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Kaio Jorge é advertido pelo STJD e joga Atlético-MG x Cruzeiro

O atacante foi julgado por lance com Ruan Tressoldi no clássico pela Copa do Brasil

PorEduardo StatutiBelo Horizonte (MG)
31/08/2026 14:18
Kaio Jorge foi julgado pelo STJD
Kaio Jorge foi julgado pelo STJD (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

O atacante do Cruzeiro, Kaio Jorge, foi julgado pela 5ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva na manhã desta segunda-feira (31). O atleta foi condenado a uma suspensão de um jogo convertida em advertência.

Ele foi enquadrado no artigo 254, parágrafo primeiro, inciso II, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de jogada violenta, mesmo sem intenção de causar dano ao adversário. O lance ocorreu no primeiro tempo, quando deslocou Ruan Tressoldi, que caiu no chão e foi encaminhado ao hospital.

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Disputa de bola entre Kaio Jorge e Ruan Tressoldi
Disputa de bola entre Kaio Jorge e Ruan Tressoldi (Foto: Evandro Oliveira/Onzex Press e Imagens/Folhapress)

Na votação, o relator Dr. Ramon Rocha Santos considerou que o lance foi mais que uma cama de gato e temerário, votando pela condenação com pena mínima de suspensão de um jogo, convertida em advertência.

Em seguida, Renata Baldez Mendonça tomou a palavra e acompanhou o voto de Ramon. Raoni Vita ressaltou a complexidade do caso, destacou que o lance justificava cartão amarelo ou vermelho, e votou por acompanhar o relator.

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O Dr. Gustavo Lisboa discordou da dosimetria da pena e votou por três jogos de suspensão por considerar a falta muito grave. Finalmente, o presidente da 5ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva, Dr. Paulo Ronaldo Carvalho, também acompanhou o relator. Com isso, Kaio Jorge foi condenado a uma suspensão de um jogo convertida em advertência.

– O atleta Kaio Jorge Pinto Ramos, por maioria foi suspenso por uma partida, suspensão convertida em advertência, divergindo Gustavo Lisboa que o advertia por três partidas – finalizou Carvalho.

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Como foi o julgamento

Inicialmente, os auditores julgaram o pedido de Ruan Tressoldi para ser terceira parte no julgamento, mas a solicitação foi indeferida.

Foram exibidos o lance de Kaio Jorge com Ruan Tressoldi e os embates do atacante com Ivan Roman em 2025. Porém, os vídeos da última temporada foram excluídos por solicitação de Paulo Ronaldo Carvalho, presidente da 5ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva. Na sequência, Michel Assef apresentou uma série de lances de 'cama de gato' em que não houve punições severas aos atletas.

Em seguida, o Atlético-MG acionou o Dr. Haroldo Aleixo, médico cardiologista e especialista em medicina do esporte, como testemunha.

Então, o procurador Caio Porto Ferreira tomou a palavra e dividiu a suspensão da procuradoria em três partes: o cabimento da denúncia, a fundamentação no CBJD e os comentários sobre a possível punição. Ele questionou se era necessária a entrada de Kaio Jorge e chamou atenção para a preservação dos atletas em jogadas com a cabeça, pedindo uma medida pedagógica.

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Defesa do Cruzeiro

Representante do Cruzeiro, Michel Assef defendeu a equipe. Inicialmente, falou sobre os casos de atraso para o segundo tempo e a pirotecnia na torcida. Sobre Kaio Jorge, afirmou que não deveria haver debate, pois é constante que clubes contestem decisões de campo da arbitragem.

– O que tem que ser avaliado aqui é a conduta. Sempre é importante a presença do médico. Se fosse apenas uma falta de jogo, analisada pelo árbitro... Se tivesse causado o óbito de um atleta, não é isso que vem a julgamento, o resultado, é a conduta, a falta que será julgada. Se o Ruan não tivesse caído como caiu, não estaríamos aqui. Não estamos aqui para julgar resultado, estamos para julgar conduta – defendeu.

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– Esse tipo de jogada ocorre em todos os jogos. O atleta fez uma cama de gato. Se esse caso for admitido e julgado dessa forma, o que vai acontecer é uma chuva de denúncias. Essa é uma falta de jogo que aparece em todas as partidas – complementou Michel Assef.

– Escapou ao árbitro? Não, o árbitro deu falta. Escapou do VAR? Não! Não temos que discutir esse caso com qualquer suspensão ou advertência. Se isso acontecer, a justiça desportiva receberá uma enxurrada de denúncias. Outra exceção à regra seria um erro notório. Por isso, trouxemos uma série de lances similares em que sequer houve cartão amarelo. Por que denunciar Kaio Jorge e nenhum outro? Haverá desequilíbrio no campeonato. Não deveria haver julgamento – afirmou, pedindo absolvição do atacante.

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Acusação do Atlético-MG

A defesa do Atlético-MG então iniciou a acusação contra o atacante celeste. O advogado Rafael Lewandowski Libertuci destacou que o ato de Kaio Jorge foi uma tentativa de homicídio e apontou a reincidência do atleta em clássicos.

– Quase me convenci pela fala de Michel Assef. Mas lembrei de quem se fala, das ações de Kaio Jorge. É importante lembrar dos casos de cama de gato. Kaio Jorge não fez uma cama de gato; foi uma ação deliberada. Ele derruba o jogador no alto e dá uma ombrada. Não é cama de gato, é tentativa de homicídio [...] Ninguém aguenta mais Kaio Jorge. Ruan Tressoldi poderia ter morrido. A gente julgaria isso por um jogo ou dois de suspensão? – questionou o advogado.

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O que diz o artigo em que Kaio Jorge foi enquadrado?

O artigo 254 do CBJD trata de "qualquer ação cujo emprego da força seja incompatível com o
padrão razoavelmente esperado para a respectiva modalidade" e "atuação temerária ou imprudente na disputa da jogada, ainda que sem intenção de causar dano ao adversário".

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