Escócia, Nova Jersey e recomeços: as coincidências de Neymar
Camisa 10 pode voltar a jogar diante do rival que ajudou a projetá-lo na Europa

MORRISTOWN, NJ (EUA) - O futebol costuma gostar de roteiros improváveis. E, quando o assunto é Neymar, algumas coincidências parecem se repetir em momentos decisivos de sua trajetória com a camisa da Seleção Brasileira.
Na próxima quarta-feira (24), diante da Escócia, em Miami, o atacante deverá dar mais um passo importante em sua recuperação e retornar aos gramados pela Seleção após um longo período marcado por lesões. Não deve começar entre os titulares, mas a expectativa é que receba alguns minutos de Carlo Ancelotti durante a partida. E o cenário da volta guarda curiosas conexões com o início da história que transformou Neymar em um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.
A primeira coincidência está justamente no local que serviu de ponto de partida para sua caminhada na Seleção principal. Em agosto de 2010, um garoto de apenas 18 anos estreava pelo Brasil diante dos Estados Unidos no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Naquela noite, Neymar marcou um dos gols da vitória por 2 a 0 e apresentou ao mundo um talento que rapidamente deixaria de ser promessa para se tornar protagonista.
Desde então, muita coisa mudou. Vieram títulos, momentos históricos, transferências milionárias e uma coleção de gols que o transformaram no maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. O atacante soma atualmente 79 gols com a camisa amarela, superando marcas que durante décadas pareciam inalcançáveis.
Curiosamente, é a mesma Nova Jersey da estreia que voltou a receber Neymar e a Seleção durante toda a preparação para a Copa do Mundo de 2026. Foi também no MetLife Stadium que o Brasil iniciou sua caminhada no Mundial, empatando por 1 a 1 com o Marrocos.
Mas o destino reservou mais paralelos.
Se Nova Jersey foi o palco do nascimento de Neymar para a Seleção, a Escócia foi a porta de entrada para sua projeção internacional. Em março de 2011, no Emirates Stadium, em Londres, o Brasil enfrentou os escoceses em um amistoso que marcou a primeira grande apresentação do atacante para o público europeu.
Naquele momento, o futebol brasileiro ainda buscava se reconstruir após a decepção da Copa do Mundo de 2010. Neymar assumiu o protagonismo, marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 e deixou a imprensa inglesa fascinada. Os jornais destacaram a atuação do jovem santista, enquanto clubes europeus intensificavam a disputa por sua contratação.
Os tabloides da época chegaram a relatar visitas do jogador a Londres e especularam sobre o interesse do Chelsea. Nos bastidores, porém, o Barcelona já trabalhava silenciosamente para assegurar sua chegada. O clube catalão havia iniciado contatos em 2011 e deixaria encaminhada uma operação que seria concluída dois anos depois, quando Neymar finalmente desembarcou na Espanha.
Quinze anos depois daquele espetáculo diante dos escoceses, o adversário reaparece em um momento igualmente simbólico. Não mais como a promessa que encantava a Europa, mas como um veterano de 34 anos que tenta escrever um novo capítulo após enfrentar talvez o período mais difícil de sua carreira.
Desde a grave lesão no joelho sofrida em 2023, Neymar conviveu com sucessivos problemas físicos. Entre cirurgias, recuperações e lesões musculares, passou quase três anos sem conseguir ter sequência com a Seleção durante o atual ciclo. Agora, recuperado da lesão de grau 2 na panturrilha direita, voltou a treinar normalmente e demonstra sinais de que está pronto para reaparecer.
A Escócia, portanto, surge novamente em seu caminho. Como aconteceu em Londres, em 2011, o rival pode servir de cenário para mais um recomeço.
E o contexto coletivo aumenta ainda mais o peso da partida. O Brasil precisa de uma vitória convincente para assegurar o primeiro lugar do Grupo C e manter a logística planejada para a sequência da Copa do Mundo. Permanecer na mesma base, evitar deslocamentos maiores e seguir instalado na região onde Neymar deu seus primeiros passos pela Seleção seria um prêmio importante.
Às vezes, o futebol cria coincidências curiosas. Em outras, parece escrever capítulos que conversam entre si. Entre Nova Jersey e a Escócia, entre a estreia de 2010 e a possível volta em 2026, Neymar encontra novamente personagens que marcaram sua trajetória.
Agora resta saber se o próximo capítulo será tão marcante quanto os anteriores.
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