Conheça a zagueira Sofia Couto, promessa do Flamengo de 18 anos
Criada em uma família rubro-negra, zagueira do Flamengo relembra início no futsal, a aprovação em uma peneira do clube e os primeiros passos no profissional

Quando Sofia Couto fala sobre o início de sua história com o futebol, tem que citar sua família. Antes das convocações para as categorias de base da Seleção Brasileira, dos títulos e dos primeiros passos no elenco principal do Flamengo, a história começou dentro de casa, ao lado do pai e do irmão.
Foi com eles que a zagueira de 18 anos descobriu o esporte que hoje ocupa praticamente toda a sua rotina. Nascida e criada no Grajaú, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, Sofia cresceu em uma família apaixonada pelo Flamengo e passou boa parte da infância entre jogos no Maracanã e partidas de futsal, modalidade na qual deu os primeiros passos como atleta.
— Eu comecei com o meu irmão. Sempre falo isso e sempre vou falar. Foi meu irmão e o meu pai que me levaram para esse mundo do futebol. Toda a minha carreira antes do Flamengo foi no futsal. Jogava escolinha, campeonatos regionais e vivia esse ambiente desde criança.
O futebol de campo surgiu mais tarde, aos 14 anos, quando ela procurou uma equipe feminina. A mãe encontrou uma peneira do Flamengo, e a jovem que até então estava acostumada às quadras precisou aprender praticamente tudo do zero.
— Eu não jogava campo, não fazia ideia de como era. Não sabia dominar a bola no campo, era só futsal, usando a sola. Aí comecei no Flamengo e estou aqui desde então.
A identificação com o clube, porém, já existia muito antes da primeira avaliação.
— Sou flamenguista desde o berço. Meu pai tem tatuagem do Flamengo, de Libertadores. Ir ao Maracanã com ele e com meu irmão era rotina. O Flamengo sempre foi muito especial na minha vida.
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Curiosamente, a posição que hoje ocupa dentro de campo também nasceu por acaso. Como acontece com muitas meninas que chegam ao futebol vindas do futsal, Sofia gostava de atuar mais avançada. Mas a falta de defensoras durante a peneira acabou mudando o rumo da história.
— Eu queria jogar aberta, gostava de correr, de atacar. Mas tinha muita atacante e nenhuma zagueira. Acabei ficando ali atrás. Falaram que eu era alta, tinha velocidade e força, então comecei a jogar na defesa.

A transição para o profissional
Nos últimos meses, Sofia passou a viver uma rotina dividida entre as categorias de base e o elenco principal do Flamengo. Em meio a jogos decisivos do Brasileiro Sub-20 e compromissos da equipe profissional, a defensora começou a experimentar de forma mais constante a transição para o mais alto nível do clube.
A mudança trouxe desafios, mas também confirmou expectativas que ela alimentava havia bastante tempo.
— Eu estava muito ansiosa por esse momento. Desde o ano passado já vinha treinando algumas vezes com o profissional e sempre senti muita diferença de ritmo, de experiência e de comunicação. As jogadoras falam o tempo todo, os passes são mais firmes, tudo acontece mais rápido.
Para lidar com essa nova fase, Sofia encontrou inspiração em um dos jogadores que mais admira: o zagueiro português Rúben Dias. Uma entrevista do defensor chamou sua atenção e passou a servir como referência para a forma como encara cada etapa da carreira.
— Vi ele falando que tratava cada fase da carreira como um novo ciclo. Quando subiu para o profissional, deixou para trás tudo o que tinha conquistado na base. Estou tentando fazer isso também. Quando estou no profissional, foco totalmente ali. Se precisar voltar para a base, volto para ajudar e depois penso no próximo passo novamente.
A adaptação também tem sido facilitada pela convivência com atletas que passaram recentemente pelo mesmo processo. Dentro do elenco principal, Sofia destaca a ajuda constante de companheiras que servem como referência para quem está chegando.
— A Núbia conversa muito comigo porque ela viveu essa transição no Flamengo. A Thaísa fala bastante, a Ju Ferreira também. Tem ainda a Mariana, a Letícia, a Kaylane, a Brenda. Todas ajudam muito e isso facilita porque elas entendem exatamente o que estamos vivendo.
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Referências dentro e fora do Brasil
Apesar da pouca idade, Sofia já tem referências bem definidas para moldar o próprio estilo de jogo. No futebol feminino, acompanha de perto as atuações de Tarciane, uma das principais zagueiras da seleção brasileira.
— Eu gosto muito do estilo da Tarciane. Ela é muito forte nos duelos individuais e isso é algo que eu gosto também. Sempre procuro assistir aos jogos da seleção.
No futebol masculino, a inspiração continua sendo Rúben Dias, tanto pela qualidade técnica quanto pela forma como conduz a carreira.
— Eu sinto que o nosso jogo tem algumas características parecidas. Mas o que mais gosto nele é a mentalidade.

Seleção brasileira e o sonho de uma nova Copa do Mundo
Além de ganhar espaço no Flamengo, Sofia também faz parte de uma geração considerada promissora dentro das seleções de base do Brasil. Recentemente, esteve com a equipe sub-20 em amistosos realizados em Portugal e segue na disputa por uma vaga na Copa do Mundo da categoria, que será disputada na Polônia.
Para ela, os períodos de convocação representam uma experiência diferente da vivida nos clubes. Com pouco tempo de preparação e muito conteúdo para absorver, as atletas precisam acelerar o processo de adaptação.
— Sempre são dias muito intensos. A gente tem pouco tempo para aprender muita coisa e criar entrosamento. Isso faz com que os jogos também sejam intensos. Dentro de campo, estamos sempre tentando lembrar tudo o que foi trabalhado nos treinamentos.
A convivência com a técnica Camila Orlando é outro ponto frequentemente citado pela defensora. Segundo Sofia, uma das principais características da treinadora é incentivar o crescimento das atletas dentro e fora do futebol.
— A Camila fala muito sobre ser uma atleta forte, mas também uma mulher forte fora do campo. Ela conversa bastante com a gente e dá liberdade para que todas participem. Isso ajuda muito no estilo de jogo que ela quer implementar.
A possibilidade de disputar mais uma Copa do Mundo de base mexe com a imaginação da jogadora. Em 2024, ela esteve no Mundial Sub-17 e guarda lembranças marcantes daquele torneio.
— Quando visitamos o estádio antes do primeiro jogo, estava todo mundo tremendo. Você vê aquele ambiente de Copa do Mundo, tudo organizado pela Fifa, e sente algo diferente. Não espero nada menos do que isso novamente. É uma emoção muito grande.
Mais do que os estádios ou o ambiente internacional, o que mais atrai Sofia é o nível de competitividade.
— Eu gosto dessa sensação de saber que cada partida é uma final. Que todos os jogos têm um peso enorme. Isso é muito legal para quem gosta de competir.
Sonho de jogar na Europa
Enquanto trabalha para se firmar definitivamente no elenco profissional do Flamengo, Sofia já projeta objetivos para os próximos anos. O primeiro deles é consolidar sua posição no clube que defende desde os 14 anos. Depois, pensa em um desafio ainda maior: atuar no futebol europeu.
— Primeiro quero concretizar minha subida para o profissional do Flamengo. Depois sonho muito em jogar fora do Brasil. Tenho muita vontade de jogar na Inglaterra. Manchester City é um clube que gosto bastante. Espanha também. Quero viver outras culturas, conhecer outras formas de jogar futebol e aprender com isso.

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