Do abandono à tecnologia olímpica: Ibirapuera renasce no Troféu Brasil

A pista recebeu aprovação de Fabiana Murer, Caio Bonfim e nomes da nova geração do atletismo nacional

PorDavi CaldasSão Paulo (SP)
26/07/2026 16:00
Atualizado há 0 minutos

Supervisionado porThiago Fernandes,
Nova pista, de nove raias e piso como os de estádios olímpicos, teve estreia no Troféu Brasil (Foto: Matias Santana/CBAt)
Nova pista, de nove raias e piso como os de estádios olímpicos, teve estreia no Troféu Brasil (Foto: Matias Santana/CBAt)

O Troféu Brasil de Atletismo, principal competição de clubes da América Latina, é conhecido por reunir a elite do esporte nacional em busca de índices e recordes. No entanto, o Estádio Ícaro de Castro Mello, no Complexo do Ibirapuera, estava sem provas nacionais desde 2015 e precisou de uma ampla reforma para melhorar sua infraestrutura.

Fabiana Murer, em entrevista exclusiva ao Lance!, conta que foi na pista do Ibirapuera que se desenvolveu e construiu a base de suas maiores conquistas no esporte. Contudo, suas últimas lembranças do local já não estavam tão boas: "A última vez que estive no estádio antes da reforma foi em 2019, com a minha filha, e saí muito chateada. A pista estava cheia de bolhas, praticamente não existia mais, e o setor do salto com vara estava todo descascado. Fiquei triste de ver que o lugar onde comecei a acreditar que poderia ser profissional estava daquele jeito."

continua após a publicidade

Agora, o cenário é de renascimento. Além do valor sentimental, a bicampeã mundial do salto com vara destaca o impacto direto da nova estrutura na saúde física dos competidores: "É importante que a pista seja macia também para o treino, evitando lesões ou bolhas que machucam os atletas. Ver essa pista novinha é de uma alegria muito grande e contribui para que eles se desenvolvam e aprendam a correr em um bom material."

Após um ano e meio de obras e investimento de cerca de R$ 90 milhões, o local contou com a recuperação das arquibancadas, a modernização da estrutura do estádio e, principalmente, uma nova pista olímpica. Fabricado na Itália, o piso da Mondo possui certificação Classe 1 da World Athletics, a mais alta categoria da modalidade, e estará presente nos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles.

continua após a publicidade
Em 2016, Fabiana Murer conquistou novo recorde sul-americano no Troféu Brasil daquele ano (Foto: Divulgação/BMF & Bovespa)
Em 2016, Fabiana Murer conquistou recorde sul-americano no Troféu Brasil daquele ano (Foto: Divulgação/BMF & Bovespa)

Pista de nível olímpico no Troféu Brasil de Atletismo

Para transformar a estrutura abandonada em um complexo de nível internacional, a execução exigiu um trabalho minucioso, como conta Décio Chusid, CEO e fundador da Playpiso, empresa brasileira responsável pela instalação do material no Ibirapuera. "A questão da engenharia foi um trabalho bem árduo. Tivemos que remover todo o material antigo existente e refazer toda uma base asfáltica nova. O grande desafio foi garantir a planicidade e a qualidade exigidas pela World Athletics", explica.

A grande virada tecnológica da nova pista do Ibirapuera está na escolha do material: uma superfície pré-fabricada em borracha 100% natural (látex). Diferente das pistas tradicionais, que são moldadas etapa por etapa no próprio local em um processo que emprega aglomerantes tóxicos, o piso pré-fabricado vem pronto da fábrica. Isso garante uma espessura perfeitamente uniforme ao longo de todo o circuito, eliminando as imperfeições e variações de nivelamento comuns nas aplicações in loco.

continua após a publicidade

Além do ganho em sustentabilidade e padronização, Chusid explica que a borracha natural oferece uma resposta elástica superior, amortecendo os impactos da passada e devolvendo a energia para o atleta, característica que se preserva intacta ao longo dos anos. A estrutura garante alta durabilidade, podendo resistir a anos de uso praticamente sem intervenções, diferente da pista anterior do Ibirapuera, que enrijecia e se desgastava rápido.

- É uma tecnologia única e um material exclusivo, presente nas últimas 15 Olimpíadas e que também será o piso dos Jogos de Los Angeles e dos Mundiais de Atletismo.

Para a empresa brasileira, que também participou do Pan de 2007 e das Olimpíadas do Rio, em 2016, o investimento do Estado de São Paulo garante durabilidade e igualdade para as novas gerações. "Inicialmente pode custar um pouco mais, mas, ao longo dos anos, esse material fica intacto, criando uma situação em que nossos atletas treinam e competem em igualdade com o que há de mais moderno no mundo. O que se precisa é saber cuidar, orientando os atletas a fazerem rodízio de raias nos treinos e usarem sapatilhas com cravos corretos", conclui.

continua após a publicidade

Para comprovar a eficiência da pista, a velocista Luana Cibele, classificada para o Mundial Sub-20, explica que sentiu a mudança no cronômetro e na leveza da passada. "É uma oportunidade muito grande que eu e outros atletas tivemos. Fiquei muito animada porque eu estava dando tempos que nunca tinha feito na vida. Para mim, eu estava correndo muito leve e tranquila, porque é uma pista que faz você querer correr mais e mais, sem se esforçar. É a melhor pista que já usei", comemora.

A atleta, que foi até a final dos 400m com barreiras no Troféu Brasil, também destacou o uso do sistema de cronometragem da Omega, o mesmo dos Jogos Olímpicos desde 1932: "Ter essa tecnologia nos deixa mais confiantes por serem tempos de alta precisão. Competir em um ambiente tão parecido com o que vou encontrar no Campeonato Mundial traz mais experiência e confiança para chegar ainda mais preparada no torneio sub-20."

continua após a publicidade
Luana Cibele tem como prova principal os 400m com barreiras, mas também conseguiu índice para o Mundial Sub-20 nos 400m rasos (Foto: Gustavo Alves/CBAt)
Luana Cibele tem como prova principal os 400m com barreiras, mas também conseguiu índice para o Mundial Sub-20 nos 400m rasos (Foto: Gustavo Alves/CBAt)

A empolgação é compartilhada por Benjamin Oliveira, triplista também classificado para a competição internacional, que vibrou ao ver a nova estrutura do Ibirapuera. "Quando fiquei sabendo que a pista ia ser da Mondo, falei: 'Caraca, agora sim essa pista vai ser a melhor do Brasil!'. É a mesma estrutura das competições lá de fora. Competir em uma pista dessa é maravilhoso", afirma.

Até mesmo sob o clima instável da capital paulista, o piso provou sua eficiência e aderência. Após marchar sob a pista molhada pela chuva antes da largada na última quinta-feira (23), o medalhista olímpico Caio Bonfim quebrou o recorde sul-americano e aprovou o desempenho técnico da superfície. Em coletiva de imprensa, o atleta explicou que, mesmo molhada, a pista não atrapalhou, já que não estava escorregadia.

continua após a publicidade

➡️ Com Piu e Caio Bonfim, confira a programação do Troféu Brasil

👥 Indique amigos e ganhe até R$30 em saldo para apostar - confira as regras
18+ | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento | Conteúdo comercial | Aplicam-se termos e condições.

Sugerida para você!

Mais LANCE!