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Como a segurança e o acesso à Seleção mudaram nas últimas Copas; entenda

Saiba as diferenças dos cuidados com a Seleção entre os Mundiais de 2006 e 2026

Márcio Iannacca
Enviado Especial
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Marcio Dolzan
Enviado Especial
Dia 02/06/2026
18:53
Ônibus da Seleção chega à Granja Comary
imagem cameraSeleção em suas idas e vindas para a Granja Comary em 2014 (Foto: Lancepress)

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MORRISTOWN, NJ (EUA) - A relação entre a Seleção Brasileira, a imprensa e os torcedores passou por transformações profundas ao longo das últimas cinco Copas do Mundo. De uma delegação praticamente blindada na África do Sul, em 2010, a um ambiente de forte restrição de circulação nos Estados Unidos, em 2026, o nível de acesso ao time nacional variou de acordo com contextos esportivos, decisões internas da CBF, exigências da Fifa e até cenários geopolíticos internacionais.

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A mudança mais brusca aconteceu justamente em 2010. Após a traumática preparação para a Copa de 2006, em Weggis, na Suíça, quando a Seleção viveu um ambiente de excessiva exposição, com invasões de campo por torcedores, assédio constante aos jogadores e grande abertura para a imprensa, a CBF decidiu mudar completamente a estratégia para o ciclo seguinte. Coube ao técnico Dunga liderar esse processo.

Na África do Sul, o treinador recebeu a missão de criar uma seleção mais fechada e protegida. A delegação ficou hospedada em um complexo que reunia hotel e campo de treinamento em uma mesma área, cercada por um campo de golfe. O contato externo era mínimo. A circulação de jornalistas era controlada e o acesso aos atletas extremamente restrito. O objetivo era claro: evitar distrações e preservar o grupo durante toda a competição.

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Quatro anos depois, porém, o cenário foi completamente diferente. Jogando em casa, na Copa do Mundo de 2014, a Seleção transformou a Granja Comary, em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, em sua base principal. O ambiente era muito mais aberto e próximo do público.

Os treinamentos atraíam centenas de torcedores diariamente. Mesmo separados pelos alambrados do centro de treinamento, os fãs conseguiam acompanhar atividades, chamar os jogadores pelo nome e, em diversas ocasiões, obter fotos e autógrafos. O contato também acontecia nos hotéis utilizados durante as viagens para os jogos. A proximidade entre Seleção e torcida tornou-se uma das marcas daquele Mundial.

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Na Rússia, em 2018, o modelo adotado ficou em um meio-termo entre os extremos de 2010 e 2014. A segurança existia, mas sem criar barreiras intransponíveis. Quem não possuía credencial da Fifa permanecia do lado de fora do hotel da delegação. Já profissionais credenciados podiam circular em áreas próximas à entrada.

O acesso aos jogadores continuava limitado, mas situações que hoje parecem improváveis eram comuns. Jornalistas conseguiam observar os atletas durante o trajeto entre o hotel e o centro de treinamento, uma caminhada de aproximadamente 100 metros. Não havia um isolamento absoluto. As entrevistas coletivas eram realizadas no CT, permitindo uma rotina relativamente próxima entre imprensa e delegação.

No Catar, em 2022, a organização elevou novamente os padrões de controle. O centro de treinamento da Seleção contava com forte esquema de segurança e todos os profissionais precisavam passar por detectores de metal antes de entrar no local. O complexo possuía uma estrutura própria para a imprensa, incluindo a sala onde aconteciam as entrevistas coletivas.

Apesar disso, o hotel da delegação oferecia uma convivência mais natural. Familiares dos jogadores estavam hospedados no mesmo local, assim como alguns profissionais de imprensa. O resultado era uma interação maior nas áreas comuns do hotel, algo que ajudava a reduzir a sensação de isolamento observada dentro do centro de treinamento.

Em 2026, nos Estados Unidos, a percepção entre jornalistas que acompanham a Seleção é de que o controle atingiu um novo patamar. Ainda nos primeiros dias da preparação, policiais impediram que torcedores e profissionais de imprensa se aproximassem do centro de treinamento escolhido pela delegação brasileira.

A situação se repetiu nos arredores do hotel da equipe. A justificativa apresentada pelas autoridades locais é que tanto o hotel quanto as áreas próximas ao CT são propriedades privadas e, por isso, não podem receber aglomerações ou permanência prolongada de pessoas sem autorização. Na prática, a medida reduziu drasticamente qualquer possibilidade de contato espontâneo entre atletas, torcedores e jornalistas.

O contexto internacional ajuda a explicar parte desse rigor. O Mundial acontece em um momento de atenção redobrada das autoridades norte-americanas com questões de segurança internacional. O temor de possíveis represálias ligadas a conflitos envolvendo os Estados Unidos e o Irã elevou os protocolos adotados durante o torneio. Embora não exista qualquer ameaça específica relacionada à Seleção Brasileira, o ambiente de vigilância é visivelmente superior ao observado nas edições anteriores.

Ainda assim, a Fifa mantém uma tradição criada justamente para aproximar as seleções das comunidades locais. Antes do início da competição, todas as equipes participantes realizam uma atividade aberta ao público. Em 2010, por exemplo, a Seleção Brasileira participou de uma ação em Soweto, bairro eternizado pela trajetória de Nelson Mandela. Nos Estados Unidos, a equipe comandada por Carlo Ancelotti também realizará um evento semelhante nesta primeira semana de Mundial.

Entre a blindagem promovida por Dunga na África do Sul e o rígido controle visto nos Estados Unidos em 2026, a história recente das Copas mostra que a relação entre segurança e acesso tornou-se cada vez mais delicada. Se antes a preocupação era encontrar o equilíbrio entre concentração e proximidade com os torcedores, hoje os desafios envolvem também questões globais de segurança. O resultado é uma Seleção cada vez mais protegida — e, ao mesmo tempo, mais distante dos olhos do público.

Ronaldinho Gaúcho e Sheila Soares - Treino da Seleção Brasileira em 2006
Ronaldinho Gaúcho é agarrado por torcedora antes da Copa de 2006. Segurança e acesso foram questionados no Mundial da Alemanha (Foto Julio Cesar Guimaraes/Lancepress!)

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