De Paris a Xerém: a longa trajetória de Leandrinho

28/10/2015 02:14

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Thiago Ribeiro comemora seu gol contra o Guarani-MG (Foto: Gil Leonardi)
Thiago Ribeiro comemora seu gol contra o Guarani-MG (Foto: Gil Leonardi)

No futebol de hoje, apesar da dificuldade de muitos jogadores em se manterem em um mesmo clube por muito tempo, é difícil um jogador atuar em mais de dez clubes diferentes. Mas um, em especial, ultrapassa os limites do acreditável quando o assunto é bagagem futebolística.

Leandro Alves da Cunha, o Leandrinho, de 30 anos, tem esta história para contar. Hoje no Duque de Caxias, o meia é um verdadeiro cidadão do mundo, e já jogou em clubes de dez países de diferentes cantos do planeta. Ao todo, Leandrinho passou, graças ao futebol, por países como Portugal, França, Itália, Romênia, Emirados Árabes Unidos, Costa do Marfim, Hungria, Japão, África do Sul, Tunísia, e até mesmo a exótica Namíbia, no sudoeste africano.

- Eu nunca tinha nem ouvido falar da Namíbia. Fui para lá por causa de um treinador que era meu amigo, e que me chamou. Mesmo assim, passei um grande sufoco por lá. Já na Costa do Marfim, joguei no ASEC Mimosas, clube que revelou alguns jogadores como Touré, Eboué e Kalou - lembra Leandrinho.

Carioca, nascido no Andaraí, Leandrinho saiu do Brasil muito cedo. Com apenas catorze anos, foi para a França para defender as categorias de base do Paris Saint-Germain. Lá, vivenciou uma cultura completamente diferente da que estava acostumado.

O menino, que perdera o pai aos sete anos de idade, foi 'adotado' por uma família francesa, e passou a fazer parte de uma realidade que nunca imaginou viver. Mesmo assim, ele reconhece que a escolha acabou sendo acertada, já que, do lugar de onde veio, as oportunidades que surgem nem sempre são as melhores:

- Fui criado no morro. Vários amigos de infância tiveram um destino diferente. Entre tantos garotos, eu tive uma chance de não ir para um caminho errado. A maioria virou bandido, traficante. Cada vez que eu ligava para minha mãe, ela me dizia que um amigo tinha morrido.

Mesmo sendo pequeno para um atacante (1,67m), Leandrinho jogava nesta posição no começo da carreira, e fazia muitos gols pela base do Paris Saint-Germain era tratado como uma verdadeira joia no clube. Especialmente pelo fato de ser brasileiro, o atacante era tido como promessa, e conseguiu lograr um feito histórico, mesmo com apenas 17 anos de idade.

- Fui o primeiro brasileiro a fazer um gol lá. Foi em 1º de maio de 1998, um pouco antes da Copa do Mundo. O Paris Saint-Germain venceu o Saint-Étienne pelo sub-18 e eu fiz o primeiro gol. No jogo de fundo, o Raí fez o gol do título da Copa da França em cima do Nantes. Pelo menos nisso, eu consegui ficar na frente do Raí - brinca Leandrinho.

Por onde passou, Leandrinho sempre teve estrela. Além de ter 'inaugurado' as redes do Stade de France em nome do futebol brasileiro, Leandrinho tem sorte em estreias. Na Itália, pelo Martina, fez um golaço logo em seu primeiro jogo, em que entrou no segundo tempo. Na Tunísia, quebrou um tabu histórico de catorze anos em um clássico local.

- Minha estreia pelo Stade Tunisien foi contra o Esperance, que é o maior time do país, e também o que todos odeiam por lá. O jogo estava 2 a 2, entrei no segundo tempo e fiz dois gols. Depois disso, as pessoas me levavam comida em casa, me convidavam para casamentos, era uma loucura. Se perguntarem a todos lá quem é o 'Alves', pode ter certeza de que vão se lembrar de mim, e dos meus dois gols - diverte-se.

UM 'POLIGLOTA DA BOLA'

Com tantas andanças pelo mundo, não é de se surpreender que Leandro fale vários idiomas. Além do português e do francês, idiomas que cresceu falando, o jogador também afirma que teve aprendizados importantes em suas passagens por Romênia e Itália, e diz falar fluentemente quatro idiomas.

- Falo francês fluentemente, melhor até do que o português. Italiano, falo mais ou menos: não consegui estudar enquanto estive por lá. Outra língua que falo bem é o romeno, fiquei lá por duas temporadas - garante.

Mas Leandrinho também escreveu seu nome no futebol brasileiro, embora de maneira mais discreta. Embora tenha se profissionalizado na Europa, o jogador esteve no Boavista em 2004, ano em que foi artilheiro da Série B do Campeonato Carioca. No ano seguinte, foi vice campeão carioca pelo Volta Redonda, além de passagens pelo Botafogo e pelo Macaé.

- Joguei ligas nacionais em vários países em que estive: França, Romênia, África do Sul, Tunísia... só falta uma no meu país. Ficaria muito feliz se pudesse jogar a Série B pelo Duque de Caxias - afirmou.

Depois de jogar o Carioca pelo Boavista, Leandrinho realmente pode ser uma das opções do Tricolor da Baixada para a Série B do Brasileiro. O jogador foi inicialmente negociado com o clube caxiense, mas foi repassado por empréstimo ao time de Saquarema. O meia treinou com o grupo na última semana, e agora aguarda definição da diretoria sobre sua situação.

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