Relembre casos de jogadores acusados de relação com o tráfico de drogas
De Edinho a Rincón e Adriano Imperador, suspeitas no Brasil terminaram em absolvição. Mas há prisões recentes no exterior
O atacante David Corrêa, o DVD, do Vasco, ao lado de Hayner, do Vila Nova (GO), foi alvo de cumprimento de mandado de busca e apreensão na manhã desta segunda-feira, dentro de uma investigação sobre tráfico interestadual de entorpecentes e armamentos. Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), a operação denominada "A Tropa" é decorrente de uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo.
"A operação apura a atuação do grupo, que possui ramificações em diferentes estados. Segundo as investigações, também são analisados possíveis envolvimentos de atletas profissionais e empresários com a organização criminosa", informou a corporação em nota. O Vasco afirmou que colabora com as investigações, e David foi alvo de buscas em sua casa e no CT do clube. Já o Vila Nova emitiu comunicado em redes sociais que o jogador do clube acredita ter sido envolvido no caso por conta da amizade de infância com um dos investigados por tráfico de drogas, que é da mesma comunidade onde cresceu, no Espírito Santo.
➡️Atacante do Vasco é alvo de operação da Polícia Civil
Mas os dois não são os primeiros a passar por este tipo de situação. De Adriano a Freddy Rincón, passando pelas investigações sobre relação entre agências de atletas e o Primeiro Comando da Capital (PCC), divulgada em agosto de 2024, relembre os principais casos de jogadores de futebol que enfrentaram suspeitas de ligação com organizações criminosas.
Rincón chegou a ser preso, mas foi absolvido
Ídolo do Corinthians e com passagem marcante também pelo Palmeiras, o colombiano Rincón, falecido em 2022 aos 55 anos em um acidente de trânsito, passou por maus bocados em 2007. Naquele ano, ele estava sob investigação da Justiça do Panamá por suposta relação com a organização de um traficante também colombiano, Pablo Rayo Montaño. O vínculo apontado era a participação do ex-jogador em uma empresa de pesca chamada Nautipesca.
A pedido da Justiça do Panamá, ele chegou a ser detido com fins de extradição pela Polícia Federal em 2007, por ordem do Superior Tribunal Federal (STF). O mesmo tribunal lhe concedeu o direito de responder em liberdade meses depois. Rincón ainda teve um novo alerta de captura emitido pela Interpol em 2015, defendeu-se em entrevista para uma revista colombiana, negando todas as acusações, e o desfecho só ocorreu em 2016, quando a Justiça do Panamá o absolveu em definitivo.
Imperador: acusação por conta de motocicleta
Além de todas as polêmicas extracampo, Adriano, o Imperador, ídolo do Flamengo e da Inter de Milão, chegou a ser acusado formalmente em 2014 pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) por associação com o tráfico de drogas e falsidade ideológica, mas foi integralmente absolvido. A acusação apontava que o ex-jogador havia adquirido, em 2007, uma motocicleta no nome da mãe do chefe do tráfico na Vila Cruzeiro, comunidade onde foi criado, naquela época. Em maio de 2016, a segunda instância da Justiça estadual confirmou sua absolvição em definitivo.
Edinho, filho do Rei, é absolvido
Edson Cholbi Nascimento, o Edinho, filho do Rei Pelé, foi absolvido em dezembro de 2024 das acusações de tráfico de drogas e associação ao tráfico. O ex-goleiro foi preso ao lado de diversas outras pessoas na Operação Indra, do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) e, na época, negou ser integrante da quadrilha, declarando ser apenas dependente de drogas. Ele foi o único absolvido, por falta de provas, em uma decisão que citava nove réus.
Em 2014, Edinho havia sido condenado, também pela Justiça de Praia Grande (SP) a 33 anos de prisão por lavagem de dinheiro, punição que foi reduzida em 2017 para 12 anos e 10 meses. Foi permitido que cumprisse a pena em regime aberto.
