Pista, estudos e maternidade: as rotinas de dupla jornada no Troféu Brasil
De promessa do Mundial a ex-atleta na arbitragem: os desafios de quem concilia o esporte com a vida pessoal

Nos bastidores do Troféu Brasil de Atletismo, a busca por medalhas e índices divide espaço com uma maratona longe dos holofotes. Conciliar os treinos pesados com os estudos e a vida pessoal exige um malabarismo diário, desafio encarado de frente pela nova geração do esporte nacional.
Um dos nomes de destaque nessa engrenagem é Victoria Campos, campeã brasileira sub-23 nos 200m rasos e convocada para o Mundial Sub-20. Em entrevista exclusiva ao Lance!, a velocista de 18 anos conta como lida diariamente com uma tripla jornada: a pista, a escola e a maternidade de uma menina de três anos.
- Minha rotina é bem corrida. Eu acordo, levo minha filha para a creche, vou para a escola, volto para casa, fico uns 30 minutos e já tenho que sair para treinar das 14h às 17h. Aí eu volto, tenho que estar um pouco com ela e organizar tudo para poder descansar, porque no dia seguinte já tem mais correria.
A principal dificuldade, segundo a atleta, não está na falta de foco no esporte, mas sim no cansaço da rotina. "É uma coisa em cima da outra, e é cansativo porque eu tenho uma filha de três aninhos que é 'ligada no 220'. Eu chego do treino cansada e ela está lá, feliz da vida e querendo brincar", explica.
Mas, se a rotina pessoal exige energia máxima, na pista o rendimento não cai graças a uma rede de apoio fundamental. Para competir em alto nível no Troféu Brasil e garantir o descanso necessário exigido pelo atletismo de elite, os pais da velocista entram em ação como suporte essencial.
- Eu consigo administrar tudo isso porque meus pais me ajudam muito. Nesse momento, eu estou hospedada aqui no Ibirapuera e minha filha ficou com eles. Quando são dias de competição, ela dorme com meus pais para eu conseguir dormir cedo e descansar mais.
Mesmo com a rotina complexa, Victoria carimbou sua vaga para o Mundial Sub-20 em Oregon (EUA) para os 100m e 200m rasos. Agora, a atleta usa o Troféu Brasil como o ajuste final em nível adulto e competitivo para aparar os últimos detalhes técnicos e chegar ao seu auge no torneio internacional.
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Da ação ao apito: arbitragem do Troféu Brasil
A dupla jornada também ganha outra dimensão com quem já deixou de competir, mas encontrou na arbitragem e na faculdade uma forma de continuar vivendo o atletismo de perto. É o caso de Luiza Soares, ex-atleta que hoje atua como árbitra no Troféu Brasil e divide os dias de competição com uma rotina puxada na graduação de Arquitetura e Urbanismo, em que estuda de segunda a sábado.
- Para mim, essa transição foi algo natural, porque eu fui atleta por muitos anos, competi aqui e conhecia a todos eles (atletas). Poder estar aqui de outra forma, acompanhando essa nova geração conquistando suas marcas e resultados, é algo muito importante e significativo. Sempre estive no esporte desde pequena.
A decisão de seguir na arbitragem veio acompanhada de um plano maior. Na faculdade, a jovem de 20 anos encontrou um gancho inusitado para unir sua paixão pelo atletismo com a futura profissão: "A área de Arquitetura e Urbanismo tem tudo a ver com o atletismo, porque são os arquitetos que ajudam a projetar as pistas, os setores de prova e a fazer tudo funcionar. É uma oportunidade de continuar dentro do esporte, atuando por outras áreas."
Conciliar o ritmo da arbitragem em grandes eventos com a rotina na faculdade não é tarefa simples. Para dar conta das demandas acadêmicas e da disponibilidade exigida pelas competições, Luiza aposta na disciplina e na organização rigorosa de horários, conciliando tudo com um cronograma.
- Não vou mentir, é um pouco cansativo. A principal dificuldade acaba sendo a cabeça, porque nós ficamos muito cansados e exaustos. Mas eu acredito que, se a gente realmente ama e gosta do que faz, não tem nada que possa nos parar.
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