Os Bastidores do Penta" (Foto: Netflix / Reprodução)

A Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti iniciou o novo ciclo em busca do hexa nesta sexta-feira (25) com um empate em 1 a 1 em amistoso contra a Austrália disputado no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville.

O Brasil, que foi eliminado precocemente da última Copa do Mundo contra a Noruega nas oitavas de final, chegou com uma equipe reformulada e, mais uma vez, decepcionou. A seleção não atuou bem e só empatou o jogo no apagar das luzes com uma cabeçada do atacante Rayan, em escanteio cobrado por Raphinha.

continua após a publicidade

Então, para renovar as esperanças nesse início de caminhada rumo à mais uma tentativa de buscar o sonhado hexacampeonato, o CineLance! relembra produções que marcaram cada título da seleção canarinho. Desde o primeiro mundial de 1958 ao pentacampeonato de 2022. Confira.

➡️Enquete Lance!: quem foi o melhor e o pior no amistoso do Brasil contra a Austrália?

1958 - O Ano em Que o Mundo Descobriu o Brasil

Assim como foi difícil a primeira conquista, que só veio depois de seis Copas do Mundo disputadas, iniciamos nossa jornada pelo mundo do audiovisual com "1958 - O Ano em Que o Mundo Descobriu o Brasil", a única produção que se tem conhecimento sobre a nossa conquista. E veio em formato de série, que está disponível no DOC Canal Brasil, que pode ser assinado dentro do streaming do Prime Video, mas tem período gratuito de 30 dias.

continua após a publicidade

Lançado em 2008, o projeto foi lançado inicialmente em formato de filme de 90 minutos, que pode ser encontrado em lojas virtuais. Entretanto, tem um detalhe muito importante que faz uma falta tremenda: a ausência do depoimento de Pelé, a grande sensação do time, que explodiu justamente na Copa de 58. Segundo crítica publicada à época no jornal Folha de S. Paulo, a falha, no entanto, não foi culpa da produção, mas sim do próprio ex-jogador, que se recusou a participar.

O documentário que nega a Copa de 1958

Como curiosidade, vale destacar o documentário lançado pelos suecos que nega tudo o que aconteceu na Copa do Mundo de 1958. Parece mentira, mas não é. O filme "Konspiration 58" exibido pela emissora pública sueca SVT (Sveriges Television) garantia que o campeonato que deu o primeiro título mundial ao Brasil jamais havia acontecido.

continua após a publicidade

De acordo com o filme, a Copa foi uma encenação da CIA em Los Angeles em conluio com a Fifa e o governo sueco. O documentário tem tudo para nos fazer acreditar nessa teoria absurda: desde entrevistas com ex-jogadores da seleção (cuidadosamente editados para fomentar dúvidas) e imagens de arquivo a fotografias e "análises técnicas" de especialistas. É tudo tão bem organizado que parece legítimo.

Só quando chegam os créditos finais que o filme se revela: na verdade, tratava-se de um "mockumentary" — termo que une as palavras em inglês mock ("zoar" ou "simular") e documentary ("documentário"). Portanto, a produção, que passou toda a projeção tentando enganar o espectador, no fim, provocou uma verdadeira reflexão sobre a checagem de informações que chegam a nós. O filme está disponível gratuitamente no Vimeo, mas, infelizmente, sem legendas. Caso você queira se arriscar no sueco, é só dar o play abaixo:

continua após a publicidade

➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Viva o Brasil - Filme Oficial da Copa do Mundo FIFA de 1962

Ainda na dificuldade de conseguir homenagear os primeiros campeões do mundo, não foi fácil encontrar um filme ou série que falasse sobre o bicampeonato de 1962. Na verdade, oficialmente, apenas a Fifa tem uma obra sobre a Copa daquele ano, com o o filme "Viva o Brasil", que pode ser assistido gratuitamente no próprio site da entidade.

"Viva o Brasil", como o próprio nome completo diz, é o filme oficial da Copa do Mundo de 1962, e não exatamente sobre a conquista do Brasil, mas, claro, destaca os jogos da equipe que, com a ausência de Pelé — fora por lesão — foi comandada brilhantemente por Mané Garricha e teve em Amarildo um belo substituto do Rei.

continua após a publicidade
zito fazendo gol na final da copa de 1958
Foto: Reprodução / FIFA TV

O gênio Garrincha

Se também não é especificamente da conquista da Copa, o documentário "Garrincha, Alegria do Povo", dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, traz imagens impressionantes sobre o Mané e vale o registro para os amantes do bom futebol no CineLance!. Grande destaque do bicampeonato mundial da Seleção Brasileira, o filme em preto e branco tem duração de 58 minutos e foi realizado exatamente no auge da carreira do jogador, justamente em 1962.

Selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 1963, o documentário original deteriorou-se, mas, felizmente, ganhou uma versão restaurada, apresentada no Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 2006. A obra pode ser contemplada atualmente nos catálogos do Prime Video, do Globoplay e da Claro tv+. O filme também foi disponibilizado pela distribuidora Europa Filmes gratuitamente no YouTube. Confira:

continua após a publicidade

Brasil 70: A Saga do Tri

Agora, estamos falando o que, para muitos, é a maior seleção de todos os tempos. Há discussões, mas, inegavelmente, um time que reuniu cinco camisas 10 em campo como Gérson, Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino, não pode deixar de estar nessa conversa. E a produção que melhor simbolizou a conquista desses craques só veio recentemente: "Brasil 70: A Saga do Tri". E dessa série que estamos contando no CineLance! é a única ficcional.