Agências de jogadores e o PCC
No Brasil, o caso mais recente de ligação entre o narcotráfico e o futebol foi divulgado em agosto de 2024. Uma investigação iniciada três anos antes apontou o uso de agências de jogadores para lavagem de dinheiro da organização criminosa denominada PCC, com envolvimento também de empresários de atletas. Foram interceptadas mensagens, transferências bancárias e procurações apontando membros da facção operando na intermediação e compra de direitos de atletas da base e do profissional, incluindo de grandes clubes como Corinthians e Cruzeiro. A investigação continua em andamento.
➡️PCC no futebol: agências suspeitas de lavagem de dinheiro têm mais de 200 atletas
A apuração apontava Rafael Maeda Pires, conhecido como "Japa do PCC", e morto em 2023, como principal operador do esquema. De acordo com a investigação, ele realizaria pagamentos diretos em nomes de agências de atletas de futebol e teria acesso aos bastidores dos clubes. O caso ganhou tração com a delação premiada do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, que entregou ao Ministério Público de São Paulo registros telefônicos, contratos, e planilhas detalhando como o dinheiro do crime organizado era lavado no esporte.
São quatro agências investigadas: Lion Soccer Sports, UJ Football Talent, FFP Agency e Promoesporte Brasil. Elas afirmam que não têm ligações com o PCC e operam dentro da lei. Não há informações sobre o envolvimento direto dos atletas agenciados nas irregularidades.
Futebol e crime organizado no exterior
Há casos bem recentes relacionando atletas de futebol ao crime organizado em outros países. Neste mês, por exemplo, um ex-jogador sérvio, Uros Milosevic, foi preso em Portugal com 1,5 tonelada de cocaína, avaliada em 70 milhões de euros, além de duas armas de fogo. As investigações apontam que se trata de um membro ativo do Cartel dos Bálcãs, que envia grandes remessas de entorpecentes da América do Sul para a Europa. Ele construiu a carreira de jogador em clubes sérvios.
Também neste mês, o chileno Carlos Palacios, que tem passagens por Vasco e Internacional, e hoje defende o Boca Juniors, passou a ser investigado pela justiça do país. Um carro registrado em seu nome foi apreendido em uma operação policial chilena com grande quantidade de cocaína. O veículo era dirigido pelo seu sogro, Sebastián Soto Guerra, que foi preso.
Guerra é apontado como membro da organização "Los Pájaros de La Legua", que atua no narcotráfico em Santiago. O sogro de Palacios já era um dos alvos da investigação que, agora, continua para determinar se há de fato alguma relação do jogador com o tráfico de entorpecentes.
Em Portugal, em março deste ano, o goleiro Iván Cardoso, que integrou as categorias de base do Porto, foi preso ao lado de outras 16 pessoas em operação que apreendeu armamentos, veículos de luxo e diversos tipos de entorpecentes. A investigação aponta que ele teria papel de destaque em uma das principais organizações criminosas da cidade do Porto.
Em meados de 2025, Quincy Promes, ex-atleta do Ajax e da seleção holandesa, foi extraditado dos Emirados Árabes para a Holanda, sob acusação de tráfico de drogas e agressão. A justiça holandesa condenou Promes a seis anos de prisão por envolvimento em operação com dois carregamentos de cocaína partindo do Brasil para a Holanda, por meio da Antuérpia, na Bélgica. O fato aconteceu em 2020. Ele foi preso em Dubai, quando estava em um campo de treinamento com o elenco do Spartak Moscou. Chegou a ser liberado com restrições, mas teve seu contrato com o clube russo rescindido.
O uruguaio Sebastián Marset foi preso na Bolívia em março deste ano, numa operação em Santa Cruz de la Sierra. Ele já figurava entre os cinco narcotraficantes mais procurados pela agência antidrogas dos Estados Unidos, a DEA, que oferecia até US$ 2 milhões de recompensa por sua captura, e manteve vínculos com diversas organizações, incluindo o PCC. Ele chegou a se registrar, em 2021, como jogador do Deportivo Capiatá, da segunda divisão do paraguai, e, quando já vivia como foragido na Bolívia, também jogou na liga de Santa Cruz, de acordo com informações da BBC.
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