Messi faz história, mas Argentina ainda busca seu melhor futebol na Copa do Mundo
Argentinos encaram o Egito na próxima fase

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A Argentina segue viva na defesa do título da Copa do Mundo, mas a caminhada até aqui mostrou uma equipe muito mais desafiada do que o esperado. A classificação às oitavas de final veio apenas depois de uma vitória por 3 a 2 sobre Cabo Verde, decidida na prorrogação, em uma atuação que expôs virtudes conhecidas do time de Lionel Scaloni, ao mesmo tempo em que evidenciou problemas que podem pesar conforme o nível dos adversários aumenta.
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Mesmo sem apresentar um futebol dominante, a atual campeã mundial mantém números consistentes. São 11 gols em quatro partidas, média de 2,8 por jogo, com 57 finalizações, sendo 25 na direção do gol, além de 2.828 passes, dos quais 2.581 foram completados, desempenho que confirma a equipe como uma das seleções que mais controla a posse de bola nesta edição do torneio. O controle territorial, porém, nem sempre se converte em superioridade ofensiva diante de defesas bem organizadas.
Messi: o grande protagonista
Se existe uma constante na campanha argentina, ela atende pelo nome de Lionel Messi. Aos 39 anos, o camisa 10 continua concentrando praticamente todas as decisões ofensivas da equipe. Contra Cabo Verde, foi dele o primeiro gol, em uma jogada que sintetiza sua função atual: circulando livre entre as linhas, atraindo marcadores e atacando os espaços nas costas da defesa.

O desempenho individual impressiona. Messi soma sete gols, lidera a artilharia da competição e chegou à marca histórica de 20 gols em Copas do Mundo, tornando-se o maior goleador da história do torneio. Além das finalizações, continua sendo o principal responsável por acelerar a circulação da bola, encontrar espaços e criar situações para os companheiros.
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O problema para Scaloni aparece justamente quando o camisa 10 encontra dificuldades. Contra Cabo Verde, a seleção teve grande posse de bola, mas produziu pouco durante boa parte do jogo. Em vários momentos, faltaram infiltrações, agressividade e criatividade coletiva, deixando evidente a dependência do talento de seu principal jogador.
Posse de bola, pouca profundidade
Os números ajudam a entender o estilo argentino. A equipe troca, em média, 707 passes por partida, com excelente índice de acerto, superior a 645 passes certos por jogo, marca que coloca a seleção entre as que melhor conservam a bola nesta Copa do Mundo.
Ao mesmo tempo, chama atenção o baixo número de cruzamentos. Foram apenas 40 em quatro partidas, média de 10 por jogo, uma das menores entre as principais seleções do torneio. A construção privilegia triangulações por dentro e aproximações curtas, em vez de explorar constantemente os corredores laterais.
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Também existe um equilíbrio interessante na origem das finalizações. A Argentina soma 33 chutes dentro da área e 24 de fora, mostrando que não depende exclusivamente de infiltrações e também busca soluções em arremates de média distância quando encontra defesas fechadas.
Outro aspecto importante da vitória sobre Cabo Verde foi o crescimento da equipe nas jogadas de bola parada. Até então, esse fundamento ainda não havia produzido resultados expressivos durante a competição.

Depois da classificação, Messi destacou justamente esse avanço.
— Sim, essa seleção é uma seleção que compete e vai competir até o final. Hoje tivemos a importância na bola parada, que não havia acontecido antes. É importante. Temos bons cabeceadores. Hoje a gente conseguiu aproveitar isso. Vai ser importante. Sobre tentar converter, aproveitar as oportunidades. Em uma competição assim é importante — afirmou.
A declaração ganha relevância porque partidas eliminatórias costumam ser resolvidas em detalhes. Ter uma alternativa ofensiva além das jogadas construídas pelo camisa 10 amplia o repertório argentino para os confrontos mais equilibrados.
Classificação sofrida
O jogo diante de Cabo Verde esteve longe do roteiro imaginado para a líder do ranking da Fifa. A Argentina abriu o placar, sofreu o empate, voltou à frente, permitiu nova igualdade e só conseguiu decidir na segunda etapa da prorrogação, graças ao gol contra de Diney Borges após uma bola aérea.
Durante vários momentos, a equipe mostrou dificuldades para acelerar o ritmo, apresentou linhas muito distantes entre defesa e ataque e teve desempenho físico inferior ao habitual. O próprio Messi permaneceu em campo durante os 120 minutos, em condições climáticas pesadas, acumulando um desgaste importante às vésperas das oitavas.
Apesar disso, a seleção confirmou outra característica histórica. A vitória ampliou para 10 triunfos em 12 partidas decididas na prorrogação em Copas do Mundo, considerando também confrontos definidos nos pênaltis, demonstrando capacidade de suportar jogos longos e emocionalmente desgastantes.
Os desafios aumentam a partir das oitavas
A classificação coloca a Argentina diante do Egito, em um duelo que exigirá mais intensidade do que a equipe apresentou na fase anterior. O intervalo curto de recuperação e a carga física acumulada tornam a gestão do elenco um fator relevante para Scaloni.
Até aqui, a campanha argentina transmite uma sensação curiosa. Os números ofensivos continuam entre os melhores da competição, a posse de bola permanece elevada e Messi vive mais uma Copa extraordinária. Ao mesmo tempo, o desempenho coletivo ainda oscila, especialmente quando o adversário consegue neutralizar as conexões do camisa 10 e reduzir os espaços entre as linhas.
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A campeã do mundo continua sendo uma das favoritas ao título, principalmente porque possui o jogador mais decisivo do torneio. Até aqui, o talento de Messi continua sendo suficiente para mantê-la viva. Nas próximas fases, talvez seja necessário que o restante da equipe acompanhe o mesmo nível do seu capitão.
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