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A era que não quer acabar: Messi e Cristiano Ronaldo desafiam o tempo e brilham na Copa

Juntos, eles têm 13 Bolas de Ouro e seguem reinando no maior palco do futebol

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
24/06/2026 07:00
Cristiano Ronaldo e Lionel Messi em confronto entre Portugal e Messi
Cristiano Ronaldo e Lionel Messi se cumprimentam em confronto entre Portugal x Argentina (Foto: Divulgação/Fifa)

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Tempo. O amante do futebol sempre achou que teria tempo. Tempo para ver mais um drible de Lionel Messi, mais uma arrancada de Cristiano Ronaldo. Para, talvez, mais uma disputa de Bola de Ouro entre eles. Mas o tempo passou. E chegou a Copa do Mundo de 2026. Talvez, por ser a última dança de dois gênios no maior palco do futebol mundial, ela tenha ganhado um significado diferente.

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Aos 39 anos, Messi, aniversariante do dia. Aos 41, Cristiano Ronaldo. Dois jogadores que dominaram o futebol mundial por quase duas décadas seguem protagonizando o maior palco do esporte. E fazem isso como sempre fizeram: decidindo grandes partidas.

Nesta segunda rodada da Copa do Mundo, os astros voltaram a marcar. Messi, que já havia brilhado na estreia com três gols contra a Argélia, voltou a balançar as redes diante da Áustria.

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Messi comemora segundo gol marcado pela Argentina sobre a Áustria na Copa do Mundo
Messi comemora segundo gol marcado pela Argentina sobre a Áustria na Copa do Mundo (Foto: Paul Ellis/AFP)

Cristiano Ronaldo, após uma primeira rodada discreta, marcou duas vezes na vitória de Portugal sobre o Uzbequistão.

Cristiano Ronaldo comemora gol de Portugal na Copa do Mundo de 2026
Cristiano Ronaldo comemora gol contra o Uzbequistão na Copa do Mundo (Foto: Paul Ellis/AFP)

Privilégio de ver Cristiano Ronaldo e Messi

Ao olhar a televisão, o celular ou o tablet, a sensação do torcedor é clara: é preciso aproveitar o privilégio de ver os ídolos em campo.

Para quem cresceu assistindo à rivalidade entre Barcelona e Real Madrid, acompanhando discussões intermináveis sobre quem era o melhor jogador do mundo, o sentimento é inevitável: estamos assistindo aos últimos capítulos de uma história que dificilmente será repetida. Porque Messi e Cristiano nunca foram apenas adversários. Foram a régua de uma geração inteira.

Durante anos, dividiram títulos, prêmios individuais, capas de jornais e debates em qualquer mesa de bar, sala de aula ou grupo de amigos. Enquanto um encantava com a naturalidade de quem parecia brincar com a bola, o outro impressionava pela obsessão em superar limites físicos e estatísticos. Tudo isso marcou uma era.

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Os números ajudam a dimensionar ainda mais essa grandeza. Lionel Messi soma 8 Bolas de Ouro, contra 5 de Cristiano Ronaldo. Já na Champions League, Cristiano leva vantagem com 5 títulos, enquanto Messi conquistou 4 troféus.

Cristiano Ronaldo ao lado de Messi em cerimônia da Fifa
Cristiano Ronaldo ao lado de Messi em cerimônia da Fifa: juntos, eles somam 13 Bolas de Ouro (Foto: Divulgação/Fifa)

Mas o passado vai ficando cada vez mais distante. De Barcelona, Messi foi desfilar sua arte em Paris e, agora, em Miami. Nesse meio-tempo, levou seu país ao topo do futebol mundial, com as bênçãos de Diego Maradona.

Messi segurando a taça da Copa do Mundo de 2022, conquistada pela Argentina
Messi com a taça da Copa do Mundo (Foto: Divulgação/Fifa)

Cristiano também deixou a Espanha, mais precisamente Madri, para trás e seguiu novos rumos, passando por Turim e Riade. Mas, como fez com as camisas de Manchester United e Real Madrid, continua em busca de quebrar recordes, inclusive o mais simbólico de todos: chegar à marca de 1.000 gols. Faltam 25.

