Setembro Amarelo: relembre relatos corajosos de jogadores sobre a saúde mental
Mês é dedicado à campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio

Começa nesta terça-feira (1º) mais um Setembro Amarelo, mês dedicado à campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. Apesar de o tema saúde mental ainda ser tabu no meio do futebol, muitos jogadores encontraram coragem nos últimos anos para relatar as suas trajetórias e incentivar a procura por ajuda profissional de psicólogos e psiquiatras.
O esporte exige a busca incessante por performance, acompanhada da pressão impulsionada pela expectativa de milhões de torcedores, que hoje também se reflete nas redes sociais. Por outro lado, cada vez mais os clubes reconhecem a importância da presença de especialistas no dia a dia dos atletas, sem os quais não teriam superado seus momentos mais sombrios.
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Relatos que inspiram no Setembro Amarelo
Richarlison
O atacante do Tottenham enfrentou uma das faces mais cruéis do esporte: ver a idolatria se tornar ódio. Há quatro anos, o jogador chegou à Copa do Mundo de 2022 muito querido pela torcida brasileira, mas a eliminação fez com que as críticas duras sobressaíssem. Em vez de se blindar, Richarlison procurou ler cada comentário e, assim, a paixão pelo futebol deu lugar à incerteza. Felizmente, o apoio da psicologia ajudou-o a retomar o desejo de atuar.
— Antes eu ia treinar e já queria voltar para casa, para o quarto, não sei o que estava dando na minha cabeça… Cheguei a falar com o meu pai que eu ia desistir. Eu tinha acabado de disputar uma Copa do Mundo, estava no meu auge. Mas cheguei no meu limite, sabe? Eu estava em depressão, queria desistir. Sofri muitos ataques depois da Copa e tive um problema pessoal em casa que me afetou muito. Logo eu, que parecia tão forte mentalmente. Depois da Copa, desabou tudo. E acho que a psicóloga me salvou, salvou a minha vida. Eu só pensava besteira, pesquisava besteira de morte. Hoje eu posso falar: procure um psicólogo, é legal você se abrir, conversar. Eu tinha preconceito antes, achava que era frescura ou eu estava doido. Na minha família, pessoas achavam também. Mas (a psicologia) foi a melhor descoberta que eu tive na vida — afirmou à "ESPN", em 2024.

Igor Thiago
O atacante, que representou a Seleção Brasileira na última Copa do Mundo, vive grande fase na Inglaterra, cenário quase impensável poucos anos atrás. Em 2020, quando defendia o Cruzeiro na Série B do Campeonato Brasileiro, Igor Thiago conviveu com depressão e ansiedade diante do medo das críticas. No entanto, procurou ajuda de um psicólogo e, segundo sua esposa, passou a olhar a vida de outra forma após o nascimento do filho, Ravi.
— Em uma manhã, indo para um treino, eu pensei em bater meu carro de tanta cobrança que eu estava recebendo, pessoas me xingando. Aquilo estava me afetando. O que não me deixou fazer isso foi a questão da minha fé, minha conexão com Deus. Cheguei em casa, conversei com minha mãe e meus irmãos. Estava passando por um momento muito difícil. E foi quando minha vida começou a ir por um percurso diferente — contou este ano à "TNT Sports".

