Atlanta 30 anos: a briga com Cuba e o bronze do vôlei. 'Xingavam a gente de p*tana'
Seleção teve menos de 24 horas para se recuperar da eliminação na semifinal
Nos anos 1990, era impossível falar de vôlei feminino sem citar a rivalidade entre Brasil e Cuba. Enquanto as brasileiras despontavam como potência, as cubanas dominavam o cenário e já ostentavam um ouro olímpico. A expectativa geral era de que as seleções duelassem pelo título nos Jogos de Atlanta 1996, mas o clássico aconteceu mais cedo, na semifinal. Com muito em jogo, a partida daquele 1º de agosto se tornou inesquecível, tanto pelo nível de disputa quanto pela briga generalizada dentro de quadra.
A seleção brasileira chegou mais madura aos Estados Unidos. Aquele time, que tinha Ana Moser, Márcia Fu, Fernanda Venturini, Virna e Ana Flávia, passou a limpo os erros de quatro anos antes, quando terminou em quarto lugar nas Olimpíadas de Barcelona. Neste novo ciclo, sob o comando do técnico Bernardinho, a equipe foi campeã do Grand Prix, vice-campeã do Mundial de 1994, e viajou a Atlanta determinada a alcançar a final olímpica pela primeira vez.
➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico
A ideia era ser um time 100% do tempo. As jogadoras faziam as refeições juntas, circulavam pela vila olímpica juntas. Mesmo nas folgas, ninguém saía para curtir. Precisavam manter o foco. Ficavam no quarto, faziam as unhas umas das outras. Tudo para fazer valer a pena os sacrifícios ao longo dos quatro anos de preparação.
— Treinamento de seleção é muito intenso, a gente não tinha liberdade de ir pra casa. Se a gente estivesse no Brasil, de 15 em 15 dias, a gente ia. Nossos amistosos eram tristes. A gente ia pra Cuba ou pra Rússia fazer amistoso, e naquela época a gente não tinha nem o que comprar pra comer, a gente chegou a passar fome nesses lugares. Deixávamos metade do nosso salário em ligação telefônica. Foi uma preparação muito dolorosa - relembrou Ana Flávia, capitã em Atlanta.

Os resultados foram visíveis durante a primeira fase dos Jogos. A seleção de vôlei empilhou três vitórias sobre Peru, Canadá e Rússia, sem perder um set sequer. Contra Cuba, mais uma vitória por 3 sets a 0. Bastou mais um triunfo sobre a Alemanha, por 3 a 1, para garantir a classificação à semifinal.
O inesperado veio por uma situação fora do controle das brasileiras. Além da derrota para o Brasil, as cubanas também perderam para a Rússia na primeira fase, o que mudou o chaveamento. As grandes rivais do vôlei feminino não disputariam o ouro, mas se enfrentariam na semifinal.
O clássico e a briga histórica do vôlei
A boa campanha e o resultado no jogo da primeira fase davam confiança às brasileiras para a semifinal. Mas, contra um time que tinha Mireya Luis, Regla Torres e Magaly Carvajal sedentas pela vitória, não havia espaço para falhas.
— O nosso carma foi sempre Cuba. Quando elas queriam, vinham com tudo e a gente tinha que correr atrás. Fisicamente, elas tinham uma condição absurda, precisavam só acertar. A gente tinha que fazer muita força pra saltar no bloqueio, muita força pra atacar. Tecnicamente, a gente compensava essa diferença, mas todo mundo precisava jogar 101% pra poder vencer - contou Ana Flávia.
Dentro de quadra, o resultado foi definido nos detalhes: vitória por 3 sets a 2 para Cuba. Mas além da potência física, Mireya e companhia usaram outra tática para garantir a vaga na final. As cubanas encaravam, provocavam e xingavam as brasileiras. Levaram as rivais ao limite mesmo depois do apito final.
A confusão começou em uma das cenas mais emblemáticas dessa partida e dos Jogos de Atlanta. Ana Moser discutia na rede, exigindo respeito das adversárias. Márcia Fu, que estava no banco, ainda enxugando as lágrimas pelo resultado, viu o movimento na quadra e não pensou duas vezes antes de defender as companheiras.
— Elas xingavam a gente de "putana", chamavam a gente de uma monte de coisa. Tinha dia que a gente aguentava, mas tinha dia que a gente não tava com paciência, ninguém tinha sangue de barata. A gente tinha que partir pra cima delas, essa é a verdade. Brigamos dentro da quadra, brigamos no vestiário, um horror. Fui parar na polícia - contou Márcia Fu.

