Taça Libertadores

Fim da Copa Libertadores na "Globo"? Emissora enviou pedido de rescisão, mas pode renegociar valores (Foto: Alexandre Vidal / Flamengo)

Matheus Costa*
06/08/2020
20:02
Rio de Janeiro (RJ)

A "Globo" tentou renegociar o contrato dos direitos de transmissão da Copa Libertadores com a Conmebol, mas não chegou a um acordo com a entidade do futebol sul-americano. Por isso, a emissora enviou uma carta pedindo a rescisão contratual nesta quinta-feira. A informação foi publicada pelo "UOL" e confirmada pelo LANCE!.

O grande impasse da questão é o valor do dólar de quando o contrato foi fechado. O valor anual do acordo é de 65 milhões de dólares, que com a cotação da época em R$ 3,88, custaria aos cofres da emissora cerca de R$ 252 milhões. Entretanto, com o dólar em R$ 5,33, o valor saltou para cerca de R$ 346 milhões.

Com a pandemia do Covid-19, a emissora adotou uma postura de corte de custos e renegociou alguns contratos de direitos televisivos. Com a FIFA, por exemplo, o canal obteve a suspensão do pagamento as parcelas da Copa do Mundo. Entretanto, a Conmebol nem sequer considerou renegociar os valores vigentes em contrato.

Ainda não há uma certeza sobre o futuro da Globo com o pedido de rescisão, já que a emissora pode tentar renegociar o acordo por um valor reduzido, já que possui um poder econômico mais acentuado do que os outros canais brasileiros.

Em nota, a "Globo" esclareceu que buscou viabilizar novos acordos com a Conmebol em relação aos direitos de transmissão da Libertadores, visto que o campeonato estava paralisado. Com a ausência de uma extensão de contrato, a emissora resolveu partir para a rescisão.

O comunicado ainda esclarece que existe a intensão da "Globo" em seguir com a parceria, contudo, apenas com uma nova readequação ao momento financeiro brasileiro com a pandemia de coronavírus.

Leia a nota emitida pela emissora nesta sexta-feira:
"Diante do cenário extremamente desafiador provocado pela crise econômica e potencializado pela pandemia de COVID-19, a Globo vem fazendo uma revisão completa de seu portfólio de direitos. Nesse contexto, e tendo em vista a suspensão daquela competição por vários meses, a empresa tentou renegociar com a Conmebol o contrato da Libertadores, válido até 2022, mas infelizmente não houve acordo. Assim, não restou alternativa à Globo a não ser rescindir o contrato. Grandes players mundiais têm sido obrigados a renegociar seus acordos sobre eventos esportivos em razão da crise econômica provocada pela COVID-19, que, no Brasil, ainda é acentuada pela desvalorização cambial, que multiplica o valor dos contratos em dólar. Como principal competição de clubes das Américas, a Libertadores continua sendo importante para a Globo. No entanto, para que sua transmissão seja viável e satisfatória para todas as partes envolvidas, ela precisa se adequar à nova realidade mundial dos direitos esportivos e à situação econômica vivida pelo país. Por fim, é importante esclarecer que havia no contrato cláusula específica de rescisão em caso de suspensão da competição por períodos prolongados, por motivo de força maior".

*Estagiário, sob supervisão de Tadeu Rocha.