Jhon Arias
Atual jogador do Palmeiras, o colombiano teve muita dificuldade na sua chegada ao Fluminense, em 2021, logo após a morte da sua avó. Foi com o suporte da psicóloga do Tricolor, Emily Gonçalves, que o meia-atacante retomou o desejo de jogar futebol e fazer história no Brasil, longe de sua casa. Após o título da Libertadores, em 2023, como em outras oportunidades, Arias ressaltou nominalmente a importância da profissional.
— Minha relação com a Emily é ótima, uma pessoa que me ajudou muito desde a minha chegada. Toda vez que posso, tento enaltecer o trabalho dela. Aqui muita gente trabalha muito. Talvez fora das câmeras, mas que carregam o time em momentos importantes. Pessoas que não aparecem muito, mas ajudam o Fluminense a atingir o lugar que tem atingido — disse em entrevista coletiva.
Confira declaração de Arias a Emily:
Pra quem acha que o psicólogo é frescura já que a pessoa ganha enorme salário, um lembrete:
— Vessoni (@Vessoni) November 19, 2023
Após o título da Libertadores, Jhon Arias agradeceu a psicóloga do Fluminense, Emily Gonçalves:
Arias - "Obrigado por tudo. Você me faz o que eu sou hoje"pic.twitter.com/kH8xHoOPD2
Danilo Luiz
O zagueiro do Flamengo viveu o sonho de milhares de atletas ao vestir a camisa de gigantes do futebol europeu, como o Real Madrid. Mas foi justamente então que começou a lidar com problemas emocionais consequentes da exigência. Após vencer o estigma e buscar ajuda profissional, Danilo passou a incentivar abertamente a presença dos psicólogos no esporte.
— No Real Madrid eu comecei a ter problemas emocionais, mentais, que eu não tinha antes, nem quando não ganhava tão bem e não era tão conhecido. Foi meu maior momento de dificuldade: "Quem pode me ajudar? Eu, lá no América Mineiro, não tinha nem comida às vezes e passava por cima de tudo. Agora, no Real Madrid, ganhando bem, tudo perfeito, preciso de ajuda?" Mas resolvi escutar um psicólogo do esporte, fiz minha primeira sessão, que me trouxe um conforto que não tinha há muito tempo. Eu era cheio de preconceito, de dificuldade para aceitar ajuda, mas, a partir da primeira vez, resolvi trabalhar com ele de novo e, então, queria toda semana — declarou ao programa "Muito Além do Esporte" no ano passado.

Cássio
O goleiro do Cruzeiro é mais um jogador que passou a levantar a importância do trabalho da psicologia esportiva como bandeira. De forma corajosa, Cássio confessou que precisou se atender com psicóloga e psiquiatra. Ciente do preconceito no mundo do esporte, o veterano quer que as próximas gerações possam reconhecer o valor da ajuda profissional.
— Eu frequento psicóloga, fui na psiquiatra também, tomo medicação. Acho que, no meio do futebol, a gente é meio preconceituoso. Hoje é muito importante o psicólogo, porque a gente passa por muitas coisas e precisa de pessoas para ajudar, para a gente falar. Eu, por muitas vezes, guardei coisas para mim, conversava mais com a minha esposa, mas é muito importante a ajuda de profissionais do assunto. E o futebol hoje mudou muito, questão de redes sociais, com críticas e elogios. E é importante para a nova safra de jogadores, porque a gente se deslumbra. Eu acho que os clubes deveriam ter psicólogos, é uma evolução no futebol — refletiu ao programa "SportsCenter", em 2024.

Arrascaeta
O meia-atacante uruguaio, ídolo do Flamengo desde 2019, é entusiasta do trabalho de psicólogos. Nas redes sociais, o jogador já fez publicações ressaltando a importância da terapia na sua trajetória e incentivando os seus seguidores a também buscarem cuidar da saúde mental. Dessa forma, Arrascaeta passou a se abrir mais e também a encarar melhor a dificuldade das recorrentes lesões, momentos delicados para qualquer atleta.
— Eu acredito que, desde que eu comecei a fazer terapia, parece que eu comecei a viver de novo, ou viver mais plenamente. Antes de eu começar a terapia, a minha personalidade, a minha forma de ver as coisas, o despertar de cada dia (eram diferentes). E no âmbito do futebol também. No momento das lesões, que podem acontecer num treino, num jogo, é importante você saber que você está fazendo o que tem que ser feito e estar preparado para enfrentá-las — afirmou nas redes sociais em 2024.
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