Por que os árbitros brasileiros vão bem na Copa do Mundo e no Brasil não?
Wilton Pereira Sampaio, Raphael Claus e Ramon Abatti Abel estão no torneio

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Os brasileiros Wilton Pereira Sampaio, Ramon Abatti Abel e Raphael Claus estão entre os árbitros responsáveis por apitar os jogos da Copa do Mundo de 2026. Os profissionais já apitaram grandes confrontos neste Mundial e, inclusive, a cerimônia de abertura da competição. No entanto, a partir de seus desempenhos no torneio, um questionamento fica no ar: por qual motivo eles fazem um bom papel em jogos fora do Brasil e em solo nacional são tão criticados?
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Os três representantes do Brasil na Copa do Mundo não têm recebido muitas críticas pelas atuações. Wilton Pereira Sampaio foi o juiz principal do primeiro jogo do torneio entre México e África do Sul e, apesar de expulsar três jogadores, já foi escalado pela Fifa para apitar Noruega x Senegal. Ramon Abatti Abel, no confronto entre Bélgica e Egito, e Raphael Claus, em Espanha x Arábia Saudita, passaram despercebidos e não se envolveram em polêmicas.
Quando apitam jogos do futebol brasileiro, estes árbitros recebem outras avaliações. Reclamações relacionadas à má fluidez das partidas, cartões excessivos e pouca autoridade são algumas das ponderações feitas aos seus trabalhos.

Apitar a Copa do Mundo é mais fácil que o Brasileirão?
Em entrevista ao Lance!, na série Vozes da Copa, Nadine Basttos falou sobre a qualidade dos profissionais e apontou as diferenças de apitar um torneio como a Copa do Mundo e o Brasileirão. Além disso, comentou sobre melhorias a serem feitas, já que em competições internacionais o respeito é maior que nas nacionais.
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— A pressão é muito grande. Também existe um trabalho de educação a ser feito. Em competições internacionais, principalmente em eventos Fifa, existe um respaldo maior e respeito sobre a arbitragem. Vão falar: "É mais fácil trabalhar na Copa do que no Brasileirão?". Talvez sim — iniciou a especialista.
— Pelo respeito e tranquilidade dos árbitros em tomarem uma decisão. Aqui no Brasil, tem uma pressão muito grande, então sempre há tensão. Principalmente em grandes clássicos. Então, isso chega dentro de campo. O Ramon Abatti Abel foi bem no Mundial de Clubes (2025), mas, quando voltou, foi criticado — concluiu.
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A comentarista de arbitragem também destacou a experiência dos árbitros brasileiros e a visão da Fifa sobre as capacidades deles. Nadine apontou Wilton como possível nome para final do torneio.
— Ter três árbitros representando o Brasil na Copa do Mundo é algo que mostra o reconhecimento da Fifa e da Conmebol. É claro que criticamos muito a arbitragem em lances polêmicos de competições nacionais, mas, internacionalmente, eles são bem conhecidos. Isso é um sinal de que a arbitragem brasileira é bem vista lá fora — iniciou Nadine Basttos, antes de completar.
— O Wilton Pereira Sampaio está indo para a sua terceira Copa do Mundo. Isso mostra que ele é competente. A gente critica muito, mas não só ele; os três estão preparados para este palco. São três representantes; poucos países são capazes de ter essa marca. Ele tem a maior experiência. Então, acho que, por isso, tendo a Fifa, que gosta destas questões de hierarquia, poderia escolher ele para uma final — concluiu.
Bom desempenho no Mundial de Clubes
Segundo os ex-árbitros e comentaristas Carlos Eugênio Simon e Salvio Spinola, ouvidos pelo Lance!, durante o Mundial de Clubes em 2025, razões estruturais e de contexto explicam por que profissionais que se destacam em torneios internacionais sofrem tantas críticas quando atuam no futebol brasileiro. Os especialistas utilizaram exemplos da competição de clubes realizada no ano passado, em que Wilton e Ramon também apitaram.
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— A arbitragem brasileira é uma arbitragem competente. O que salienta uma comissão dessas é a tranquilidade e o apoio que ela dá para você. São vários seminários, palestras, encontros… Eles te dão toda a tranquilidade para você exercer a arbitragem na sua plenitude — iniciou Simon.
— O respeito dos jogadores é maior (fora do Brasil). O público também é mais tranquilo. Os jogadores se preocupam porque querem jogar todos os jogos. Tem o risco de suspensão, então evitam reclamações. O Ramon Abatti expulsou o zagueiro do Real Madrid no início do jogo. Sem usar o VAR como bengala. No Brasil, o árbitro titubeia porque sabe que o VAR vai intervir. Lá, não. Lá ele teve personalidade e foi correto — elogiou Simon.
Segundo Salvio, alguns contextos das competições internacionais fazem diferença, principalmente em relação ao comportamento dos jogadores.
— Os jogadores querem jogar todos os jogos. Dois cartões tiram o cara da próxima partida. Então eles pensam duas vezes antes de reclamar ou fazer falta desnecessária. Isso ajuda muito no controle da partida — destacou.
Próximos jogos dos árbitros brasileiros na Copa do Mundo
Os próximos jogos da Copa do Mundo que terão árbitros brasileiros no comando serão Noruega e Senegal nesta segunda-feira (22), às 21h (de Brasília), e Suíça e Canadá na próxima quarta-feira (24), às 16h (de Brasília). A arbitragem estará sob responsabilidade de Wilton Pereira Sampaio e Ramon Abatti Abel, respectivamente.
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