Artilheiro da Copa de 1982: Paolo Rossi, da Itália

O despertar de Paolo Rossi, o carrasco do Brasil e artilheiro da Copa de 1982.

PorLance!São Paulo (SP)
14/07/2026 04:04
Paolo Rossi vibra com a camisa da seleção italiana
Paolo Rossi vibra com a camisa da seleção italiana. O atacante superou um período de suspensão antes do torneio e foi o grande carrasco do Brasil, tornando-se o artilheiro isolado da Copa do Mundo de 1982 na Espanha com seis gols fundamentais para o tricampeonato. (Divulgação/FIGC)
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Copa do Mundo de 1982 teve 24 seleções e apresentou confrontos entre estilos europeus e sul-americanos.
Paolo Rossi, criticado no início, se tornou o artilheiro com 6 gols, liderando a Itália ao tricampeonato.
Rossi marcou um hat-trick contra o Brasil, na famosa 'Tragédia do Sarriá'.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima segunda edição da Copa do Mundo, disputada na Espanha em 1982, inaugurou um novo formato no futebol internacional ao expandir o torneio para 24 seleções. A competição foi um verdadeiro choque de estilos, colocando frente a frente a forte organização tática e defensiva das equipes europeias contra o futebol arte, vistoso e extremamente ofensivo praticado pelas seleções sul-americanas. O Lance! relembra o artilheiro da Copa de 1982: Paolo Rossi, da Itália.

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A seleção da Itália chegou à península ibérica sob um clima de enorme desconfiança e muita pressão da sua exigente imprensa esportiva. O time comandado pelo experiente técnico Enzo Bearzot sofreu duras críticas após uma primeira fase de grupos considerada desastrosa. Com três empates burocráticos e um futebol pragmático, os italianos só avançaram para a etapa seguinte graças ao critério de gols marcados, o que aumentou ainda mais o pessimismo nacional.

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O grande alvo das críticas de jornalistas e torcedores era o centroavante titular da equipe. Ele havia acabado de retornar aos gramados após cumprir quase dois anos de suspensão por envolvimento no escândalo do "Totonero", um esquema de apostas e manipulação de resultados na loteria esportiva italiana. Visivelmente fora de ritmo de jogo e lutando para recuperar a sua confiança e explosão física, sua convocação foi classificada como um enorme erro por grande parte dos especialistas.

Artilheiro da Copa de 1982: Paolo Rossi, da Itália

Durante os primeiros jogos do Mundial, esse outrora letal atacante parecia um fantasma vagando em campo. Ele não conseguia dominar a bola, perdia disputas físicas com os zagueiros e não levava perigo algum às defesas adversárias. O clamor popular para que ele fosse imediatamente levado ao banco de reservas era quase unânime, mas o treinador decidiu blindar o elenco, apostando todas as suas fichas na redenção do seu jogador de confiança.

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A aposta do comandante se provou uma das mais certeiras e cinematográficas da história, pois aquele homem criticado era Paolo Rossi, o atacante que despertaria de forma assombrosa para se tornar o inquestionável artilheiro da Copa de 1982. Com um instinto predatório que ressurgiu nos jogos decisivos, ele anotou seis gols fundamentais. Sua performance não apenas conduziu a Itália ao aguardado tricampeonato mundial, mas também destruiu os sonhos daquela que é considerada a melhor geração da história do futebol a não levantar uma taça.

A Tragédia do Sarriá e a eliminação do Brasil

Para entender a magnitude do feito de Paolo Rossi, é preciso lembrar do fatídico confronto na segunda fase de grupos. A Itália caiu em uma chave dificílima, ao lado de Argentina e Brasil. Após os italianos vencerem os argentinos por 2 a 1 (ainda sem gols do camisa 20), o duelo decisivo por uma vaga na semifinal colocou frente a frente a retranca europeia e a mágica seleção brasileira comandada por Telê Santana.

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O Brasil, que jogava o futebol mais encantador do planeta com astros como Zico, Sócrates e Falcão, precisava de apenas um empate no estádio de Sarriá, em Barcelona. Foi exatamente nesse palco que a lenda do atacante renasceu das cinzas. Com uma atuação antológica de puro oportunismo e leitura de espaços, Rossi marcou todos os três gols da Itália (hat-trick) na dramática vitória por 3 a 2. O episódio afundou o país sul-americano em lágrimas, ficou eternizado na história como a "Tragédia do Sarriá" e devolveu a confiança absoluta ao artilheiro italiano.

O passaporte garantido contra a Polônia

Com a moral completamente restaurada e a imprensa italiana agora rendida aos seus pés, Paolo Rossi entrou em campo na semifinal embalado e letal. O adversário era a forte e física seleção da Polônia, que vinha fazendo um excelente torneio, mas precisava lidar com o desfalque de seu principal jogador, Zbigniew Boniek, suspenso para a partida.

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O "Bambino de Ouro", como era chamado na Itália, não deu a menor chance para os poloneses. Aos 22 minutos do primeiro tempo, ele demonstrou seu exímio posicionamento ao desviar um cruzamento com a ponta da chuteira para abrir o placar. Na segunda etapa, aproveitando um rápido contra-ataque, cabeceou firme para selar a vitória por 2 a 0. Os dois tentos não apenas colocaram a Azzurra na grande final, mas isolaram o atacante na briga pela Chuteira de Ouro do torneio.

A consagração mundial de Paolo Rossi sobre a Alemanha Ocidental

A grande decisão da Copa de 1982 colocou a Itália diante da temida Alemanha Ocidental, no imponente estádio Santiago Bernabéu, em Madri. Após um primeiro tempo extremamente tenso, em que os italianos chegaram a desperdiçar uma cobrança de pênalti, o jogo se desenhava como um angustiante teste de resistência tática para as duas potências do continente europeu.

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Foi então que, aos 12 minutos do segundo tempo, o faro de gol de Paolo Rossi fez a diferença pela última vez no torneio. Após um rápido cruzamento rasteiro para a área alemã, ele se antecipou à pesada linha defensiva adversária e, com um mergulho mortal, cabeceou para o fundo das redes, abrindo o placar e pavimentando o caminho para a vitória por 3 a 1. Aquele gol solitário confirmou sua supremacia. Com seis tentos anotados em apenas três partidas de mata-mata, Paolo Rossi terminou a competição como artilheiro isolado e ainda faturou a Bola de Ouro de melhor jogador, imortalizando a maior história de redenção já vista em Copas do Mundo.

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