Maior artilheiro em mata-mata das Copas, Mbappé supera nomes históricos; veja
Francês vai atrás de outros recordes nesta Copa

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A Copa do Mundo costuma transformar jogadores em personagens definitivos da história do futebol. É nesse território de máxima pressão que nasce a hierarquia dos grandes artilheiros dos mata-matas. A cada edição, a lista ganha novos capítulos, embora poucos consigam alterar seu topo. Na Copa de 2026, Kylian Mbappé fez exatamente isso. Com os dois gols marcados sobre a Suécia, nas oitavas de final, o francês chegou a dez gols em partidas eliminatórias e se tornou o maior goleador da história dos mata-matas dos Mundiais, ultrapassando dois brasileiros que durante décadas ocuparam o posto: Ronaldo Fenômeno e Leônidas da Silva. O feito amplia uma carreira que já reúne um título mundial, um vice-campeonato e números que o colocam entre os maiores atacantes que a competição já viu.
Mbappé - 10 gols
A ascensão de Mbappé impressiona pela regularidade. Aos 27 anos, disputando apenas sua terceira Copa do Mundo, ele já soma dez gols em nove partidas de mata-mata.
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Em 2018, participou diretamente da campanha do título francês ao marcar duas vezes na eletrizante vitória por 4 a 3 sobre a Argentina, nas oitavas de final, e voltar a balançar as redes na decisão contra a Croácia. Quatro anos depois, repetiu o protagonismo ao fazer dois gols diante da Polônia e protagonizar uma das maiores atuações individuais da história das finais, com um hat-trick diante da Argentina.
Nesta edição, iniciou a campanha com dois gols sobre o Senegal, repetiu a dose diante do Iraque, passou em branco contra a Noruega e voltou a decidir nas oitavas com mais dois gols contra a Suécia. Além de assumir isoladamente a liderança entre os artilheiros dos mata-matas, também chegou a 18 gols em Copas do Mundo, ultrapassando Miroslav Klose e ficando atrás apenas de Lionel Messi, que soma 19. A marca confirma uma característica rara: quanto maior o peso do jogo, maior costuma ser sua influência.
Leônidas da Silva: 8 gols
Durante muitos anos, o nome que simbolizou esse tipo de protagonismo foi Leônidas da Silva. Em uma época em que não existia fase de grupos e toda partida tinha caráter eliminatório, o atacante brasileiro construiu uma média que permanece entre as maiores da história.
Foram oito gols em apenas cinco jogos decisivos, desempenho equivalente a 1,6 gol por partida. Na Copa de 1934, marcou o único gol brasileiro na derrota por 3 a 1 para a Espanha, resultado que eliminou a seleção logo na estreia. Quatro anos depois, consolidou definitivamente seu lugar entre os maiores jogadores do futebol mundial ao balançar as redes sete vezes em quatro confrontos.
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A caminhada começou com três gols na inesquecível vitória por 6 a 5 sobre a Polônia, prosseguiu com um gol no empate por 1 a 1 diante da Tchecoslováquia e outro no jogo de desempate vencido por 2 a 1, antes de fechar sua participação com dois gols sobre a Suécia, na disputa pelo terceiro lugar. Considerado por muitos o inventor da bicicleta e um dos primeiros grandes ídolos internacionais do futebol, Leônidas colocou o Brasil entre as principais forças da modalidade quando a Copa do Mundo ainda dava seus primeiros passos.
Ronaldo: 8 gols
Ronaldo transformou o protagonismo em sinônimo de decisão durante a era moderna. O Fenômeno disputou quatro Copas entre 1994 e 2006 e marcou oito gols em dez partidas eliminatórias, média de 0,8 por jogo. Em 1998, iniciou sua trajetória decisiva com dois gols sobre o Chile, nas oitavas de final, e voltou a marcar na semifinal diante da Holanda.

A campanha terminou com o vice-campeonato depois da derrota para a França, embora sua presença naquela decisão tenha sido marcada pelo episódio da convulsão horas antes da partida. Quatro anos depois, protagonizou uma das maiores campanhas individuais já vistas em um Mundial.
