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Copa do Mundo masculina tem abismo financeiro em relação ao torneio feminino

Apesar da disparidade, Brasil estima impacto de R$ 8,8 bilhões na economia

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
20/07/2026 20:10
Marta é o maior ícone do futebol feminino mundial
Marta já foi eleita seis vezes a melhor do mundo, e é considerada a melhor jogadora da história (Foto Divulgação CBF)

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A Copa do Mundo, que se encerrou neste domingo, pelas palavras do próprio presidente da Fifa, Gianni Infantino, não somente quebrou, mas esmagou todos os recordes anteriores. Com 48 seleções, a entidade tem uma estimativa de receita só com a competição de US$ 8,9 bilhões (R$ 45,5 bilhões), número que pode chegar a US$ 13 bilhões (R$ 66,4 bilhões) se contar todo o ciclo desde 2022. Em 2027, será a vez de o Brasil receber o maior torneio de futebol do planeta, mas em sua versão feminina.

Os valores ainda são distantes, mas ainda assim relevantes. Estudo da FGV Projetos divulgado pela Embratur na última sexta-feira (17) aponta uma estimativa de que o torneio movimente cerca de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira. A proporção se revela nos custos da operação. Para o torneio realizado nos Estados Unidos, México e Canadá, a Fifa investiu US$ 3,75 bilhões (R$ 19,1 bilhões). A previsão para a versão feminina no orçamento da Fifa é de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões), ou seja, um valor 4,68 vezes inferior.

Mas não é um número necessariamente negativo. A evolução em relação a edições anteriores é igualmente significativa. Para a Copa feminina de 2023, dividida entre Nova Zelândia e Austrália, o aporte da entidade internacional foi de US$ 498,7 milhões (R$ 2,5 bilhões). Ou seja, o investimento, em quatro anos, aumentou mais de 60%. Outro dado que importa na comparação com o torneio masculino deste ano é que, no Brasil, somente 32 seleções estarão na disputa, e não 48.

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Maracanã receberá último jogo da Seleção antes de grupo embarcar para a Copa do Mundo
Maracanã receberá a final da Copa do Mundo feminina em 2027 (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Copa do Mundo feminina criará 73,7 mil empregos

Para a economia brasileira, os valores são animadores. O diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, apresentou os dados durante o Confut, evento de negócios, networking e inovação do esporte, em Nova York. Há uma previsão de incremento de R$ 3,8 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a 0,03% do total da economia nacional, além da criação de 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos, distribuição de R$ 4,5 bilhões em rendimentos (salários e lucros) e uma arrecadação tributária estimada em R$ 928 milhões.

— Em 2025, o conjunto dos dez maiores eventos esportivos recorrentes do país movimentou, somado, R$ 4,56 bilhões. Quando olhamos para a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027, entendemos a verdadeira magnitude desse megaevento. Sozinhos, os impactos chegam a R$ 8,8 bilhões. Estamos falando de um único torneio que vai movimentar praticamente o dobro do valor gerado por todo o calendário de elite recorrente nacional — disse Gevaerd.

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O resultado para a economia brasileira é dividido em dois eixos pelo estudo. O impacto do público foi estimado em R$ 4,7 bilhões, tomando como base um fluxo de dois milhões de pessoas, entre turistas e residentes, no mês da competição. O volume, de acordo com os dados da Embratur, é capaz de sustentar 45,7 mil empregos, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e recolher R$ 516 milhões em impostos federais, estaduais e municipais.

Em outra frente, os investimentos da Fifa na organização do torneio são da ordem de R$ 4,1 bilhões. Mas 43% desse montante, ou R$ 1,75 bilhão, são destinados a premiações e não entram na conta. O restante, portanto, representa uma injeção de R$ 2,3 bilhões no mercado local para logística, transmissão, segurança e saúde, o que, segundo a Embratur, sustenta aproximadamente 28 mil postos de trabalho.

De acordo com pesquisa em conjunto feita pela Visa e pela Embratur em 2025, 48,61% dos turistas que entram no Brasil são do gênero feminino. Esse estudo calcula permanência média de 11 dias e ticket médio de US$ 1.317 (R$ 6.730) por viagem. Dados complementares da pesquisa Nexus/CBF (2024) mostram que 72% dos cidadãos que nunca frequentaram estádios de futebol no Brasil são mulheres e que 73% do público geral avalia de forma positiva a Seleção Brasileira feminina.

O relatório deste ano da Galápagos Capital, sob a responsabilidade do economista César Grafietti, mostra um desenvolvimento maior na formação das atletas. A base ganhou 34 novos times em 2025 e quatro estados passaram a ter competições de formação.

Porém, o total de clubes em atividade disputando competições oficiais das federações estaduais continua em queda. Atingiu pico em 2019, com 205 equipes, com uma queda acentuada em 2020 para 94 times, por conta da pandemia. O número voltou a patamares próximos em 2022, com 197 clubes disputando competições oficiais, mas desde então vem caindo e fechou 2025 em 187. O Nordeste lidera a estatística, abrigando 38% das equipes, com 20% no Norte, 19% no Sudeste, 14% no Centro-Oeste e 9% no Sul.

A Copa do Mundo feminina será disputada em 2027 em oito cidades brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Recife e Brasília. A final da competição acontecerá no Maracanã.

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