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Análise: Cogitado por Trump na ONU, Infantino tem reeleição na Fifa em mãos

Apesar de rusga com Uefa, suíço tem base sólida para se manter no cargo atual

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
22/07/2026 15:33
Trump e Infantino se cumprimetam ao lado do troféu da Copa do Mundo, que será erguido por Espanha ou Argentina
Trump e Infantino se aproximaram durante organização da Copa do Mundo (Foto: Andrew Harnik/AFP)

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Apesar da relação próxima com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deseja vê-lo na secretaria-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Gianni Infantino teria poucos motivos para largar a presidência da Fifa e tentar uma nova função. Não somente em questão de salário, mas especialmente por trocar um cenário de reeleição praticamente garantida no ano que vem por uma tentativa em um universo desconhecido e que terá seu pleito já nos próximos meses.

A eleição na ONU já se inicia nas próximas semanas, quando o Conselho de Segurança começa a avaliar nomes que precisam ter pelo menos nove votos dos dez membros não permanentes e nenhum veto dos membros permanentes (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido). Esses possíveis candidatos são avaliados em reuniões e votações internas. Uma indicação única é enviada para homologação pela Assembleia Geral. 

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A informação de que Trump quer Infantino no cargo foi publicada pelo NY Post, e repercutiu na imprensa internacional. Se o mandatário americano de fato levar o nome para o Conselho, não se sabe até que ponto pode ganhar força entre os membros não permanentes, que incluem países com os quais as relações da atual administração americana não têm sido das mais amenas, caso da Colômbia e da Somália.

Ao lado de Infantino, Donald Trump recebe Prêmio Fifa da Paz
Ao lado de Infantino, Donald Trump recebe Prêmio Fifa da Paz (Foto: Stephanie Scarbrough/AFP)

A presença do país africano pode ser um entrave. Uma das maiores polêmicas da Copa do Mundo encerrada no último dia 19 foi a exclusão do árbitro somali Omar Artan, eleito o melhor da África em 2025. O país tem restrição total de viagens aos EUA, e o Departamento de Segurança Interna do país (DHS, na sigla em inglês para Department of Homeland Security) chegou a falar em relações com pessoas ruins, mas sem apresentar evidências. 

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O representante dos Estados Unidos para Parcerias Globais, Paolo Zampolli, afirmou ao NY Post que Infantino faria um grande trabalho à frente da ONU. A relação entre o suíço e o presidente americano vem se tornando cada vez mais próxima desde que a Fifa conheceu ao governante um Prêmio da Paz, após sua derrota no Nobel, fato que ensejou uma investigação sobre neutralidade política pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Aleksander Ceferin - Uefa
Aleksander Čeferin, esloveno presidente da Uefa (Foto: Predrag Milosavljevic / AFP)

E, se não bastar a desconhecida receptividade para a ideia de Trump nas Nações Unidas, há também uma diferença salarial a ser considerada. Os vencimentos anuais de Infantino na Fifa atingem US$ 4,8 milhões entre salários e bônus. Como secretário-geral da ONU, honorários e bonificações girariam em torno dos US$ 418 mil.

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A única força dentro do colegiado da Fifa contra Infantino é a Uefa, a poderosa confederação europeia. Mas, quando se diz Uefa, é bom ressaltar que se trata da própria entidade, e não necessariamente de todos os seus membros. O presidente Aleksander Čeferin não compareceu à final da Copa nos EUA e seria o nome para eventualmente confrontar Infantino no Congresso da Fifa em 18 de março de 2027, no Marrocos.

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A revogação da expulsão do atacante americano Balogun, permitindo que enfrentasse a Bélgica nas oitavas de final, fez com que a Uefa emitisse um comunicado afirmando que a Fifa "cruzou uma linha vermelha" e colocou a integridade da competição em risco. E começou a rusga. A Uefa também convocou Omar Artan para apitar a final da Supercopa, em agosto, entre PSG e Aston Villa.

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Organizações de direitos humanos criticaram a postura de Infantino em relação a Trump durante a Copa do Mundo e, em termos políticos, a imagem da Fifa saiu arranhada sob alegações de subserviência em diversos aspectos ao mandatário americano, permitindo comprometer a isonomia esportiva. No caso Balogun, por exemplo, Trump confirmou ao mundo ter ligado para o suíço a respeito da expulsão de Balogun pouco antes de uma decisão monocrática do Comitê Disciplinar da entidade revogar com agilidade ímpar o cartão vermelho. 

Porém, nem todos os membros da Uefa estão de acordo com a ideia de substituir Infantino. Alemanha até agora foi a federação de maior peso entre as que romperam com o suíço. Mas não é suficiente para abalar as possibilidades de reeleição. Infantino já tem o apoio da Conmebol, da CAF e da AFC que, juntas, já somam mais da metade do colégio eleitoral. 

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Balogun (Photo by JAMIE SQUIRE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Balogun foi pivô de polêmica na Copa do Mundo (Foto: Jamie Squire/Getty Images/AFP)<br>

O jornal britânico The Guardian publicou que mais de 200 federações continuam apoiando o atual presidente. E a aproximação com Trump também não deixa muita dúvida sobre quem a Concacaf apoiará, até porque os EUA já começam uma costura para receber novamente a Copa de 2038.

Este é outro ponto importante para Infantino, já que o torneio deste ano, realizado nos EUA, Canadá e México, trouxe resultados financeiros e de público muito superiores a qualquer edição anterior. A estimativa de receita em todo o ciclo de 2022 a 2026 é de US$ 13 bilhões, com US$ 8,9 bilhões de arrecadação só com a competição. O público pagante se aproximou dos sete milhões de torcedores. Resultados que reforçam a imagem interna de Infantino como gestor.

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A ampliação da competição para 48 seleções contribuiu, e muito, para estes números. A Conmebol usa o fato para tentar fazer seu pleito por aumento para 64 equipes, permitindo grupos completos na América do Sul na edição de 2030, decolar. Mas Uefa e Concacaf são contrárias à ideia, que já foi inicialmente descartada, apesar de Infantino sempre responder de forma polida, ou política, quando questionado sobre o tema. 

A próxima Copa do Mundo, antes de seguir nos países-sede principais — Espanha, Portugal e Marrocos —, terá jogos inaugurais na Argentina, Paraguai e Uruguai. A Conmebol desejava ver grupos inteiros disputados nessas localidades. Infantino não deve gastar capital político para enfrentar a Uefa nessa questão, nem se indispor com a aliada Concacaf.

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