Cera diminui, e linhas baixas e gols de fora da área aumentam na Copa do Mundo
Grupo de Estudos Técnicos da Fifa apresenta resultados deste Mundial

EAST RUTHERFORD, NJ (EUA) - A cera diminuiu pela metade nas cobranças de tiros de meta, e um terço no atendimento médico aos jogadores. Os goleiros estão sendo mais ousados, e times que jogam com dois "atacantes" pelo corredor central e linhas baixas estão se tornando tendência. Essas são as conclusões do Grupo de Estudos Técnicos da Fifa (TSG, na sigla em inglês) a partir da observação dos jogos desta Copa do Mundo.
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Os jogos com menos simulações e atraso são consequência direta das novas regras implantadas pela Fifa nesta Copa do Mundo. Agora, sempre que um goleiro vai cobrar um tiro de meta ou um jogador cobra uma lateral, o árbitro sinaliza com a mão uma contagem de cinco segundos. Se passar disso, o lance é revertido para o adversário, inclusive com escanteio. Jogadores que precisam de atendimento médico em campo, por sua vez, precisam sair e só podem retornar após um minuto.
E, segundo dados do TSG apresentados neste sábado (18), no MetLife, palco da final da Copa do Mundo, apenas 12% dos tiros de meta batidos este ano demoraram mais do que 30 segundos. No Mundial do Catar, em 2022, esse número chegou a 25%.
Quanto aos atendimentos aos jogadores, em média eles foram de 2,3 por jogo na última Copa do Mundo, e de apenas 1,6 na atual edição.

Depois da Copa, linhas baixas e gols de fora da área devem ser tendência nos clubes
O levantamento do TSG também apontou um aumento de 8% para 16% a parcela de gols em chutes de fora da área, ainda que as tentativas tenham sido parecidas.
— A proporção de tentativas de gol de fora da área é muito semelhante à do Catar, mas tivemos o dobro de gols marcados em relação a 2022. Isso demonstra que a qualidade do torneio está muito boa — explicou o ex-atacante e técnico alemão Jürgen Klinsmann, que integra o grupo de estudos.
Na avaliação de Klinsmann, a Copa do Mundo apresentou duas tendências para o futebol de clubes a partir de agora: blocos baixos e arremates de fora da área.
— Nós, treinadores, estávamos muito curiosos para entender quais iniciativas os times teriam para criar oportunidades de marcar gols. Ficou muito claro que muitos times estavam defendendo em bloco baixo, e havia uma tendência de chutar de fora da área — explicou.
Outra tendência é o esquema 4-4-2, com o segundo atacante não sendo o jogador de lado de campo. Na opinião de Arsené Wenger, que comanda o TSG, o Mundial mostrou a necessidade de o segundo jogador de ataque ser alguém que trabalha bem também no meio-campo.
Wenger citou o caso norueguês, com Martin Odegaard aparecendo sempre em parceria com Erling Haaland.
— Não estamos falando de atacante puro, mas sim de estrutura de time — considerou.
Em relação aos goleiros, o grupo de estudos identificou um aumento de saídas para defesas pelo alto com os punhos e em "X", quando os goleiros tentam barrar o chute do adversário abrindo ao mesmo tempo os braços e as pernas. Nos dois casos, são intervenções consideradas difíceis.
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