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Espanha avança em busca do bicampeonato com defesa histórica na Copa do Mundo

Espanhóis vão enfrentar a Bélgica por um lugar na semifinal

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
07/07/2026 07:00
Espanha venceu Portugal por 1 a 0 com gol de Mikel Merino
Espanha se classificou às quartas de final da Copa do Mundo (Foto: Thomas Coex/ AFP)

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A Espanha confirmou o favoritismo, venceu Portugal por 1 a 0, com gol de Mikel Merino nos acréscimos, e garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. O clássico ibérico correspondeu à expectativa tática: duas equipes organizadas, de enorme qualidade técnica e que passaram boa parte da partida neutralizando os principais pontos fortes uma da outra. Quando o empate parecia inevitável, uma jogada construída por dois reservas definiu o confronto.

O resultado também ganhou peso histórico. A equipe de Luis de la Fuente alcançou cinco partidas consecutivas sem sofrer gols neste Mundial, estabeleceu a maior sequência invicta defensiva da história das Copas do Mundo e encerrou a última campanha mundialista de Cristiano Ronaldo.

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Espanha venceu pelo controle do jogo

Durante boa parte da partida, a sensação era de que a Espanha dominava o confronto sem conseguir transformá-lo em vantagem no placar. O trio formado por Rodri, Pedri e Dani Olmo controlou o ritmo da circulação da bola, manteve Portugal distante da própria área e reduziu ao mínimo os momentos de transição do adversário.

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A superioridade territorial, porém, não produziu muitas oportunidades claras. Lamine Yamal encontrou dificuldades para acelerar diante da marcação portuguesa, enquanto Mikel Oyarzabal participou bastante da construção, mas apareceu menos dentro da área do que nas partidas anteriores.

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Ainda assim, o domínio permaneceu constante. Em três oportunidades, a bola cruzou toda a pequena área portuguesa sem que aparecesse um finalizador. A impressão era de uma equipe madura, paciente e segura de que a oportunidade surgiria naturalmente.

Rodri comandou o meio-campo

Mais uma vez, Rodri foi o jogador que organizou a atuação espanhola. O volante do Manchester City controlou os espaços, interrompeu ataques ainda no início das jogadas e distribuiu o ritmo da equipe com a tranquilidade que marcou toda sua campanha no torneio. Quando Portugal tentava acelerar com Bruno Fernandes, João Félix, João Neves ou até mesmo Cristiano Ronaldo, quase sempre encontrava o camisa 16 espanhol antecipando a jogada.

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A batalha particular contra Vitinha, um dos destaques portugueses na competição, terminou com vantagem para o espanhol. Aos poucos, a seleção passou a girar completamente ao redor de seu volante, repetindo um padrão que se consolidou ao longo da competição.

Portugal criou pouco para vencer

A equipe de Roberto Martínez fez uma partida disciplinada e permaneceu viva praticamente até o último lance. O plano português consistia em retirar velocidade da circulação espanhola e aproveitar espaços em contra-ataques. Funcionou durante grande parte do tempo. O problema apareceu quando foi necessário produzir ofensivamente.

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Cristiano Ronaldo finalizou três vezes, duas delas no alvo, obrigando Unai Simón a boas intervenções ainda na primeira etapa. Também distribuiu um passe decisivo, acertou 10 dos 12 passes que tentou, venceu dois dos três duelos disputados e sofreu duas faltas. Os números mostram participação ativa, embora insuficiente para alterar o rumo da partida.

O melhor momento português surgiu em um escanteio curto, quando Nuno Mendes acertou o travessão após desvio em Pedro Porro. Foi praticamente a única situação em que a defesa espanhola realmente perdeu o controle.

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A defesa espanhola entra para a história das Copas

A classificação reforçou uma marca impressionante construída desde a estreia. A Espanha tornou-se apenas a segunda seleção da história a iniciar uma Copa do Mundo com cinco partidas consecutivas sem sofrer gols, repetindo a campanha da Itália em 1990.

Ao mesmo tempo, Unai Simón ampliou para 609 minutos a maior sequência sem ser vazado na história do torneio, superando definitivamente a marca que pertencia à Suíça entre os Mundiais de 2006 e 2010.

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O recorde não nasce de uma postura excessivamente defensiva. A equipe espanhola protege sua área controlando a posse, recuperando rapidamente a bola e impedindo que os adversários permaneçam próximos do gol.

Contra a Áustria, por exemplo, o rival sequer acertou uma finalização no alvo. Diante de Portugal, mesmo enfrentando um elenco tecnicamente superior à maioria dos adversários anteriores, a sensação de segurança permaneceu praticamente durante toda a noite.

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O lance decisivo resumiu a profundidade do elenco espanhol. Aos 91 minutos, uma cobrança rápida de falta encontrou a defesa portuguesa desatenta. Ferran Torres recebeu na entrada da área, girou rapidamente e encontrou Mikel Merino, que repetiu sua especialidade: a infiltração tardia.

O volante apareceu livre entre os zagueiros e bateu rasteiro, no canto de Diogo Costa, encerrando um duelo extremamente equilibrado.

Foi uma jogada construída por dois atletas que iniciaram a partida no banco, evidenciando a quantidade de soluções ofensivas disponíveis para Luis de la Fuente.

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Cristiano Ronaldo se despede das Copas do Mundo

A eliminação encerrou uma das maiores trajetórias da história da competição. Sem a explosão física dos melhores anos, Cristiano Ronaldo atuou quase sempre de costas para o gol, buscando espaços entre os zagueiros espanhóis para finalizar. Ainda conseguiu criar perigo em duas oportunidades importantes, obrigando Unai Simón a boas defesas, mas encontrou uma defesa praticamente impecável.

Sua despedida aconteceu diante daquela que talvez seja a seleção mais consistente do torneio. Ao deixar o gramado com os olhos marejados, encerrava-se uma carreira iniciada em 2006 e marcada por recordes, protagonismo e presença constante entre os grandes nomes das Copas do Mundo.

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Cristiano Ronaldo em campo
Cristiano Ronaldo em Portugal x Espanha na Copa (Imagem: Paul ELLIS / AFP)

Espanha chega às quartas como favorita ao título

Mais do que a classificação, a atuação reforçou por que a Espanha aparece entre as candidatas mais sólidas ao título.

A equipe reúne um meio-campo dominante, uma defesa que estabeleceu um recorde histórico, pontas capazes de desequilibrar individualmente e um elenco profundo o suficiente para decidir partidas através das peças que saem do banco.

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Depois de eliminar Portugal, ampliar sua sequência sem sofrer gols e quebrar mais um recorde da história das Copas do Mundo, a seleção espanhola entra nas quartas de final sustentando um argumento difícil de contestar: até aqui, nenhuma equipe conseguiu encontrar uma forma consistente de desmontar o modelo construído por Luis de la Fuente.

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