Opinião: Em um mês, Globo perdeu o que cultivou por décadas

Emissora viu concorrentes ganharem espaço no Mundial

PorLeonardo DamicoRio de Janeiro (RJ)
21/07/2026 06:10
Globo na Copa do Mundo
Central da Copa foi ao ar nas noites da Globo na TV aberta (Foto: Divulgação/Globo)

A Copa do Mundo de 2026 foi uma grande lição para a TV Globo. Não se abre mão dos direitos de transmissão de um torneio dessa magnitude. A empresa perdeu não só metade dos jogos, mas também aquilo que construiu nas últimas décadas: o hábito.

Durante anos, a Globo fez uma cobertura completa da competição, tanto na TV aberta, quanto no Sportv. A emissora era sinônimo de Copa do Mundo, e o público foi acostumado a pensar desta forma. Você ligava a TV, e num processo quase intuitivo, sintonizava na Globo.

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Sem a totalidade dos jogos, a Globo entregou de bandeja o público para a CazéTV, que cativou parte do público. Eu mesmo, que em outras edições de Copa deixava a TV no Sportv o dia inteiro, me peguei fazendo o mesmo com o canal de Casimiro Miguel em 2026.

Até mesmo os que tinham críticas à CazéTV se viram obrigados a assistir aos jogos no canal. Quem não gostava, seja pelo estilo informal ou por outro motivo, foi convidado pela Globo a acompanhar os jogos no canal de Casimiro. Estes, podem ter mudado de opinião.

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É justo dizer também que a Globo também sofreu com uma importante baixa. Principal narrador da emissora, Luis Roberto foi ausência no torneio por conta do tratamento de uma doença. E aqui não é uma crítica ao Everaldo Marques, que é um grande profissional, mas sim outro ponto que reforça a questão do hábito do público, já acostumado com Luis após a saída de Galvão Bueno.

E falando em Galvão, a Globo ainda levou outro duro golpe. O lendário narrador realizou a cobertura da Copa pelo SBT, levando com ele parte do público fiel que, por hábito, acompanhava as transmissões do locutor na emissora carioca. O resultado foi uma divisão maior da fatia na TV aberta, com ótimos números conquistados pelo canal da família Abravanel.

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Ainda na TV aberta, a Globo errou na condução do tradicional "Central da Copa". Neste ano, o programa apresentado por Fábio Porchat e Tadeu Schmidt foi bastante criticado por torcedores nas redes, e com razão. A atração misturou opinião, informação, humor (ou a falta dele) e uma tentativa frustrada de descontração, que em nada se pareceu com as edições das últimas Copas.

No Sportv, a cobertura também não se pareceu com o que já foi nos últimos anos. Além da falta dos jogos, os programas pareceram esvaziados pela falta de imagens da metade da Copa a que não tinha direito. Se viu muita conversa entre ex-jogadores, com poucos jornalistas, diferente da concorrência, que equilibrava mais o debate.

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O programa "Seleção Copa" foi o maior exemplo, com André Rizek no comando do papo, cercado sempre por três ex-jogadores. Um momento, no mínimo constrangedor, foram as palmas desnecessárias puxadas na atração, com todos os integrantes de cara fechada, aplaudindo situações como a vitória da Argentina sobre a Inglaterra.

Com todos esses fatores na balança, esse comportamento do público de associar a Copa do Mundo à Globo deixou de existir nesta edição. E a depender do resultado da negociação dos direitos do próximo Mundial, esse costume pode nunca mais voltar ao que era antes.

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*Este texto não representa, necessariamente, a opinião do Lance!

Elenco do "Seleção Copa", principal programa do SporTV durante o torneio (Foto: Divulgação/Globo)
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