Juntando os cacos
A grande questão era que o Brasil teria menos de 24 horas para se recuperar do baque. O jogo pelo bronze, contra a Rússia, estava marcado para as 10 da manhã do dia seguinte. Depois de um jogo de cinco sets, e de uma briga cujos desdobramentos se estenderam pela noite, mal restava energia para pensar em buscar a medalha.
— A gente vai pro hotel acabada, exausta, como se tivesse tomado uma surra de toalha molhada. Para se refazer de um dia pro outro, foi muito difícil. Precisamos ter muita força de vontade, pensar que ainda não tinha acabado. É uma coisa que dói, ter acabado de perder e precisar juntar os cacos pra buscar uma coisa maior - relembra Márcia Fu.
Foi uma noite que as brasileiras passaram praticamente em claro. Cansadas e abaladas emocionalmente, as jogadoras tiveram conversas extensas entre si e com a comissão técnica. Ana Moser, uma das principais líderes do time, foi uma das primeiras a se levantar e motivar as companheiras para mais uma batalha.
— Ela era sempre a nossa referência de força. Quando ela falava "vamo, bora", significava que não tinha outro caminho, a gente tinha que ir. Era uma postura de muita liderança e força - lembrou Ana Flávia.
Foram necessários mais cinco sets e muito suor para que o Brasil vencesse a Rússia por 3 sets a 2, com parciais de 15/13, 4/15, 16/14, 8/15 e 15/13. No dia 2 de agosto de 1996, as brasileiras finalmente conquistaram a primeira medalha olímpica no vôlei.

Legado brasileiro
O peso da medalha de bronze não ficou claro no momento do pódio, em Atlanta. Ainda havia uma certa frustração pelo sonho da final não alcançada. De volta para o Brasil, as jogadoras perceberam que aquela conquista seria um marco para as próximas gerações. Era o primeiro passo para um país que ainda celebraria dois ouros, uma prata e outros dois bronzes olímpicos.
— Minha medalha é legal porque eu sei que nós fizemos tudo o que podíamos, demos tudo o que tínhamos. Eu não tenho aquele sentimento de "se tivesse feito". Fomos muito felizes trazendo essa medalha para o nosso país. Depois que passou, e por tudo o que nós fizemos, ela é bronze, mas teve o sabor de ouro - finalizou Márcia.
🔥 Ganhe R$100 de volta em crédito se perder - jogue R$100 e confira as regras
18+ | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento | Conteúdo comercial | Aplicam-se termos e condições.
Tudo sobre

Vôlei
Carol/Rebecca e o sonho da medalha olímpica: 'O principal'
Há 2 minutos
Vôlei
Novata no vôlei de praia mira LA28 ao lado de campeã mundial: 'Novo mundo'
Há 15 horas
Vôlei
Campeã olímpica no vôlei de praia, Duda Lisboa faz pausa nas competições
Há 17 horas
Vôlei
Celeste Plak surpreende ao se aposentar do vôlei aos 30 anos
Há 22 horas
Vôlei
Barrada por fortes ventos, torcida apoia de longe no Circuito Mundial
Há 1 dia
Vôlei
Após vice na VNL, Seleção se reapresenta com foco no Sul-Americano
Há 1 diaMais LANCE!

Sesc Flamengo e Praia Clube reeditarão semi da Superliga em amistoso

Fortes ventos no Rio danificam arena de vôlei de praia em Copacabana

Final da VNL Feminina registra a maior audiência do Sportv2 em 2026

Zé Roberto confirma retorno de Gabi à Seleção no Sul-Americano

Julia Kudiess inicia recuperação: 'sonho com as Olimpíadas'

Brasil conhece adversários na Copa Sul-Americana de vôlei

Paula Pequeno, Sheilla e Fabiana: bicampeãs olímpicas promovem camps de vôlei

Osasco, Sesc Flamengo e mais: clubes apostam em estrangeiras para Superliga 2026/27

Bruninho comemora 40 anos em festa com Neymar e Thiaguinho

Antes do Sul-Americano no Rio, Seleção feminina B conquista título inédito

Atlanta 30 anos: final brasileira no vôlei de praia 'muito além do que podia sonhar'

Em posição criticada, Rosamaria vai bem em derrota do Brasil na VNL