Artilheiro da Copa de 2002 com oito gols, marcou quatro deles justamente no mata-mata: abriu caminho contra a Bélgica, decidiu a semifinal diante da Turquia e escreveu seu capítulo mais memorável ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha na final de Yokohama, garantindo o pentacampeonato brasileiro. Em sua despedida dos Mundiais, em 2006, ainda deixou sua marca nas oitavas de final diante de Gana. Dos 15 gols que anotou em Copas do Mundo, mais da metade surgiu justamente quando a margem para o erro havia desaparecido.
Fontaine: 7 gols
Poucos jogadores conseguiram uma explosão estatística comparável à de Just Fontaine. A diferença é que o francês concentrou praticamente toda sua obra em um único torneio. Na Copa de 1958, disputada na Suécia, marcou 13 gols, recorde absoluto em uma única edição da competição que permanece intacto mais de seis décadas depois. Desses, sete aconteceram em apenas três partidas eliminatórias, média extraordinária de 2,33 gols por jogo.
A França terminou o torneio na terceira colocação, enquanto Fontaine deixou um legado que atravessou gerações sem jamais ser ameaçado de forma concreta. Seu desempenho permanece como um dos maiores feitos individuais já registrados em qualquer Copa do Mundo, resultado de uma combinação rara entre eficiência, mobilidade e capacidade de aparecer nos momentos mais decisivos.
Vavá: 7 gols
Outro brasileiro que transformou finais em palco favorito foi Vavá. Conhecido pelo apelido de "Peito de Aço", o centroavante artilheiro participou diretamente dos dois primeiros títulos mundiais conquistados pelo Brasil e marcou sete gols em cinco partidas eliminatórias, média de 1,4 por jogo. Em 1958, fez três gols nas duas partidas mais importantes da campanha, incluindo um na final contra a Suécia. Quatro anos depois, voltou a ser decisivo no Chile. Com Pelé lesionado, Vavá assumiu parte da responsabilidade ofensiva da equipe e marcou quatro vezes em três confrontos eliminatórios. Um dos gols saiu justamente na vitória por 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia, na decisão que confirmou o bicampeonato brasileiro. Ao todo, nove de seus 15 gols pela Seleção aconteceram em Copas do Mundo, evidência de um atacante cuja produção aumentava proporcionalmente à importância da partida.
Nejedlý: 7 gols
A história das Copas também reserva espaço para nomes menos lembrados pelas novas gerações, embora seus números permaneçam entre os maiores já registrados. É o caso do tchecoslovaco Oldřich Nejedlý, autor de sete gols em seis partidas de mata-mata. Em 1934, conduziu a Tchecoslováquia ao vice-campeonato e terminou como artilheiro daquele Mundial ao marcar cinco vezes em quatro jogos eliminatórios. Quatro anos depois, voltou a balançar as redes duas vezes na campanha de 1938, encerrando sua trajetória com média superior a um gol por jogo em confrontos decisivos. Principal nome do Sparta Praga durante a década de 1930, Nejedlý conquistou quatro campeonatos nacionais e entrou definitivamente para a história ao liderar uma das campanhas mais marcantes já realizadas por seu país em Copas do Mundo.
Pelé: 7 gols
Embora não apareça no topo do ranking, Pelé talvez seja o personagem mais emblemático entre todos os grandes artilheiros de mata-mata. O Rei marcou sete gols em seis partidas eliminatórias, média de 1,17 por jogo, distribuídos ao longo de quatro Copas do Mundo. A maior parte dessa produção aconteceu em 1958, quando, aos 17 anos, deslumbrou o planeta ao anotar seis gols nos três compromissos decisivos da campanha do primeiro título brasileiro. Nas quartas de final, marcou o gol da vitória sobre o País de Gales. Na semifinal, fez um hat-trick diante da França.
