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No topo do vôlei de praia, Brasil tem briga interna por Los Angeles 2028

Com três duplas no top 5 do ranking, país se mantém como potência e cria disputa por vaga olímpica

PorGuilherme VeigaRio de Janeiro (RJ)
03/08/2026 18:48
Atualizado há 2 minutos

Supervisionado porThiago Fernandes,
Thâmela, Rebecca e Duda integram as melhores duplas do mundo
Thâmela, Rebecca e Duda integram as melhores duplas do mundo (Fotos: Dhavid Normando/FV Imagem/CBV e Patricy Albuquerque/CBV)

30 anos depois da estreia do vôlei de praia no programa dos Jogos Olímpicos, o Brasil segue mostrando por que é referência para o resto do mundo na modalidade. A escola brasileira se aprimorou, resistiu às mudanças nas regras e ao aprimoramento do jogo e dos adversários, e hoje colhe os frutos, sendo representada por três duplas entre as cinco melhores do mundo no naipe feminino, de acordo com o ranking da Federação Internacional de Voleibol (FIVB): Carol Solberg e Rebecca, em primeiro lugar; Thâmela e Vic, em segundo; Duda e Ana Patrícia, em quinto.

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O ranking é o principal indicador de desempenho dos times no cenário internacional e um dos meios de classificação para as Olimpíadas de Los Angeles 2028. As duplas somam pontos de acordo com os torneios disputados desde 2025, sendo consideradas as oito melhores campanhas, enquanto o restante da pontuação é descartado.

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Com o limite de duas vagas por país e três postulantes principais, os próximos anos serão de forte concorrência interna em busca da seleção para as Olimpíadas. E o Brasil, enquanto estiver representado na mais alta prateleira do vôlei de praia mundial, só tende a se beneficiar com esta disputa.

— Esses três times vão representar bem demais. E essa briga para mim é muito sadia. É importante ter mais do que dois times pontuando muito bem no Circuito Mundial, porque você ter aquele time assim, no teu pé, querendo pegar a tua vaga, faz com que você jogue com muita raça — comentou Ágatha, vice-campeã olímpica na Rio 2016, sobre o cenário equilibrado na modalidade.

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As duplas que elevam o patamar do Brasil

No topo da lista, Carol e Rebecca chegaram pelo menos à semifinal em sete competições e venceram três delas. No ano de estreia da parceria, foram campeãs do Circuito Mundial e levaram o bronze no Campeonato Mundial. A liderança chegou a escapar com a ausência na etapa de abertura do Circuito de 2026, em João Pessoa (PB), mas elas logo voltaram ao topo com grandes resultados em casa, incluindo um título em Brasília (DF) e um vice no Rio de Janeiro (RJ).

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Dupla do top 5 mundial que mais disputou campeonatos (14), Thâmela e Vic firmaram parceria em 2024, antes dos Jogos de Paris, e surgiram como um "furacão" no ano seguinte. Foram campeãs de uma etapa do Circuito Mundial, vice em outras duas e chegaram ao Campeonato Mundial como líderes do ranking, perdendo a disputa de terceiro lugar justamente para Carol e Rebecca. Em 2026, a dupla subiu ao pódio apenas uma vez no Circuito, em Ostrava, na Tchéquia, mas segue firme na briga por vaga em Los Angeles.

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Atuais campeãs olímpicas, Duda e Ana Patrícia iniciaram o novo ciclo como a dupla a ser batida, porém questões físicas e de saúde mental vêm impedindo que a caminhada seja mais produtiva. Em 2025, Ana lesionou a coxa esquerda e ficou fora de atividade por dois meses, enquanto Duda passou por uma forte crise de ansiedade durante o Campeonato Mundial, o que levou à desistência do torneio e ao afastamento de eventos oficiais por mais quatro meses.

Na última sexta-feira (31), foi anunciado que Duda fará uma nova pausa das competições até novembro com o objetivo de melhorar suas condições de saúde física e mental, visando à corrida olímpica. Ao fim desse período, a parceria de ouro completará 10 meses fora de ação.

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— Ela entregou muito ao esporte, mas deixou muita coisa para trás também. Acho que agora é o momento dela olhar para ela mesma e falar assim: "Agora eu vou cuidar de mim, correr atrás do que eu quero". E que bom que ela conseguiu dar esse passo. Torço para que ela consiga se recuperar muito rapidamente — afirmou Lucas Palermo, treinador do ouro olímpico de Paris 2024, sobre as pausas recentes de Duda.

