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Treinador precisa ter sido jogador? Lance! entrevista Autuori no Dia do Educador Físico

Autuori explica por que formação acadêmica é diferencial para treinadores

PorIzabella GiannolaSão Paulo (SP)
01/09/2026 06:03
Paulo Autuori pelo Fortaleza
Autuori é formado em educação física e atua como treinador (Foto: Maicon Damasceno/Agencia Enquadrar/Folhapress)

No Dia do Profissional de Educação Física, celebrado neste 1º de setembro, o técnico Paulo Autuori, um dos exemplos de treinadores que buscaram uma formação acadêmica antes de construir carreira no futebol, conversou com o Lance! sobre a importância desse aprofundamento para quem pretende atuar na área.

Autuori é formado em Educação Física pela Universidade Castelo Branco, tem curso de Administração Esportiva pela PUC-RJ e também de treinador de futebol pela UERJ. Para o treinador, que atualmente comanda o Fortaleza, a formação acadêmica vai além do conhecimento adquirido dentro de sala de aula. Na visão dele, ela oferece ferramentas importantes tanto para a parte técnica quanto para a relação com os jogadores.

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- O que eu valorizo é a profissão de quem é formado em educação física, do professor de educação física. E aí, dependendo da aptidão e do gosto, ele vai optar por algum tipo de esporte. Para aqueles que optam pelo futebol, você tem uma base muito interessante de matérias que vão te dar a oportunidade de, ao assumir como treinador, entender bem o trabalho do seu preparador físico, integrar o seu trabalho no aspecto técnico-tático com os preparadores físicos, porque vão saber da importância de determinadas ações do profissional da área - explicou o treinador, hoje no comando do Fortaleza.

É nesse ponto que Autuori amplia a discussão para além da formação do treinador. Para ele, o desenvolvimento de um jogador também precisa respeitar etapas, e a pressão existente no futebol muitas vezes pode fazer com que esse processo seja acelerado de maneira prejudicial.

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- A formação acadêmica é fundamental. Saber lidar com um grupo de pessoas, entender que você tem uma tarefa importante que não tem a ver só com o treino, com preparar o jogo. Tem a ver com como você aborda as individualidades do seu grupo. Se você tem essa vertente, acho que facilita mais, ou te dá mais embasamento para saber que tipo de abordagem você tem que fazer de maneira pedagógica - disse.

- Você tem que criar um desenvolvimento pedagógico do menos para mais, né? E o futebol, às vezes, pela exigência, faz você atropelar etapas. Isso, em termos de desenvolvimento do jogador, é muito prejudicial. Você não aprende a multiplicar antes de aprender a somar. Então todo esse desenvolvimento pedagógico e psicológico é fundamental para que não haja retrocessos que atrasam muito o desenvolvimento do atleta - completou.

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Paulo Autuori em ação
Paulo Autuori no comando do Fortaleza (Foto: Antônio Machado /Fotoarena/Folhapress)

Formado ou ex-jogador?

A defesa da formação acadêmica, no entanto, não significa, para Autuori, que o caminho de quem chega à função de treinador depois de uma carreira como jogador seja menos válido. A presença de ex-atletas no comando das equipes é cada vez mais comum, e o treinador evita colocar os dois perfis em lados opostos.

Ao ser questionado sobre o possível diferencial de um profissional formado na universidade em relação a quem construiu conhecimento a partir da experiência dentro do gramado, Autuori preferiu levar a discussão para outro aspecto. No caso, a personalidade e a capacidade de lidar com pessoas.

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- Antes de qualquer profissional, é um ser humano, e todos nós temos personalidade. O que temos são tipos de personalidades diferentes, né? Essa história aqui no futebol fala muito: 'esse jogador não tem personalidade'. Claro que ele tem. Mas que tipo de personalidade é essa? Isso está linkado com o trabalho do profissional da área, do psicólogo desportivo, entendeu? Então isso tem a ver com a sensibilidade do profissional, do treinador, se é formado ou não. Eu não vejo isso como conflito, sinceramente - completou.

- Temos vários exemplos aí que podem cortar qualquer narrativa contrária de que tem que ter sido ex-jogador. Temos muitos exemplos no mundo, não me refiro apenas ao Brasil. Então eu acho que toda essa formação que você tem, todas as cadeiras que você tem que praticar, estudar nas universidades, elas vão ser importantes para a ponta final. Mas aí não são suficientes, né? - destacou.

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A crítica aos cursos de federação

A experiência de Autuori fora do Brasil também aparece quando o treinador fala sobre os diferentes caminhos de formação disponíveis para quem deseja trabalhar no futebol. Entre 1986 e 1995, ele trabalhou em Portugal, onde começou como auxiliar de Marinho Peres no Vitória de Guimarães, comandou o Nacional da Madeira no acesso à primeira divisão e levou o Marítimo às competições europeias na temporada 1994/95.

A partir dessa experiência, Autuori compara o modelo brasileiro de qualificação com o português e defende que a formação ideal passa pela combinação de diferentes conhecimentos. Para ele, ter experiência prática como atleta, formação em Educação Física e um curso específico para treinadores pode oferecer uma preparação mais completa, embora nenhum desses elementos, isoladamente, seja suficiente.

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- É importante, sim, a partir do momento em que você tiver o conhecimento do jogo. Se tiver praticado, melhor ainda, é o mundo ideal: quem foi praticante, quem se formou em educação física e quem tira o curso de treinador de futebol. Mas isso tudo tem a ver com aquilo que você é, e seus comportamentos vão ser os mesmos, independentemente se você está trabalhando no futebol, no basquete, no vôlei ou em qualquer outro setor profissional - disse.

Paulo Autuori no comando do São Paulo
Técnico destacou a importância da formação em educação física (Foto: Luiz Erbes/AGIF/Folhapress)

Relembre a carreira de Paulo Autuori

Nascido no Rio de Janeiro em 25 de agosto de 1956, Autuori construiu uma carreira de quase 40 anos em quatro continentes. Ganhou o Campeonato Brasileiro de 1995 pelo Botafogo, a Libertadores de 1997 pelo Cruzeiro e, pelo São Paulo, a Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa de 2005.

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Fora do Brasil, comandou as seleções do Peru e do Catar e passou por clubes de Portugal, Japão, Catar, Bulgária, Colômbia e Peru. No Sporting Cristal, onde já havia sido campeão nacional, cumpriu passagem recente de um ano e três meses, com 54,3% de aproveitamento em 46 partidas e classificação à fase de grupos da Libertadores.

O Fortaleza anunciou o treinador em 25 de julho, para substituir Thiago Carpini no segundo turno da Série B. O contrato vai até o fim de 2026, com o objetivo de devolver o clube à primeira divisão. Ele levou consigo o auxiliar Bernardo Franco e o preparador físico Fábio Eiras.

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