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Na decisão contra a Suécia, voltou a balançar as redes duas vezes, encerrando uma das campanhas individuais mais impressionantes já realizadas por um adolescente no esporte de alto rendimento. Em 1970, acrescentou mais um gol em mata-mata durante a caminhada rumo ao tricampeonato, consolidando uma trajetória que o transformaria no único jogador tricampeão mundial da história. Seus sete gols eliminatórios representam apenas uma parte do legado construído por quem redefiniu os limites do futebol.

Eusébio: 6 gols
Eusébio escreveu uma campanha quase irretocável em 1966. O atacante português disputou apenas uma Copa do Mundo, embora tenha deixado uma marca que atravessa gerações. Foram nove gols em seis partidas, seis deles em apenas três confrontos eliminatórios, média de dois por jogo. O momento mais memorável ocorreu nas quartas de final contra a Coreia do Norte. Portugal perdia por 3 a 0 quando Eusébio assumiu o controle da partida e marcou quatro vezes na virada por 5 a 3, uma das maiores reações já vistas em um Mundial. Nas semifinais voltou a balançar as redes, ainda que não conseguisse impedir a derrota para a Inglaterra, anfitriã daquela edição. Fechou sua participação com mais um gol na vitória sobre a União Soviética, que garantiu o terceiro lugar aos portugueses. Artilheiro isolado da competição, deixou a Inglaterra com a Chuteira de Ouro e um dos desempenhos individuais mais extraordinários já registrados em uma Copa.
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György Sárosi: 6 gols
Muito antes da geração de Ferenc Puskás, a Hungria já possuía um atacante capaz de decidir partidas grandes. György Sárosi marcou seis gols em cinco confrontos eliminatórios, média de 1,2 por jogo. Seu primeiro gol em mata-mata veio na Copa de 1934. Quatro anos mais tarde, viveu sua melhor campanha ao marcar cinco vezes em quatro partidas decisivas e conduzir a Hungria até a decisão do torneio. Considerado um dos maiores jogadores da história do futebol húngaro antes da famosa seleção dos anos 1950, Sárosi era conhecido pela inteligência tática e pela facilidade para atuar em diferentes posições ofensivas, características que fizeram dele um dos grandes protagonistas da Copa de 1938.
Lineker: 6 gols
A Inglaterra também aparece entre os maiores artilheiros em jogos eliminatórios graças a Gary Lineker. O ex-centroavante marcou seis gols em seis partidas de mata-mata, exatamente um por jogo. Na Copa de 1986, conquistou a Chuteira de Ouro ao marcar seis vezes, sendo três desses gols em confrontos eliminatórios. Nas oitavas de final, fez dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai. Nas quartas, anotou o único gol inglês na derrota por 2 a 1 para a Argentina de Diego Maradona, partida eternizada pelos lances da "Mão de Deus" e do chamado "Gol do Século". Quatro anos depois, voltou a decidir ao marcar outros três gols na fase eliminatória da campanha que levou a Inglaterra às semifinais do Mundial da Itália. Ao todo, encerrou sua trajetória em Copas com dez gols em 12 partidas, desempenho que o coloca entre os maiores artilheiros da história da seleção inglesa.
Baggio: 6 gols
A lista dos grandes artilheiros de mata-mata termina com Roberto Baggio, um jogador cuja lembrança costuma ser resumida ao pênalti desperdiçado na final da Copa de 1994, embora sua contribuição tenha sido muito maior. O italiano marcou seis gols em nove partidas eliminatórias, cinco deles apenas na campanha dos Estados Unidos. Depois de uma fase de grupos discreta, assumiu o protagonismo a partir das oitavas de final. Contra a Nigéria, fez os dois gols da vitória por 2 a 1 na prorrogação, evitando uma eliminação precoce.

Nas quartas, decidiu novamente ao marcar o gol da vitória sobre a Espanha nos minutos finais. Mesmo convivendo com problemas físicos, voltou a brilhar na semifinal ao marcar duas vezes contra a Bulgária e colocar a Itália na decisão. A final contra o Brasil terminou empatada sem gols e ficou marcada pelo chute que passou por cima do travessão na disputa por pênaltis. Aquele lance acabou eclipsando uma sequência de atuações que praticamente carregou a seleção italiana até a disputa pelo título.
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