Em 2026, Duda e Ana Patrícia somaram apenas um pódio em quatro etapas do Circuito Mundial. Para efeito de comparação, no ano passado foram cinco etapas disputadas e cinco medalhas de bronze, o que sustenta a quinta colocação no ranking até o momento.

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Atletas respondem: por que o Brasil está à frente?

O Lance! levou o questionamento até as brasileiras que figuram entre as cinco melhores duplas do mundo: o que coloca o Brasil à frente dos demais? Cada uma citou diferentes pilares que, juntos, credenciam o vôlei de praia verde-amarelo como o melhor do planeta na atualidade.

Técnicos qualificados e profissionalização

Rebecca Silva reconheceu o valor dos técnicos brasileiros, que inclusive são requisitados no exterior, e citou Letícia Pessoa, treinadora com três pratas olímpicas no currículo. Com Carol Solberg e Rebecca, ela busca sua quinta participação em Olimpíadas.

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— A gente tem técnicos aqui no Brasil maravilhosos, tanto que muitos países de fora têm técnicos brasileiros. Aqui no Brasil temos a Letícia, a nossa técnica. Para mim, é a melhor do mundo.

Rebecca e Carol Solberg ao lado da técnica Letícia Pessoa
Rebecca (esq.) e Carol Solberg (dir.) ao lado da técnica Letícia Pessoa (centro) (Foto: Divulgação/CBV)

A cearense de 33 anos também mencionou a questão da priorização do esporte como fonte de renda no país. Segundo ela, os atletas brasileiros encaram o vôlei de praia efetivamente como uma profissão e, por isso, se entregam totalmente em jogos e treinos.

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— A diferença do brasileiro é que temos muito mais vontade, mais garra, porque precisamos do vôlei. Para a galera de fora, eu digo que o vôlei é a segunda opção, financeiramente, porque consegue estudar mais, trabalha com outra coisa, joga uma etapa ou outra. Para o brasileiro, isso aqui é a profissão. Então, a gente treina muito mais, joga todos os torneios, entrega tudo que tem.

Investimento e estrutura dos clubes

Para Thâmela Coradello, além do trabalho exemplar desenvolvido pelos técnicos brasileiros, os clubes oferecem as condições ideais para a evolução dos atletas. Ao lado de Vic Lopes, a capixaba de 25 anos conta com o apoio do Sesc Botafogo para buscar a primeira Olimpíada da dupla.

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— Acho que são os investimentos. Os clubes estão investindo muito. Isso ajuda muito na alta performance, porque acabamos desenvolvendo muitas coisas que são os pequenos detalhes, sabe? Acho também que o trabalho que os técnicos brasileiros fazem é excelente.

Vic e Thâmela comemoram ponto na etapa de Brasília do Circuito Mundial
Vic e Thâmela comemoram ponto na etapa de Brasília do Circuito Mundial (Foto: Patricy Albuquerque/Divulgação/CBV)

Tradição e legado

Uma coisa que não se perde no vôlei de praia brasileiro é a tradição, e Duda Lisboa sabe bem disso. A sergipana de 28 anos exaltou o legado deixado pela geração de Jackie e Sandra, primeiras campeãs olímpicas da história da modalidade, que hoje é honrado por ela e suas contemporâneas.

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— O vôlei brasileiro é muito forte desde Sandra, Jackie… O Brasil tem um repertório de duplas muito fortes. Acho que vai muito além, né? Desde o início, com tantas duplas, tantos nomes, o Brasil foi um centro do vôlei de praia.

Duplas campeãs olímpicas do vôlei de praia feminino do Brasil
As duplas campeãs olímpicas do vôlei de praia feminino do Brasil. Da esquerda para a direita: Duda, Sandra, Ana Patrícia e Jackie (Foto: Reprodução)

A parceira de Ana Patrícia fez questão de reforçar ainda que o Brasil se sustentou como potência ao longo do tempo em um cenário de crescimento da pluralidade no vôlei de praia, com duplas de diferentes nacionalidades competindo em alto nível.

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— No início, era Brasil e Estados Unidos. Hoje, todos os países estão com várias duplas. Todos os técnicos, comissões e atletas continuam trabalhando, fazendo o melhor para colocar sempre o Brasil no melhor lugar possível.

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