O cenário atual é diferente do habitual. A distância aumentou, de cidades para continentes. As noites mágicas de Champions League já não existem mais para os dois, assim como as grandes premiações individuais. Por isso, esta Copa do Mundo guarda uma essência especial. Talvez seja a última vez em que os dois ocupem simultaneamente o centro do palco. E, para surpresa de muitos que achavam que a idade seria um limitador, continuam fazendo isso em alto nível.

O olhar da imprensa internacional

Ao Lance!, o jornalista francês Régis Dupont, do L'Équipe, que já acompanhou Cristiano Ronaldo em Copas do Mundo, destacou o peso de uma eventual conquista mundial para o português e sua busca pelos 1.000 gols, além de compará-lo a Messi.

— Ganhar a Copa do Mundo seria muito mais do que o nirvana da sua carreira, porque Portugal antes de Cristiano não jogava muitas competições mundiais. Um pequeno país de 10 milhões de cidadãos, não é muito para ganhar uma Copa — disse Dupont.

Montagem com os gols de Cristiano Ronaldo em seis Copas do Mundo
Montagem com os gols de Cristiano Ronaldo em seis Copas do Mundo, um feito inédito (Foto: AFP)

— Os 1000 gols, claro que são um objetivo importante para ele, que gosta muito destas marcas, ser o melhor jogador de sempre, o melhor goleador de sempre, o melhor português de sempre… é a motivação, a justificação, finalmente, da sua carreira — completou o jornalista do L'Équipe.

Na comparação com Messi, ele apontou diferenças físicas e de estilo:

— O problema de Cristiano, se podemos comparar a Messi, é que a sua maneira de jogar não é bem compatível com as pernas de 40 anos. O Messi não corre muito, só precisa ter a bola. Cristiano tem de correr e de estar bem fisicamente para jogar a este nível — analisou.

Já a jornalista argentina Verónica Brunati, ao site Marca, da Espanha, destacou a evolução pessoal de Messi:

— O que mais me entusiasma em Messi é ver como ele se tornou um homem sábio. Ele está nos dando uma lição de vida sobre não se acomodar, sobre sempre buscar mais. Ele é um grande exemplo. Não podemos compará-lo a ninguém; não veremos nada parecido — comentou Verónica.

Para Diego Macias, do Olé, da Argentina, Messi está surpreendendo os próprios compatriotas pela intensidade com que jogou as duas primeiras partidas da Copa.

— Nós esperávamos ver um Messi em um modo mais dosificado, cuidando mais da parte física, mas ele está atuando a 100%. Já não se imagina uma seleção sem ele, porque isso havia ficado claro no Catar que poderia acontecer. Agora, porém, todos seguem esperando um pouco mais dele. Como ele ainda deve jogar mais dois anos no Inter Miami, o sonho é que também dispute a próxima Copa América, mas isso vai depender muito de como terminar esta Copa do Mundo — afirmou Macias.

O jornalista argentino comentou sobre a frequente comparação entre os dois maiores ídolos argentinos: Messi e Maradona.

— Olha, a sensação que tenho é que Maradona tinha, em seu momento, um componente emocional maior, muito pelas características que apresentava fora de campo. Ele tinha uma personalidade muito particular. Acho que, pela diferença de épocas e contextos, eles não serão totalmente comparáveis. São complementares. Os dois têm lugar garantido na mesa dos maiores quando o assunto é discutir quem foi o melhor.

Mas Diego Macias faz uma ressalva: o tempo que durou o auge de cada um:

— Obviamente, se formos analisar, a grande diferença é que, no auge, acredito que Messi não chegou a atingir exatamente o nível que Maradona alcançou. O que acontece é que Messi foi o melhor durante muito mais tempo. A continuidade de Messi o torna diferente, porque foram muitos anos atuando no mais alto nível.

