Flamengo se vê como plataforma global de entretenimento e coloca Netflix e Disney entre concorrentes

Um dos responsáveis pela pasta de marketing do clube, Marcos Senna deixa rivais futebolísticos fora do jogo e aposta na economia da atenção para crescer

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
11/06/2026 07:00
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Muito além dos resultados em campo, o Flamengo passou a enxergar seu negócio como uma plataforma de geração e monetização de emoções. Marcos Senna, diretor comercial e de marketing do clube, durante palestra no Web Summit Rio, detalhou como o Rubro-Negro estrutura suas receitas, redefine sua relação com o torcedor e projeta sua expansão internacional.

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Ao longo da apresentação, Senna argumentou que o Flamengo deixou de se enxergar apenas como um clube de futebol para se posicionar como uma instituição capaz de criar vínculos emocionais em escala. Na visão do dirigente, é justamente essa capacidade que sustenta as estratégias comerciais, fortalece a geração de receitas e orienta o plano de crescimento global da marca.

O Flamengo vende emoção e monetiza o 'otimismo' do torcedor

Ao explicar como o clube passou a enxergar seus próprios produtos, Marcos Senna afirmou que o principal ativo do Flamengo não é o estádio, a tecnologia ou sequer sua torcida, mas a capacidade de gerar emoções.

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— Na nossa visão, o ativo mais valioso de um clube de futebol numa economia digital é a capacidade de gerar emoção em escala, é a capacidade de escalar o vínculo emocional."

Segundo o dirigente, essa lógica muda completamente a forma de interpretar produtos tradicionalmente associados ao futebol. Em um dos momentos da palestra, ele provocou a plateia ao questionar se o clube realmente vende ingressos ou sentimentos. O exemplo mais emblemático apresentado foi o programa de sócio-torcedor.

— Então, a gente está vendendo ingresso ou a gente está vendendo todos esses sentimentos, todas essas emoções? O nosso sócio-torcedor, a gente está monetizando o otimismo desse torcedor."

Marcos Senna, dirigente do Flamengo (Foto: Lucas Bayer/Lance!)
Marcos Senna, dirigente do Flamengo (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

Netflix, Disney e TikTok: os novos concorrentes do Flamengo

A partir dessa visão de negócio, Senna afirmou que o Flamengo passou a redefinir também quem considera seus principais concorrentes. Na economia digital, segundo ele, a disputa já não se restringe aos rivais esportivos, mas inclui empresas que competem diariamente pela atenção e pelo tempo do consumidor.

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— Quem é que está competindo conosco em buscar a atenção do consumidor, ser relevante com ele, criar um vínculo emocional? São esses gigantes da economia digital. Então, quando a gente olha para o nosso negócio, quem são os concorrentes do Flamengo hoje? É o Corinthians, é o Vasco, é o Fluminense ou é a Netflix, a Disney, o TikTok, o Instagram?"

Apesar da disputa pela atenção do público, o dirigente ressaltou que existe também uma relação de cooperação com essas plataformas, citando como exemplos a "FlamengoTV" no YouTube, que reúne um pouco mais de 8 milhões de inscritos, e parcerias para ativações e divulgação de conteúdos produzidos por empresas como Netflix e Disney. Segundo ele, essa estratégia busca consolidar o clube como uma plataforma de entretenimento e relacionamento.

— Estamos competindo, mas estamos cooperando. Ainda bem que eles estão cooperando. Se a gente estivesse só competindo, a gente estava ferrado."

Da venda de ingressos aos 110 profissionais: a transformação do marketing e das receitas

Marcos Senna, que está no Rubro-Negro desde 2021, aproveitou para detalhar como o departamento de marketing do Flamengo mudou de perfil nos últimos anos. Segundo ele, o modelo tradicional dos clubes era baseado praticamente em três pilares: comercialização de ingressos, negociação dos patrocínios da camisa e contratos de televisão.

— Você entrava ali no marketing, tinha lá cinco, seis, oito colaboradores, que tinham basicamente três funções: vender ingressos para o jogo seguinte, vender os patrocínios na camisa e, a cada 10 anos, mais ou menos, assinavam um contrato com a Globo. Hoje o Flamengo não tem 10 funcionários nessas áreas de negócio, tem 110. (…) A gente consegue ir ao mercado e ser percebido como uma organização capaz de pegar uma audiência gigantesca e transformá-la em negócio."

Ele também afirmou que o crescimento recente das receitas comerciais não ocorreu por aumento do número de patrocinadores ou da audiência televisiva, mas pela capacidade de o clube gerar mais valor para seus parceiros.

— A camisa do Flamengo hoje gera quatro vezes ou quatro vezes e meia mais do que gerava há cinco anos atrás, e não tem mais patrocinadores na camisa, e a audiência da Globo não aumentou. Então, onde é que está a mágica? Está exatamente entendendo como fazer o negócio."

O plano para transformar milhões de torcedores em bilhões de simpatizantes

Na reta final da palestra no Riocentro, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, Senna apresentou o projeto de internacionalização da marca Flamengo. Segundo ele, a expansão territorial passa por tecnologia, inteligência artificial e adaptação cultural, inspirada em grandes referências globais do esporte.

— A gente tem um presidente que falou que quer que o Flamengo seja o Real Madrid das Américas (...) A emoção não tem passaporte. Nós somos hoje milhões de torcedores, queremos ser no futuro bilhões de simpatizantes."

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