TMJ prepara expansão no Brasil e vê país no centro do crescimento do futebol feminino
Agência especializada no futebol feminino prepara entrada oficial no Brasil, aposta no potencial das jogadoras brasileiras e projeta o país como um dos protagonistas do mercado global da modalidade

A TMJ Sports prepara sua entrada oficial no mercado do futebol feminino brasileiro. Fundada nos Estados Unidos, a empresa representa atletas de mais de 19 países e trabalha exclusivamente com jogadoras e profissionais da modalidade. No portfólio, há nomes como Luisa Agudelo, do San Diego Wave e da seleção colombiana, a joia Claudia Martínez, do Washington Spirit, e Daniela Arias, ex-Corinthians.
Para os próximos anos, a agência pretende ampliar sua atuação no Brasil, até o momento feita por intermediações em transferências internacionais, e vê o país como peça central no desenvolvimento global do futebol feminino. Até o momento, junto a parceiros como a Transfer Soccer e Arts Sports, participou de negociações envolvendo jogadoras brasileiras como as zagueiras Isa Haas e Mariza, além da atacante Aline Gomes.
Esta reportagem abre uma série especial do Lance! sobre o mercado de transferências no futebol feminino. Ao longo das próximas publicações, serão apresentados agentes, empresas e profissionais que atuam nas negociações de atletas, além de discutir o funcionamento desse mercado, seus desafios e as oportunidades que impulsionam o crescimento da modalidade.
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Início da TMJ
Os fundadores Guillermo Zamarripa e Oscar González se conheceram na universidade, em Nova York, e passaram a trabalhar no recrutamento de atletas para universidades norte-americanas. O contato com jogadoras do futebol universitário no país abriu caminho para o trabalho de gestão de carreira. O primeiro contrato profissional negociado por Zamarripa foi o da atacante mexicana Charlyn Corral, em 2014, quando ela deixou os Estados Unidos para atuar na Europa. A partir dali, outras atletas passaram a procurar a agência em busca de oportunidades no futebol profissional.
– Decidimos investir de verdade no futebol feminino. A história da TMJ é uma história de investimento, de acreditar no esporte e de ser paciente – afirmou Guillermo Zamarripa, em entrevista exclusiva ao Lance!.
Hoje, a agência possui cerca de 300 atletas em seu portfólio e mantém uma estrutura formada por 36 profissionais que trabalham exclusivamente com futebol feminino. Segundo Zamarripa, a especialização é um dos principais diferenciais do projeto.
Brasil no horizonte
O Brasil está nos planos da TMJ há anos. O brasileiro Vinícius Peron, que integra o projeto, contou que a intenção de atuar no país surgiu ainda durante um MBA realizado nos Estados Unidos, quando conheceu Zamarripa.
– Ele sempre falava para mim que o sonho dele era entrar no Brasil e ajudar as jogadoras brasileiras a terem melhores oportunidades. Agora, entendemos que é o momento certo para isso – disse.
Para a agência, o futebol feminino brasileiro ainda está longe de atingir seu potencial no mercado internacional. A expectativa da TMJ é que o país se torne o maior exportador de talentos do futebol feminino nos próximos anos.
– Visualizamos o Brasil como o maior exportador de talentos do mundo. Mesmo se a Copa do Mundo não acontecesse aqui, a nossa estratégia seria a mesma. Vamos investir no mercado porque acreditamos nele – afirmou Zamarripa.
A avaliação da agência é de que a jogadora brasileira reúne características que a tornam atrativa para diferentes mercados. Segundo Zamarripa, ligas como a norte-americana priorizam aspectos físicos, enquanto o futebol espanhol valoriza mais as questões técnicas e táticas. Na visão dele, as atletas brasileiras conseguem atender a diferentes perfis de clubes, o que amplia as possibilidades de transferência.
O crescimento do interesse do futebol mexicano pelas brasileiras também passa por esse cenário. A Liga MX Feminil, que nos últimos anos ampliou seus investimentos, tornou-se um destino cada vez mais frequente para atletas do Brasil.
– A Liga MX feminina não é apenas um degrau na carreira das jogadoras. Hoje é um mercado muito bem estabelecido, com calendário parecido com o brasileiro, proximidade cultural e capacidade financeira para pagar taxas de transferência – explicou Vinícius.
Copa do Mundo deve acelerar crescimento do futebol feminino
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil é vista pela agência como um fator capaz de acelerar o desenvolvimento do mercado nacional. A expectativa é de que o torneio aumente a visibilidade das atletas brasileiras e impulsione as negociações internacionais.
– Os olhos do mundo estarão no Brasil durante esse período. Isso deve gerar mais transferências, mais vendas de atletas e acelerar o crescimento do futebol feminino brasileiro – disse Zamarripa.
Apesar do otimismo, a TMJ aponta desafios estruturais no futebol feminino nacional. Entre eles, estão a falta de investimento contínuo nas categorias de base e a ausência de maior transparência financeira por parte dos clubes. Segundo Vinícius Peron, poucos clubes brasileiros mantêm todas as categorias de formação no futebol feminino, o que cria um descompasso entre a quantidade de atletas formadas e a demanda do mercado internacional.
Ele destaca que muitas jogadoras ainda não têm acesso a informações suficientes sobre o próprio valor de mercado ou sobre as possibilidades de carreira disponíveis. Segundo Peron, a atuação da agência no Brasil não será restrita às negociações internacionais. O objetivo é oferecer suporte para que atletas e clubes tenham mais informações sobre o mercado e possam tomar decisões estratégicas ao longo da carreira.
– A gente não quer ser visto apenas como a agência que leva a atleta para fora. Queremos ajudar atletas e clubes a reduzirem esse gap de informação. O nosso papel é fazer com que a jogadora tome decisões conhecendo todas as cartas que ela tem na mão – afirmou.
Planos para os próximos meses
A TMJ informou que ainda finaliza os detalhes para anunciar oficialmente o início de suas operações no Brasil. A expectativa é formalizar a entrada no mercado nos próximos meses, embora a agência já participe de negociações envolvendo atletas brasileiras.
Em cinco anos, a meta da empresa é se consolidar como uma das agências de maior impacto no futebol feminino brasileiro. Para isso, pretende trabalhar em parceria com clubes, atletas e profissionais do mercado, além de investir em planejamento de longo prazo para as carreiras das jogadoras.
– Queremos fazer isso da maneira correta. Estar no mercado, construir relações e somar a nossa plataforma global ao crescimento do futebol feminino brasileiro – concluiu Zamarripa.
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