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Contradição ou lógica: Manchester City começa era pós-Guardiola com legião de dribladores

Allan e Ndiaye se juntam a Doku, Cherki e companhia no elenco de Maresca

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
03/09/2026 11:54
Semenyo comemora com Cherki gol do Manchester City sobre o Chelsea na final da FA Cup
Semenyo comemora com Cherki gol do Manchester City sobre o Chelsea na final da FA Cup (Foto: Adrian Dennis / AFP)

Ao longo de dez anos à frente do Manchester City, o genial Pep Guardiola empilhou troféus, bateu recordes e despertou amor e ódio. Para os detratores, uma das alegações mais frequentes era a de que o treinador matava o drible, o improviso, em suas equipes.

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Os Citizens adotavam um sistema posicional sob sua gestão, que previa que os atletas guardassem as suas posições dentro de campo. Era um jogo paciente, de trocas de passes, em meio ao qual os pontas cumpriam papel essencial de quebrar a linha de defesa adversária em situações de um contra um no momento certo, próximas à linha de fundo.

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O lendário treinador, portanto, reconhecia o valor do drible. Aliás, a sua equipe liderou a Premier League neste quesito nos títulos de 2017/18, 2018/19, 2020/21 e 2021/22.

No entanto, talvez esteja aí o cerne da questão: para os críticos de Guardiola, driblar não é uma ação tática, medida por números. O técnico não gostava de fintas sem objetividade ou de que um jogador partisse desde o campo de defesa, apostando de forma anárquica na própria habilidade. Não à toa valorizava pontas menos brilhantes, mas que sabiam executar os movimentos táticos e técnicos necessários, como Jack Grealish ou Raheem Sterling.

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Isso não significa que o catalão não tenha contado com jogadores de muita habilidade em seus elencos, como o português Bernardo Silva ou o argelino Riyad Mahrez. Para o treinador, porém, tais atletas tinham hora certa e lugar certo para executar lances diferentes, até mesmo para não cederem ataques promissores aos adversários.

Guardiola e Bernardo Silva se despedem do Manchester City durante jogo contra o Aston Villa
Guardiola e Bernardo Silva se despedem do Manchester City durante jogo contra o Aston Villa (Foto: Darren Staples / AFP)

Nos últimos anos, a suposta contradição entre as valências das peças do Manchester City e o sistema de jogo aumentou com a chegada de jogadores notabilizados pelo improviso. São os casos do belga Jérémy Doku, do francês Rayan Cherki e do brasileiro Savinho, agora negociado com o Tottenham.

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Guardiola admirava os seus dribladores, mas tentava condicioná-los conforme suas crenças. E os resultados são inegáveis. Enquanto os críticos batiam na tecla de que o espanhol matava o lugar do drible no futebol, lá estava o técnico buscando atletas habilidosos no mercado de transferências para exercer o desequilíbrio no terço final do campo.

No início da era pós-Pep, o Manchester City continua atrás do mesmo perfil. Nesta janela de transferências, acertou as contratações de Allan, ex-Palmeiras, e Iliman Ndiaye, que atuava no Everton. Estatisticamente, a tendência é que o time drible mais e mais.

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Legião de dribladores do Manchester City:

  1. Jérémy Doku (ponta): mais dribles certos na Premier League 2025/26 (84)
  2. Iliman Ndiaye (ponta): 2º com mais dribles certos na Premier League 2025/26 (73)
  3. Antoine Semenyo (ponta): 4º com mais dribles certos na Premier League 2025/26 (59)
  4. Rayan Cherki (meia): 8º com mais dribles certos na Premier League 2025/26 (51)
  5. Elliot Anderson (volante): 10º com mais dribles certos na Premier League 2025/26 (50)
  6. Allan (ponta): 2º com mais dribles certos no Brasileirão 2026 (48)
Allan, então jogador do Palmeiras, encara marcação do Internacional em jogo do Brasileirão
Allan, então jogador do Palmeiras, encara marcação do Internacional em jogo do Brasileirão (Foto: Yuri Murakami / Fotoarena / Folhapress)

O novo técnico dos Citizens, Enzo Maresca, foi auxiliar de Guardiola e também é adepto do jogo posicional. No entanto, o treinador observa um movimento no futebol que talvez explique as suas primeiras contratações, replicadoras de tendência já apresentada por seu antecessor.