Números de Messi na Copa do Mundo 2026

  1. 2 jogos (2 como titular)
  2. 5 gols
  3. 34 minutos para participar de um gol
  4. 6,5 finalizações por jogo (4 no alvo)
  5. 1,0 grande chance criada por jogo
  6. 2,0 passes decisivos por jogo
  7. 1,5 dribles certos por jogo (50% de aproveitamento)
  8. 2,5 faltas sofridas por jogo

Números de Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo 2026

  1. 2 jogos (2 como titular)
  2. 2 gols
  3. 90 minutos para participar de um gol
  4. 5,0 finalizações por jogo (2,5 no alvo)
  5. 0,5 faltas sofridas por jogo

Os números comprovam que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi continuam sendo incomparáveis.

Marcas de Cristiano Ronaldo e Messi

Cristiano Ronaldo chegou a dez gols em Copas do Mundo e ultrapassou Eusébio, craque da melhor participação de Portugal em Mundiais (o 3º lugar em 1966), como maior artilheiro da história da seleção portuguesa no torneio. Mais impressionante ainda: tornou-se o segundo jogador mais velho a marcar em Mundiais, aos 41 anos e 138 dias, atrás apenas do camaronês Roger Milla, que marcou aos 42 anos e 39 dias contra a Rússia, em 1994.

Messi também segue fazendo história. Com os três gols marcados na estreia e mais dois na segunda rodada, o camisa 10 se tornou o maior artilheiro na soma de todas as edições de Copas do Mundo. Chegou a 18 gols, superando o alemão Miroslav Klose. Se em 2022 liderou a Argentina rumo ao título mundial, agora parece determinado a mostrar que ainda reina na elite do futebol.

Os números não param por aí. Na Copa de 2026, Messi participa diretamente de um gol a cada 34 minutos. Cristiano participa de um a cada 90. São índices dignos do auge. E talvez seja justamente isso que torna tudo ainda mais especial: eles não estão em campo apenas pela história construída. Estão porque continuam produzindo. Continuam decidindo. Continuam sendo protagonistas.

Da Copa de 2006 para 2026: legado geracional

Messi disputou sua primeira Copa em 2006, assim como Cristiano. De lá para cá, vieram Champions, Bolas de Ouro, recordes e mais recordes. Mas, além dos números, nada superará o impacto geracional que a dupla deixará como legado.

Milhões de crianças aprenderam a gostar de futebol vendo Messi driblar meio time adversário. Outras milhões tentaram repetir as comemorações de Cristiano Ronaldo em campos de bairro, quadras de escola e videogames.

Eles não marcaram apenas gols. Marcaram uma geração. Por isso, a Copa do Mundo de 2026 parece diferente.

O que torna este Mundial especial é a consciência de que estamos assistindo a algo raro: o encontro final de duas carreiras que redefiniram o futebol moderno. Talvez ainda existam outras competições. Talvez ainda venham mais temporadas. Mas dificilmente haverá outro palco tão grande. E dificilmente veremos Messi e Cristiano dividindo novamente uma Copa do Mundo.

Por isso, mais do que uma disputa por títulos, esta Copa parece uma celebração. A última dança de uma rivalidade que transformou o futebol.

Confira os números de Messi e Cristiano Ronaldo em Copas do Mundo

Copa do Mundo 2006 - Cristiano Ronaldo

  1. 6 jogos (6 titular)
  2. 1 gol
  3. 484 minutos para participar de gol
  4. 4,5 finalizações (1,7 no gol) por jogo
  5. 1,5 passes decisivos por jogo
  6. 3,2 dribles certos (42% de acerto) por jogo
  7. 3,8 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2010 - Cristiano Ronaldo

  1. 4 jogos (4 titular)
  2. 1 gol
  3. 1 assistência
  4. 180 minutos para participar de gol
  5. 5,8 finalizações (1,8 no gol) por jogo
  6. 0,8 grandes chances criadas por jogo
  7. 1,8 passes decisivos por jogo
  8. 2,5 dribles certos (53% de acerto) por jogo
  9. 2,0 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2014 - Cristiano Ronaldo

