Técnico brasileiro campeão olímpico no atletismo morre no Qatar
Um dos principais treinadores do atletismo brasileiro e mundial teve uma parada cardíaca nesta quarta-feira, depois de lutar bravamente contra uma severa doença renal.

Luiz Alberto de Oliveira, um dos maiores treinadores de atletismo do Brasil e do mundo, com atletas ganhadores de diversas medalhas em Olimpíadas, Mundiais e Jogos Pan-Americanos, dentre outras competições internacionais e nacionais, faleceu nesta quarta-feira, em Doha, no Qatar, onde estava trabalhando há até pouco tempo. Ele estava internado tratando de problemas renais e teve uma parada cardíaca.
De temperamento forte e de uma competência ímpar, Luiz Alberto foi o responsável por toda a carreira do campeão olímpico Joaquim Cruz, desde convencê-lo a deixar o basquete em Brasília até levá-lo às maiores glórias do esporte, como o bronze no Mundial de Helsinque-1983, o ouro na Olimpíada de Los Angeles-1984, a prata na Olimpíada de Seul-1988 e outras muitas conquistas.
Fez o mesmo com uma grande legião de atletas, como Zequinha Barbosa, Agberto Guimarães, Hudson Santos, Sanderlei Parrela, entre muitos outros do Brasil, sem contar com diversos competidores de outros países, que ele orientou nos Estados Unidos e no Qatar. Com certeza, dezenas de atletas estão de luto neste momento, bem como os integrantes da comunidade do atletismo.
Foi técnico de supercampães como a norte-americana Mary Decker e Maria Mutola, de Moçambique.
No Brasil, Flavia Lima, campeã brasileira e sul-americana dos 800 m este ano, lamentou a doença de seu treinador nessas conquistas, comovida pelo drama de saúde de seu mentor, desde que treinava com ele em Manaus (AM).
- O Luiz Alberto foi um treinador uns 30 anos na frente de todo mundo. Acompanhei todo o seu problema. Estou muito chateado por ele não terminar sua vida trabalhando no Brasil e não consigo definir a dor imensa que estou sentindo. É uma grande tristeza - comentou Zequinha Barbosa, que nos últimos meses foi um contato entre o treinador e outros atletas que ele orientou no Brasil e no mundo.
Zequinha tem inúmeras conquistas como as medalhas de prata no Mundial de Tóquio-1991 e de bronze no Mundial de Roma-1987, além do ouro no Mundial Indoor de Indianápolis-1987 e da prata em Budapeste-1989, também em pista coberta.
Agberto Guimarães, um dos melhores meio-fundistas da história do Brasil, ao lado de Joaquim e Zequinha, também deu seu depoimento.
- É triste saber que uma pessoa com a qual a gente conviveu parte importante da vida tenha falecido. E tão longe de todo mundo. Mas, ao mesmo tempo, acompanhando o que vinha acontecendo com o Luiz nos últimos tempos, a doença, ele descansou. E que Deus o tenha e ajude a família. Muito triste - disse o campeão pan-americano dos 800 m e dos 1.500 m nos Jogos de Caracas-1983.
O presidente do Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos, faz questão de reverenciar o treinador.
- O Luiz Alberto foi um dos gigantes do atletismo mundial, enalteceu o Brasil mundo afora, democratizando seu conhecimento, fazendo campeões em vários campos do mundo e especialmente no Brasil. Foi o primeiro e único treinador do Joaquim Cruz, do Zequinha, Agberto, Hudson Santos, Sanderlei Parrela, entre muitos outros. O Brasil perde uma grande referência. Apaga-se uma luz do atletismo, uma pessoa pela qual tinha uma elevadíssima estima, respeito e consideração. Tive o prazer e a oportunidade de conversar muito com ele, que nos apoiou nesta jornada. Que o arquiteto do universo o receba em seu descanso eterno - comentou Wlamir.
Luiz Alberto teve de retirar um rim em novembro passado e estava fazendo hemodiálise, enquanto esperava um possível transplante. Ele havia sofrido um AVC ainda no Brasil e recentemente teve de colocar seis stents. O pulmão, o coração e o fígado também foram prejudicados.

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