— Você precisa que seus jogadores criem superioridade numérica contra quem os está marcando. Por exemplo, por que o PSG é tão bom? Porque todos os times marcam individualmente e eles têm o Achraf Hakimi na lateral, bom no um contra um. Nuno Mendes na lateral, bom no um contra um. Os pontas, os meio-campistas, a maioria dos seus jogadores não é fisicamente forte, mas eles são bons porque conseguem passar pelo seu marcador e têm liberdade para conduzir a bola. (...) É por isso que o PSG, nos últimos dois ou três anos, tem sido o melhor time, porque eles têm jogadores que vencem seus marcadores no um contra um — refletiu o italiano em entrevista coletiva.

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O Manchester City se prepara para um novo capítulo. Não só saiu o seu comandante, mas ídolos como Rodri e Bernardo Silva. O recomeço será com um elenco repleto de dribladores, mas não necessariamente um rompimento com o sistema tão vencedor na última década. As milhões de libras investidas comprovam: o clube acredita que o futuro do futebol seja dos dribladores. Mas talvez dos que executem sua arte na hora certa e lugar certo.

Técnico do Manchester City, Enzo Maresca observa jogo contra o Arsenal, pela Supercopa da Inglaterra
Enzo Maresca, novo técnico do Manchester City, observa jogo contra o Arsenal, pela Supercopa da Inglaterra (Foto: Glyn Kirk / AFP)

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O elenco de Enzo Maresca:

Reforços:

JogadorIdadePosiçãoQuantia paga

Enzo Fernández

25

Meio-campista

€ 145 milhões

Elliot Anderson

23

Meio-campista

€ 135 milhões

Ayyoub Bouaddi

18

Meio-campista

€ 95 milhões

Iliman Ndiaye

26

Atacante

€ 70 milhões

Allan

22

Atacante

€ 37,5 milhões

Mathys Detourbet

19

Atacante

€ 25 milhões

Jeremy Monga

17

Atacante

€ 11,7 milhões

Gerónimo Rulli

34

Goleiro

€ 3,5 milhões

Pierce Charles

20

Goleiro

€ 3,5 milhões

Retornos de empréstimo:

JogadorIdadePosiçãoÚltimo clube

Vitor Reis

20

Zagueiro

Girona

Josh Wilson-Esbrand

23

Lateral

Radomiak Radom

Saídas:

JogadorIdadePosiçãoQuantia recebida

Sávio

22

Atacante

€ 87,7 milhões

Tijani Reijnders

28

Meio-campista

€ 61 milhões

Rodri

30

Meio-campista

€ 60 milhões

Nico González

24

Meio-campista

€ 56 milhões

James Trafford

23

Goleiro

€ 46,7 milhões

Manuel Akanji

30

Zagueiro

€ 15 milhões

Nathan Aké

31

Zagueiro

€ 8,17 milhões

Issa Kaboré

25

Lateral

€ 2,35 milhões

Bernardo Silva

31

Meio-campista

Custo zero

John Stones

32

Zagueiro

Custo zero

Juma Bah

20

Zagueiro

Empréstimo

Omar Marmoush

27

Atacante

Empréstimo

Jack Grealish

30

Meio-campista

Empréstimo

Claudio Echeverri

20

Meio-campista

Empréstimo

Jeremy Monga

17

Atacante

Empréstimo

Mathys Detourbet

19

Atacante

Empréstimo

Sverre Nypan

19

Meio-campista

Empréstimo

Max Alleyne

21

Zagueiro

Empréstimo

Pierce Charles

20

Goleiro

Empréstimo

Remanescentes:

  1. Goleiros: Gianluigi Donnarumma e Marcus Bettinelli;
  2. Defensores: Marc Guehi, Josko Gvardiol, Rúben Dias, Abdukodir Khusanov, Nico O'Reilly, Rayan Ait-Nouri, Matheus Nunes e Rico Lewis;
  3. Meio-campistas: Mateo Kovacic, Rayan Cherki e Phil Foden;
  4. Atacantes: Jeremy Doku, Antoine Semenyo e Erling Haaland.
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