  1. 3 jogos (3 titular)
  2. 1 gol
  3. 1 assistência
  4. 135 minutos para participar de gol
  5. 7,3 finalizações (3.0 no gol) por jogo
  6. 0,3 grandes chances criadas por jogo
  7. 1,0 passes decisivos por jogo
  8. 1,0 dribles certos (50% de acerto) por jogo
  9. 3,3 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2018 - Cristiano Ronaldo

  1. 4 jogos (4 titular)
  2. 4 gols
  3. 90 minutos para participar de gol
  4. 5,0 finalizações (2,0 no gol) por jogo
  5. 0,2 grandes chances criadas por jogo
  6. 1,0 passes decisivos por jogo
  7. 1,2 dribles certos (42% de acerto) por jogo
  8. 3,5 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2022 - Cristiano Ronaldo

  1. 5 jogos (3 titular)
  2. 1 gol
  3. 291 minutos para participar de gol
  4. 2,2 finalizações (0,6 no gol) por jogo
  5. 0,8 passes decisivos por jogo
  6. 1,0 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2026 - Cristiano Ronaldo

  1. 2 jogos (2 titular)
  2. 2 gols
  3. 90 minutos para participar de gol
  4. 5,0 finalizações (2,5 no gol) por jogo
  5. 0,5 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2006 - Lionel Messi

  1. 3 jogos (1 titular)
  2. 1 gol
  3. 1 assistência
  4. 60 minutos para participar de gol
  5. 0,7 finalizações (0,7 no gol) por jogo
  6. 0,3 grandes chances criadas por jogo
  7. 1,3 passes decisivos por jogo
  8. 4,3 dribles certos (57% de acerto) por jogo
  9. 1,3 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2010 - Lionel Messi

  1. 5 jogos (5 titular)
  2. 1 assistência
  3. 450 minutos para participar de gol
  4. 6,0 finalizações (2,4 no gol) por jogo
  5. 0,4 grandes chances criadas por jogo
  6. 3,2 passes decisivos por jogo
  7. 5,4 dribles certos (61% de acerto) por jogo
  8. 3,2 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2014 - Lionel Messi

  1. 7 jogos (7 titular)
  2. 4 gols
  3. 1 assistência
  4. 139 minutos para participar de gol
  5. 3,3 finalizações (1,1 no gol) por jogo
  6. 0,6 grandes chances criadas por jogo
  7. 3,4 passes decisivos por jogo
  8. 4,9 dribles certos (55% de acerto) por jogo
  9. 2,4 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2018 - Lionel Messi

  1. 4 jogos (4 titular)
  2. 1 gol
  3. 2 assistências
  4. 120 minutos para participar de gol
  5. 4,5 finalizações (1,5 no gol) por jogo
  6. 0,5 grandes chances criadas por jogo
  7. 2,5 passes decisivos por jogo
  8. 5,8 dribles certos (72% de acerto) por jogo
  9. 3,8 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2022 - Lionel Messi

  1. 7 jogos (7 titular)
  2. 7 gols
  3. 3 assistências
  4. 69 minutos para participar de gol
  5. 4.6 finalizações (2,6 no gol) por jogo
  6. 1,0 grandes chances criadas por jogo
  7. 3,0 passes decisivos por jogo
  8. 2,1 dribles certos (56% de acerto) por jogo
  9. 3,1 faltas sofridas por jogo

Copa do Mundo 2026 - Lionel Messi

  1. 2 jogos (2 titular)
  2. 5 gols
  3. 34 minutos para participar de gol
  4. 6.5 finalizações (4,0 no gol) por jogo
  5. 1,0 grandes chances criadas por jogo
  6. 2,0 passes decisivos por jogo
  7. 1,5 dribles certos (50% de acerto) por jogo
  8. 2,5 faltas sofridas por jogo

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