Dirigida por Paulo Morelli, Pedro Morelli e Quico Meirelles, e estrelada por Rodrigo Santoro (João Saldanha), Bruno Mazzeo (Zagallo), Lucas Agrícola (Pelé), Gui Ferraz (Jairzinho), Ravel Andrade (Tostão), Maicon Rodrigues (Paulo Cézar Caju), Caio Cabral (Carlos Alberto Torres), Daniel Blanco (Rivellino), Fillipe Soutto (Gérson) e Hugo Haddad (Félix), "Brasil 70: A Saga do Tri" consegue ser uma série muito boa para quem ama futebol e para quem não tem ideia do que é um impedimento. Como escrevi para o site Flixlândia, é uma crônica envolvente de sangue, suor, risos e resistência política.

continua após a publicidade

Todos os Corações do Mundo

O título de 1994 foi o primeiro que eu assisti e, portanto, o que mais me marcou do "alto" dos meus 13 anos. A adoração ao craque Romário não era em vão. O baixinho havia feito uma grande Copa do Mundo, embora tenha passado em branco na grande final, ainda que não tenha afinado nas cobranças de pênalti. Talvez a indicação mais óbvia para assistir fosse o documentário da Netflix "Tetra: Acreditar de Novo". Mas essa já fica como a bônus.

Entretanto, a grande dica vai para o filme "Todos os Corações do Mundo", que está disponível gratuitamente no site oficial da Fifa, com o nome traduzido automaticamente para "Dois Bilhões de Corações", com voz em inglês do ator Liev Schreiber e legendado em português. Caso prefira assistir em português (o que é bem mais legal), com narração de Antonio Grassi, o filme dirigido por Murilo Salles é encontrado na plataforma educacional Tamanduá e na Mubi.

continua após a publicidade

O filme, assim como os outros filmes produzidos pela Fifa, mostra a Copa do Mundo como um todo, a primeira a ser realizada nos Estados Unidos e disputada em horários inacreditáveis ao sol de meio-dia em um calor de 40ºC. Desfilaram pelos gramados craques como, além de Romário, Baggio (Itália), Maradona (Argentina), Bergkamp (Holanda), Stoichkov (Bulgária), Hagi (Romênia), Salenko (Rússia), Preud'homme (Bélgica), entre outros. Isso só para citar um de cada país.

É muito impressionante ver a admiração de Baggio por Romário na entrada para o campo antes da final. O olhar silencioso do italiano enquanto o craque brasileiro se mantinha concentrado. Além de tudo, o filme vale a pena pela bela canção-tema "Two Billion Hearts", de Lalo Schifrin e Gary Stockdale.

Brasil 2002 - Os Bastidores do Penta

Por fim, o título mais recente, no já longínquo ano de 2002. Lá se vão 24 primaveras da última conquista e de toda uma geração que nasceu sem ver o país gritar campeão naquele esporte que se autointitula rei. Será que ainda podemos ser considerados assim? Enfim, entrando na seara do audiovisual, mais especificamente do cinema, não poderia deixar de indicar, claro, o documentário "Brasil 2002 - Os Bastidores do Penta", disponível para assistir na Netflix.

Com depoimentos de boa parte dos jogadores, como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, Roberto Carlos, Vampeta, Gilberto Silva, Denilson e Luizão, o filme traz declarações interessantes e imagens de bastidores inéditas, apoiadas nas gravações da câmera de Belletti, que também se pronuncia várias vezes durante a obra.

É certamente um documento importante da história da Seleção Brasileira, mostrando bastidores da importância da concentração e da pressão que Felipão sofreu ao não levar Romário, a maior polêmica da convocação, já que o craque, à época, havia marcado impressionantes 26 gols em 25 jogos com a camisa do Vasco. Ou seja: a fase era boa e havia motivos para ser chamado (ao menos dentro de campo).

Ausências marcantes

Mas fica a sensação de um documentário, como chamamos no jargão popular, "chapa-branca", sem maiores polêmicas. A própria abertura mostrando o problema com Ronaldo na Copa de 1998 não é tão bem aprofundada. Óbvio que o Fenômeno aborda a questão, mas não como isso o afetou no passar dos anos e nem investiga exatamente o que aconteceu.

Além disso, faltam depoimentos importantes, como do volante Emerson, cortado às vésperas da estreia na Copa por uma lesão durante um treino recreativo em que atuava como goleiro. Um fato extremamente relevante que mudou simplesmente a braçadeira de capitão do time. Senti a ausência também de Kleberson, simplesmente a peça-chave de Felipão na mudança do meio-campo, e Rivaldo, que, para muitos, foi o grande craque do torneio. O próprio Romário, para sabermos a reação dele. E, por fim, o maestro da orquestra: Luiz Felipe Scolari.

Entrei em contato com o diretor Luis Ara para tentar entender os motivos dessas ausências. Se foram recusas, se foram opções próprias ou se não conseguiu contato com os atletas. Segundo o cineasta, não houve uma razão especial para isso.

— Na maioria dos casos foi devido à impossibilidade de alinhar a agenda dos personagens com a agenda da produção.

Já no caso de Romário, o diretor foi além:

— A ideia não era aprofundar essa parte, mas focar mais no que o grupo construiu durante a Copa do Mundo. Acho que esse é o verdadeiro valor do filme.

Embora, como jornalista e crítico, discorde da visão do cineasta, que preferiu transformar o documentário em produto de entretenimento, vale a pena assistir ao filme para matar a saudade de ver um Brasil campeão, e para, quem sabe, aprendermos de novo como se faz um time vencedor.

Sobre o autor

Wilson Spiler é formado em Design Gráfico, pós-graduado em Jornalismo e Marketing Digital. Fundador do site Flixlândia, já passou por grandes redações como TV Globo, GloboNews e SRzd. Atuou também para clientes como Rock in Rio, Buscapé e Dimona, e atualmente faz parte da equipe de editores de Home e do CineLance! do site Lance!.

Sugerida para você!

Mais LANCE!