Cabo Verde veta perguntas sobre investigação de estupro: 'Proibido'
Capitão da seleção é investigado por caso de estupro

A Federação de Cabo Verde, por meio de seu assessor de imprensa, Bruno Moura, vetou nesta quinta-feira perguntas sobre a investigação de um suposto caso de estupro envolvendo o capitão da seleção, Ryan Mendes. Sendo a vítima uma brasileira que trabalhava como intérprete da delegação cabo-verdiana durante amistosos realizados em março na Oceania. O inquérito foi registrado em 10 de abril de 2026, na região central de Auckland.
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Antes do início da coletiva nesta quinta-feira (02), Bruno Moura informou aos jornalistas que somente seriam aceitas perguntas relacionadas à partida contra a Argentina, marcada para esta sexta-feira.
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Na primeira pergunta sobre o caso, o jornalista tentou em inglês abordar o assunto, mas sem sucesso, estando na entrevista o técnico da Seleção, Bubista, o zagueiro Stopira e o assessor.

— Senhor, se você puder responder a essa próxima pergunta em inglês... Se não puder, eu entendo. Houve diversas reportagens, eu também falei com um advogado que representa uma mulher que foi estuprada pelo capitão do seu time, Ryan Mendes. Como isso impacta no foco do seu time? — perguntou.
Bruno, o assessor intercedeu e pediu para passar á próxima pergunta. No entanto, houve uma nova tentativa ao perguntou sobre o caso - sendo em inglês, novamente.
— Pergunta para o técnico em inglês. Uma séria acusação foi feita ao Ryan Mendes. Qual é sua resposta sobre essa acusação? Você está levando o assunto a sério? Se sim, você pode explicar como, por favor? — questionou.
— Primeiramente, a assessora da Fifa informou que "o time dissera que só iria responder a perguntas sobre o jogo. Diante da insistência, o assessor de Cabo Verde reforçou: "Só sobre o jogo" — respondeu.
Quando terminou a coletiva, o jogo decisivo contra a Argentina continuou sem ser assunto. O repórter do UOL perguntou como estava a cabeça do capitão cabo-verdiano para a partida depois da publicação das reportagens que revelaram a investigação em andamento. Diante da negativa de ter uma resposta, perguntou se o assunto está proibido.
— O assunto está proibido, sim — afirmou.
Entenda a denúncia do caso
Segundo a denúncia, o caso ocorreu na noite de 27 de março, no hotel onde a delegação de Cabo Verde estava hospedada em Auckland. Naquela data, a seleção havia disputado o primeiro jogo da Fifa Series: uma derrota para o Chile por 4 a 2. A brasileira, que vive na Nova Zelândia com visto de residência e trabalho, havia sido contratada pela Federação Neozelandesa de Futebol para atuar como intérprete e apoio operacional da equipe de Cabo Verde, cujo idioma oficial é o português. Por isso, estava hospedada no mesmo hotel, de plantão 24 horas à disposição da delegação.
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Ela relatou à polícia que foi convidada para uma reunião em uma sala reservada à seleção no hotel e compareceu acreditando que precisaria exercer função de intérprete. Ao perceber que se tratava de uma confraternização, voltou ao próprio quarto por estar se sentindo mal fisicamente. Pouco depois, ouviu batidas na porta e abriu, imaginando tratar-se de uma solicitação de trabalho. Foi nesse momento, conforme a denúncia, que Ryan Mendes entrou no quarto, agrediu-a fisicamente com esganaduras, socos e mordidas enquanto ela tentava se defender, e a estuprou.
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Ainda no hotel, a brasileira fotografou lesões visíveis: cortes na boca, hematomas no pescoço, na perna e na lateral do corpo. Em seguida, buscou atendimento na clínica especializada, foi submetida a exame forense e, depois, registrou ocorrência policial e passou por perícia na delegacia. Ela relata que procurou a Federação Cabo-Verdiana de Futebol, mas não obteve apoio.

Notificações à Fifa e à Federação de Cabo Verde
Em 10 de maio, a brasileira e o marido enviaram notificações extrajudiciais à Federação de Cabo Verde e à Fifa, com o relato, provas e um pedido para que o jogador fosse impedido de participar da Copa do Mundo. No dia 20 do mesmo mês, preencheram o formulário de Safeguarding da Fifa, mecanismo oficial para esse tipo de denúncia. Ambas as entidades não responderam às notificações.
A Federação Neozelandesa de Futebol declarou que o assunto está com a polícia local, "então eles seriam mais apropriados para comentar a situação". A Federação Cabo-Verdiana de Futebol não se posicionou até o momento da publicação.
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