França encara reta final mais difícil do que na Copa do Mundo de 2018
Bleus chegam à semifinal com números superiores, mas encontraram mata-mata de menos pesado

A campanha da França na Copa do Mundo de 2026 impressiona. São seis vitórias em seis jogos, 16 gols marcados e apenas dois sofridos antes da semifinal contra a Espanha, nesta terça-feira (15), em Dallas. Os números superam com folga os da campanha do título conquistado na Rússia, em 2018.
No entanto, existe uma diferença importante entre as duas trajetórias. Se o início da caminhada foi mais tranquilo desta vez, o caminho até o título promete ser muito mais complicado justamente quando a margem para erro desaparece. A semifinal diante da Espanha e uma possível decisão contra Argentina ou Inglaterra colocam a atual geração francesa diante de um desafio que pode superar o enfrentado há oito anos.
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Fase inicial foi mais confortável
Na Rússia, a França avançou sem encantar. Venceu Austrália (2 a 1) e Peru (1 a 0), empatou sem gols com a Dinamarca e terminou a fase de grupos com apenas três gols marcados.
Em 2026, o desempenho foi completamente diferente. Os Bleus venceram Senegal, Iraque e Noruega, alcançaram 100% de aproveitamento e balançaram as redes dez vezes apenas na primeira fase.
A mudança de formato da Copa também influenciou. O torneio passou de 32 para 48 seleções, criando uma fase eliminatória extra. Antes das oitavas, a França ainda precisou eliminar a Suécia por 3 a 0, antes de passar por Paraguai (1 a 0) e Marrocos (2 a 0). Embora tenha disputado um jogo a mais, o caminho até a semifinal foi formado por seleções de menor tradição quando comparado ao Mundial de 2018.
O mata-mata de 2018 começou mais pesado
Há oito anos, a França teve um enorme teste logo nas oitavas de final. O adversário foi a Argentina de Lionel Messi, em um dos maiores jogos daquela Copa. A vitória por 4 a 3 marcou a explosão definitiva de Kylian Mbappé no cenário mundial. Nas quartas, veio outro gigante sul-americano: o Uruguai, dono de uma das defesas mais fortes da competição e comandado por nomes como Godín, Giménez, Suárez e Cavani.
Em comparação, Suécia, Paraguai e Marrocos ofereceram resistência, mas não tinhamo mesmo peso histórico nem a qualidade individual apresentada pelos rivais enfrentados em 2018. Até aqui, a França atual ainda não precisou disputar um confronto tão caótico quanto o inesquecível duelo diante da Argentina na Rússia.
Se o início da campanha foi menos exigente, a reta final pode transformar a Copa de 2026 na mais difícil da era Deschamps.
Na Copa de 2018, a França enfrentou a Bélgica na semifinal. Aquela equipe belga vivia o auge de sua geração dourada, com Hazard, De Bruyne, Lukaku, Courtois, Vertonghen e Alderweireld em excelente fase. Individualmente, era um elenco extraordinário.
Mas a Espanha de hoje reúne fatores diferentes. Além de possuir uma ter a camisa mais pesada na história das Copas do Mundo, a Roja chega como talvez a seleção mais consistente da competição. Sofreu apenas um gol em sete partidas, apresenta um futebol coletivo consolidado e ainda conta com Lamine Yamal, principal jovem talento do futebol mundial.
Existe ainda um componente emocional importante. França e Espanha construíram uma rivalidade recente nas grandes competições. Os espanhóis eliminaram os franceses na Eurocopa de 2024 e venceram também a decisão da Liga das Nações de 2025.
Final também tende a ser mais pesada
Caso avance, o cenário fica ainda mais complicado. Em 2018, a França derrotou uma excelente Croácia por 4 a 2 na decisão. Era uma equipe extremamente competitiva, liderada por Modric, Rakitic, Mandzukic e Perisic, mas que disputava sua primeira final de Copa do Mundo.
Agora, os possíveis adversários são Argentina ou Inglaterra. Se encontrar a Scaloneta, os franceses terão pela frente Lionel Messi, vivendo talvez a melhor Copa do Mundo de sua carreira, e a chance de reeditar a final de 2022, vencida pelos argentinos nos pênaltis.
Do outro lado está uma Inglaterra recheada de estrelas, liderada por Harry Kane, com um elenco físico, intenso e acostumado às fases decisivas dos grandes torneios internacionais. Independentemente de quem avance, a decisão de 2026 apresenta um grau de dificuldade superior ao da final disputada na Rússia.
França em sua melhor versão
Apesar do caminho mais complicado, a França chega mais preparada do que nunca. Didier Deschamps talvez tenha em mãos sua seleção mais forte desde que assumiu o comando. A equipe apresenta um equilíbrio maior entre defesa e ataque, tem mais repertório ofensivo e conta com um banco de reservas que oferece alternativas de alto nível durante toda a partida.
Michael Olise assumiu protagonismo na criação, Dembélé, dono da Bola de Ouro, vive grande fase, enquanto Barcola, Désiré Doué e Rayan Cherki aumentam as opções ofensivas.
O maior diferencial ainda é Mbappé. Em 2018, o atacante era a grande revelação do futebol mundial e explodiu com quatro gols. Hoje, aos 27 anos, chega como capitão, maior artilheiro da história da seleção francesa e principal referência técnica da equipe.
Com oito gols, divide a artilharia desta Copa com Lionel Messi e vive sua melhor atuação em um Mundial. Além dos números, mudou sua função. Deixou de ser apenas um velocista pelos lados para atuar mais centralizado, participar do acabamento das jogadas e comandar ofensivamente a equipe.

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