Escândalo com Trump e jato privado disparam rejeição a Infantino na Copa

Logística e convite ao presidente dos Estados Unidos lideram as queixas online contra o dirigente

PorPedro BernardoRio de Janeiro (RJ)
06/07/2026 15:10
Atualizado há 0 minutos

Supervisionado porAlessandra Ferreira,
Ação está sob decisão da Justiça americana, o qual ainda não se posicionou oficialmente
Ação está sob decisão da Justiça americana, o qual ainda não se posicionou oficialmente (Foto: Divulgação)

A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história como a maior de todos os tempos, mas a superglorificação do torneio não poupou a imagem do presidente da Fifa. Uma análise das publicações online feita mostra que 52% das menções a Gianni Infantino durante o Mundial tiveram teor negativo.

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Gianni Infantino, presidente da FIFA durante a Copa do Mundo
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante a Copa do Mundo (Foto: Carl de Souza / AFP)

Os dados, que foram feitos pelo Aposta Legal, apontam que a rejeição ao dirigente cresceu com o evento em andamento. Antes de a bola rolar, o cenário já era apertado: eram 47% de mensagens críticas contra 53% de avaliações positivas. Bastou a competição começar para o quadro se inverter e a exposição do presidente vir acompanhada de um desgaste direto de imagem.

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As principais queixas na internet contra Infantino se concentraram em falhas de logística, uso de jatos privados, erros de arbitragem e tratamento desigual entre as seleções.

Para piorar o cenário, o anúncio do convite ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a cerimônia de encerramento gerou forte repercussão negativa. A decisão foi duramente criticada porque o governo americano impôs barreiras para a entrada de delegações estrangeiras e vive um momento de alta tensão diplomática com o Irã.

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A Copa do Mundo de 2026 — a primeira da história com 48 seleções, 104 jogos e três países-sede (Canadá, EUA e México) — fez o volume de conversas sobre o dirigente disparar.

Entre os dias 10 e 30 de junho, registrou-se quase 60% de todo o volume de publicações de todo o período analisado. A média diária de menções a Infantino na véspera da abertura cresceu quase 20 vezes em comparação com os meses anteriores, mostrando que os holofotes da maior Copa da história também se transformaram em um grande tribunal digital para o chefe da Fifa.

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O escândalo Balogun e a sombra da interferência política

O episódio mais grave de desgaste para o presidente da Fifa envolve o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. Expulso na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, o atleta deveria cumprir suspensão automática nas oitavas de final contra a Bélgica. A Fifa, no entanto, suspendeu a punição por um período probatório de um ano, liberando o jogador.

Balogun, atleta dos EUA, foi expulso pelo brasileiro Raphael Claus
Balogun, atleta dos EUA, foi expulso aos 64 minutos de jogo na partida contra a Bósnia pela oitavas de final da Copa do Mundo (Foto: Charlotte Wilson / Getty Images via AFP)

Reportagens dos jornais New York Times e Reuters revelaram que a decisão foi tomada após uma ligação do presidente americano, Donald Trump, para Gianni Infantino. O próprio Trump celebrou a reviravolta em suas redes sociais, agradecendo à entidade por "reverter uma grande injustiça".

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A reação do futebol internacional foi imediata e agressiva. A UEFA afirmou que a Fifa cruzou uma linha vermelha e classificou a medida como inédita, incompreensível e injustificável. Enquanto a Federação Alemã exigiu esclarecimentos sobre a interferência política, a Federação Belga acionou seus departamentos jurídicos. A Fifa tentou se defender usando o artigo 27 do Código Disciplinar — o mesmo dispositivo que liberou Cristiano Ronaldo de uma punição nas Eliminatórias —, mas o argumento não colou. Para o público, ficou a nítida impressão de que o país-sede recebeu um privilégio exclusivo por intervenção de seu chefe de Estado, transformando a proximidade entre Infantino e Trump em uma crise de integridade esportiva.

Jatos privados e o protesto do Irã

O torneio também abriu uma forte frente de críticas ambientais contra o dirigente. Levantamentos da BBC Verify e BBC Sport apontaram que Infantino percorreu mais de 50 mil quilômetros em um jato privado para acompanhar os jogos. O avião ligado à Fifa realizou 27 voos em apenas 17 dias, somando mais de 66 horas no ar. O comportamento colidiu de frente com o discurso institucional de sustentabilidade da entidade, especialmente em uma Copa marcada por deslocamentos continentais complexos entre Canadá, EUA e México.

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A geopolítica e a logística também geraram crises com as delegações. O capitão do Irã, Mehdi Taremi, criticou publicamente Infantino pelas condições enfrentadas por sua seleção. Devido a restrições de viagem e tensões diplomáticas com o governo americano, o Irã foi obrigado a transferir sua base de Tucson, nos EUA, para Tijuana, no México. Jogadores e comissão técnica protestaram alegando que não receberam tratamento equivalente ao dos outros participantes.

Bronca da CBF e polêmica do VAR

Nem o Brasil ficou de fora dos protestos. A CBF enviou um ofício à Fifa contestando a anulação de um gol de Vini Jr na vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, na fase de grupos. A entidade brasileira questionou severamente os critérios adotados pelo VAR em lances decisivos. Como rosto mais visível da organização, Infantino acabou absorvendo as reclamações sobre a arbitragem e até sobre as paradas obrigatórias para hidratação, que torcedores e técnicos acusaram de quebrar o ritmo dos jogos para atender a interesses comerciais.

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Nem mesmo marcos históricos, como o recorde de Lionel Messi — o primeiro jogador a marcar em sete partidas seguidas de Copa —, foram capazes de limpar a barra do dirigente na internet. Com 52% de negatividade, Infantino encerra o período menos como o comandante da maior Copa da história e mais como a face pública de suas contradições, colocando em xeque a própria governança do futebol mundial.

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