No topo do vôlei de praia, Brasil tem briga interna por Los Angeles 2028
Com três duplas no top 5 do ranking, país se mantém como potência e cria disputa por vaga olímpica

30 anos depois da estreia do vôlei de praia no programa dos Jogos Olímpicos, o Brasil segue mostrando por que é referência para o resto do mundo na modalidade. A escola brasileira se aprimorou, resistiu às mudanças nas regras e ao aprimoramento do jogo e dos adversários, e hoje colhe os frutos, sendo representada por três duplas entre as cinco melhores do mundo no naipe feminino, de acordo com o ranking da Federação Internacional de Voleibol (FIVB): Carol Solberg e Rebecca, em primeiro lugar; Thâmela e Vic, em segundo; Duda e Ana Patrícia, em quinto.
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O ranking é o principal indicador de desempenho dos times no cenário internacional e um dos meios de classificação para as Olimpíadas de Los Angeles 2028. As duplas somam pontos de acordo com os torneios disputados desde 2025, sendo consideradas as oito melhores campanhas, enquanto o restante da pontuação é descartado.
Com o limite de duas vagas por país e três postulantes principais, os próximos anos serão de forte concorrência interna em busca da seleção para as Olimpíadas. E o Brasil, enquanto estiver representado na mais alta prateleira do vôlei de praia mundial, só tende a se beneficiar com esta disputa.
— Esses três times vão representar bem demais. E essa briga para mim é muito sadia. É importante ter mais do que dois times pontuando muito bem no Circuito Mundial, porque você ter aquele time assim, no teu pé, querendo pegar a tua vaga, faz com que você jogue com muita raça — comentou Ágatha, vice-campeã olímpica na Rio 2016, sobre o cenário equilibrado na modalidade.
As duplas que elevam o patamar do Brasil
No topo da lista, Carol e Rebecca chegaram pelo menos à semifinal em sete competições e venceram três delas. No ano de estreia da parceria, foram campeãs do Circuito Mundial e levaram o bronze no Campeonato Mundial. A liderança chegou a escapar com a ausência na etapa de abertura do Circuito de 2026, em João Pessoa (PB), mas elas logo voltaram ao topo com grandes resultados em casa, incluindo um título em Brasília (DF) e um vice no Rio de Janeiro (RJ).
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Dupla do top 5 mundial que mais disputou campeonatos (14), Thâmela e Vic firmaram parceria em 2024, antes dos Jogos de Paris, e surgiram como um "furacão" no ano seguinte. Foram campeãs de uma etapa do Circuito Mundial, vice em outras duas e chegaram ao Campeonato Mundial como líderes do ranking, perdendo a disputa de terceiro lugar justamente para Carol e Rebecca. Em 2026, a dupla subiu ao pódio apenas uma vez no Circuito, em Ostrava, na Tchéquia, mas segue firme na briga por vaga em Los Angeles.
Atuais campeãs olímpicas, Duda e Ana Patrícia iniciaram o novo ciclo como a dupla a ser batida, porém questões físicas e de saúde mental vêm impedindo que a caminhada seja mais produtiva. Em 2025, Ana lesionou a coxa esquerda e ficou fora de atividade por dois meses, enquanto Duda passou por uma forte crise de ansiedade durante o Campeonato Mundial, o que levou à desistência do torneio e ao afastamento de eventos oficiais por mais quatro meses.
Na última sexta-feira (31), foi anunciado que Duda fará uma nova pausa das competições até novembro com o objetivo de melhorar suas condições de saúde física e mental, visando à corrida olímpica. Ao fim desse período, a parceria de ouro completará 10 meses fora de ação.
— Ela entregou muito ao esporte, mas deixou muita coisa para trás também. Acho que agora é o momento dela olhar para ela mesma e falar assim: "Agora eu vou cuidar de mim, correr atrás do que eu quero". E que bom que ela conseguiu dar esse passo. Torço para que ela consiga se recuperar muito rapidamente — afirmou Lucas Palermo, treinador do ouro olímpico de Paris 2024, sobre as pausas recentes de Duda.
Em 2026, Duda e Ana Patrícia somaram apenas um pódio em quatro etapas do Circuito Mundial. Para efeito de comparação, no ano passado foram cinco etapas disputadas e cinco medalhas de bronze, o que sustenta a quinta colocação no ranking até o momento.
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Atletas respondem: por que o Brasil está à frente?
O Lance! levou o questionamento até as brasileiras que figuram entre as cinco melhores duplas do mundo: o que coloca o Brasil à frente dos demais? Cada uma citou diferentes pilares que, juntos, credenciam o vôlei de praia verde-amarelo como o melhor do planeta na atualidade.
Técnicos qualificados e profissionalização
Rebecca Silva reconheceu o valor dos técnicos brasileiros, que inclusive são requisitados no exterior, e citou Letícia Pessoa, treinadora com três pratas olímpicas no currículo. Com Carol Solberg e Rebecca, ela busca sua quinta participação em Olimpíadas.
— A gente tem técnicos aqui no Brasil maravilhosos, tanto que muitos países de fora têm técnicos brasileiros. Aqui no Brasil temos a Letícia, a nossa técnica. Para mim, é a melhor do mundo.

A cearense de 33 anos também mencionou a questão da priorização do esporte como fonte de renda no país. Segundo ela, os atletas brasileiros encaram o vôlei de praia efetivamente como uma profissão e, por isso, se entregam totalmente em jogos e treinos.
— A diferença do brasileiro é que temos muito mais vontade, mais garra, porque precisamos do vôlei. Para a galera de fora, eu digo que o vôlei é a segunda opção, financeiramente, porque consegue estudar mais, trabalha com outra coisa, joga uma etapa ou outra. Para o brasileiro, isso aqui é a profissão. Então, a gente treina muito mais, joga todos os torneios, entrega tudo que tem.
Investimento e estrutura dos clubes
Para Thâmela Coradello, além do trabalho exemplar desenvolvido pelos técnicos brasileiros, os clubes oferecem as condições ideais para a evolução dos atletas. Ao lado de Vic Lopes, a capixaba de 25 anos conta com o apoio do Sesc Botafogo para buscar a primeira Olimpíada da dupla.
— Acho que são os investimentos. Os clubes estão investindo muito. Isso ajuda muito na alta performance, porque acabamos desenvolvendo muitas coisas que são os pequenos detalhes, sabe? Acho também que o trabalho que os técnicos brasileiros fazem é excelente.

Tradição e legado
Uma coisa que não se perde no vôlei de praia brasileiro é a tradição, e Duda Lisboa sabe bem disso. A sergipana de 28 anos exaltou o legado deixado pela geração de Jackie e Sandra, primeiras campeãs olímpicas da história da modalidade, que hoje é honrado por ela e suas contemporâneas.
— O vôlei brasileiro é muito forte desde Sandra, Jackie… O Brasil tem um repertório de duplas muito fortes. Acho que vai muito além, né? Desde o início, com tantas duplas, tantos nomes, o Brasil foi um centro do vôlei de praia.

A parceira de Ana Patrícia fez questão de reforçar ainda que o Brasil se sustentou como potência ao longo do tempo em um cenário de crescimento da pluralidade no vôlei de praia, com duplas de diferentes nacionalidades competindo em alto nível.
— No início, era Brasil e Estados Unidos. Hoje, todos os países estão com várias duplas. Todos os técnicos, comissões e atletas continuam trabalhando, fazendo o melhor para colocar sempre o Brasil no melhor lugar possível.
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