Como os grandes clubes da Europa se adaptaram ao calendário mais exigente do futebol?

Expansão das competições levou clubes a reforçarem protocolos de recuperação e monitoramentos físicos

PorTiago Teixeira MendesRio de Janeiro (RJ)
22/07/2026 10:32

Supervisionado porNathalia Gomes,
Camavinga fazendo exames pelo Real Madrid
Camavinga fazendo exames pelo Real Madrid (Foto: Reprodução/X)

Enquanto gigantes do futebol europeu, como Real Madrid, Arsenal, Inter de Milão, Manchester City, Juventus e Brentford, iniciam os trabalhos para a temporada 2026/27, brasileiros que atuam nesses clubes retornam aos centros de treinamento diante de um desafio que se tornou ainda mais complexo nos últimos anos: conciliar desempenho, recuperação e prevenção de lesões em meio a uma agenda de competições cada vez mais extensa.

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A pré-temporada deixou de ser apenas um período de retomada física para se consolidar como uma etapa decisiva do planejamento esportivo.

A mudança acompanha a expansão do calendário internacional. O novo Mundial de Clubes, disputado pela primeira vez com 32 equipes, ampliou a carga competitiva dos clubes participantes, enquanto a Copa do Mundo de 2026 passou a reunir 48 seleções e 104 jogos, o maior torneio da história da competição. Somadas às ligas nacionais, aos torneios continentais e aos compromissos com as seleções, essas competições reduziram o intervalo entre temporadas e ampliaram a preocupação com o desgaste físico dos atletas.

Pré-temporada ganha importância diante do novo calendário

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Levantamento da plataforma "Player Workload Monitoring", desenvolvida pela FIFPRO em parceria com a "Football Benchmark", mostra que os atletas mais utilizados ultrapassam com frequência a marca de 60 partidas por temporada, além de enfrentarem longas viagens internacionais e períodos cada vez menores de recuperação. O estudo também aponta uma tendência de aumento da carga competitiva à medida que novas competições são incorporadas ao calendário internacional.

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O relatório reúne ainda um consenso de especialistas das áreas médica e de performance e recomenda salvaguardas mínimas para proteger a saúde dos atletas, entre elas um período de quatro semanas de descanso ao fim da temporada, seguido por outras quatro semanas de recondicionamento antes do retorno às competições.

– Atuar em um clube tão grande como a Inter faz o jogador perceber como cada detalhe da preparação faz diferença. Existe um acompanhamento muito próximo de toda a equipe de performance, desde os treinamentos até a recuperação. A pré-temporada é planejada para que a gente consiga suportar um calendário longo e intenso, então tudo é monitorado para reduzir o risco de lesões e manter um nível alto durante toda a temporada. É um trabalho que vai muito além do que acontece dentro de campo – afirma Luís Henrique, jogador brasileiro que defende a Inter de Milão.

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Luís Henrique em ação pela Inter de Milão, da Itália
Luís Henrique em ação pela Inter de Milão, da Itália (Foto: Reprodução/X)

O debate ganhou ainda mais força nos últimos meses. A FIFPRO intensificou as discussões sobre o calendário internacional junto à Fifa e voltou a defender parâmetros mínimos de descanso entre temporadas, argumentando que a expansão das competições precisa ser acompanhada por medidas capazes de preservar a saúde e o desempenho dos jogadores.

Como resposta, os clubes europeus ampliaram o investimento em departamentos multidisciplinares. Preparadores físicos, fisiologistas, nutricionistas, médicos e profissionais de performance passaram a atuar de forma integrada no controle da carga de treinamento, na recuperação muscular e na prevenção de lesões, utilizando tecnologias capazes de monitorar diariamente a condição física de cada atleta.

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Nesse contexto, a pré-temporada ganhou uma função ainda mais estratégica. Mais do que recuperar o condicionamento físico, o período passou a ser utilizado para reintroduzir os jogadores às exigências competitivas de forma gradual, respeitando diferentes níveis de desgaste acumulado ao longo da temporada e reduzindo os riscos de lesões antes mesmo do início das competições.

– A pré-temporada passou a ser muito mais estratégica. Com o calendário cada vez mais apertado, os clubes têm menos tempo para preparar os atletas e precisam equilibrar desempenho e prevenção de lesões. Hoje, mais do que treinar forte, é fundamental controlar a carga de trabalho de cada jogador. Esse monitoramento permite ajustar o planejamento de forma individualizada e garantir que a recuperação faça parte do próprio processo de treinamento, mantendo o atleta disponível e competitivo ao longo da temporada – afirma Marcos Adriano Gomes, fisioterapeuta esportivo e especialista pela "Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física" (Sonafe Brasil).

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Na prática, essa transformação já faz parte da rotina dos brasileiros que atuam em alguns dos principais clubes da Europa. Entre monitoramento constante da carga física, protocolos individualizados de recuperação e uma pré-temporada cada vez mais estratégica, eles mostram como a preparação evoluiu dentro dos centros de treinamento e de que maneira recuperar o corpo passou a ser tão importante quanto treinar em campo para enfrentar um calendário sem precedentes.

– O descanso é importante para a cabeça, mas o corpo tem que continuar em movimento. Mesmo nos dias de folga, seguimos uma rotina de treinos leves, controle de sono e alimentação. É um momento importante para recuperar as energias, mas também para voltar melhor preparado para o início da temporada – afirma o zagueiro Vitor Reis, ex-Palmeiras e atualmente no Manchester City.

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