Da guerra ao gol na Copa: conheça Aymen Hussein, o iraquiano que superou a Al Qaeda e o ISIS
Atacante superou dramas familiares profundos e interrogatório

O futebol é mestre em costurar roteiros poéticos, mas a vida real de Aymen Hussein superaria qualquer ficção. O atacante de 30 anos e principal estrela da seleção do Iraque foi o grande protagonista dos holofotes do Grupo I na rodada de estreia da Copa do Mundo de 2026. Ele balançou as redes e marcou o gol iraquiano no primeiro tempo do duro confronto contra a Noruega, no Boston Stadium.
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O gol na estreia do Mundial coroou não apenas a histórica volta do Iraque à competição após 40 anos de ausência, a única participação do país havia sido em 1986, no México, mas também simbolizou o ápice de um atleta que enfrentou um verdadeiro teste de paciência com as autoridades norte-americanas às vésperas de realizar seu maior sonho profissional.
Retido na imigração por sete horas
A caminhada de Hussein em solo americano começou com um enorme e constrangedor contratempo. Logo após o desembarque da delegação no Aeroporto Internacional O'Hare, em Chicago, o centroavante foi isolado, detido e interrogado por cerca de sete horas pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos.

Segundo agências de notícias locais, o jogador foi submetido a um rigoroso processo de investigação e verificação de antecedentes, tendo inclusive o seu aparelho celular vasculhado pelos agentes federais antes de ser finalmente liberado para se juntar aos companheiros de equipe.
— Esta não é a primeira história de terrorismo da minha família. Provavelmente não será a última — desabafou Aymen ao resumir o peso de carregar as marcas de sua terra natal.
Um histórico familiar marcado pela guerra e pelo sofrimento
Para quem conhece os bastidores da vida do centroavante de 1,89m, o tratamento ríspido das autoridades americanas foi apenas mais um obstáculo diante de um passado brutal. Nascido e criado em meio ao caos e às cicatrizes da guerra no Iraque, Hussein carrega traumas familiares profundos causados pelo extremismo.
- 2008: Seu pai, que era militar, foi assassinado em um ataque da organização terrorista Al Qaeda.
- 2014: Seu irmão mais velho acabou sequestrado pelo Estado Islâmico (ISIS) e nunca mais foi visto pela família.
- Destruição: Pouco tempo depois das perdas familiares, a casa onde moravam na região de Kirkuk foi completamente destruída pelos confrontos na região.
Superando a dor da perda e a escassez de recursos, o futebol virou a válvula de escape do jovem, que jurou em uma entrevista de TV ainda em 2017 que não descansaria até levar seu povo de volta à Copa do Mundo.
De promessa a herói nacional
Hussein cumpriu rigorosamente com a sua palavra. Foi dele o gol decisivo na vitória por 2 a 1 sobre a Bolívia, na repescagem intercontinental, carimbando em definitivo o passaporte do Iraque rumo a Copa do Mundo de 2026.
Com estatísticas expressivas de 32 gols em 90 jogos defendendo as cores da sua pátria, além de uma temporada de destaque no clube Al-Karma (onde anotou 9 gols em 18 partidas), ele é a principal esperança técnica de uma seleção que precisará operar novos milagres na fase de grupos da Copa do Mundo.
Nas próximas rodadas, o resiliente time do Iraque terá as difíceis missões de medir forças contra a favorita França e a forte seleção de Senegal. Independentemente de quais forem os placares finais, Aymen Hussein já garantiu que seu nome e sua persistência fiquem gravados para sempre na história dos Mundiais.
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