LNET! disseca Peñarol, rival do Santos na Libertadores
O Peñarol eliminou o Vélez, na Argentina, e está de volta a uma final de Libertadores após 24 anos. Competição íntima dos uruguaios, afinal, são cinco conquistas em nove finais. História e tradição caminharam lado a lado com o time do Rio da Prata durante a edição atual do torneio mais importante da América do Sul.
Os Carboneros apresentaram um futebol envolvente e técnico? Não. Eram favoritos? Não. Contaram com a sorte? Pouco importa.
Aliás, tudo abrilhanta ainda mais a campanha. O time foi fiel às tradições uruguaias e demonstrou a tradicional raça cisplatina.
E o peso da camisa aurinegra fez a diferença nos duelos do mata-mata contra Internacional, Universidad Católica e Vélez Sarsfied. Todos com contornos e roteiros dramáticos, dignos de bons combates.
– A História manda superar a lógica – filosofou o técnico Diego Aguirre, após eliminar os hermanos, na quinta-feira. O comandante, inclusive, era jogador na conquista título da Libertadores-87, a última continental do Peñarol.
Fênix
Durante as últimas temporadas, o torcedor do Peñarol viu o time perder espaço na Libertadores para rivais bem mais modestos como Defensor, Danubio, Cerro e Racing. Pior foi ter de engolir o Nacional comemorar títulos e ser o único representante uruguaio durante as fases decisivas.
– Faltou estrutura, como em todo o futebol do país. Conseguimos nos reerguer com a participação da torcida, que nunca nos abandonou – lembra Osvaldo Gimenez, gerente esportivo do Peñarol.
O clube, que já foi defendido por lendas como Ghiggia, Obdulio Varela, Schiaffino, Spencer, Cubilla, Pedro Rocha e Rubén Paz, volta a ganhar destaque num momento de ascensão de todo o futebol uruguaio (veja abaixo).
O direito de enfrentar o Santos representa o renascimento de um gigante do futebol mundial, além de um encontro entre duas escolas clássicas do futebol.
– É algo extraordinário – resume o técnico carbonero.
PONTOS FORTES
Frio: Dificilmente se abate com um resultado adverso ou com um momento desfavorável durante alguma partida. Não perde o
controle sobre o adversário. Vence pela paciência.
Veloz e solidário: Uma das marcas é a solidariedade tática. O time é consciente de suas limitações. Outro fator que pode decidir é o contragol-
pe. A bola é oferecida ao adversário (para sair em velocidade).
PONTOS FRACOS
Camisa 10: Falta um armador cerebral para comandar o meio de campo e cadenciar o ritmo quando for preciso. A equipe abusa das liga-
ções diretas entre a defesa e o ataque. Quase não centraliza.
Irregularidade: A campanha do Peñarol na Libertadores preocupa o torcedor. O time foi derrotado cinco vezes, sendo goleado por Independien-
te e LDU durante a fase de grupos da competição.
Com a Palavra - Diego Pérez - Setorista de Peñarol do diário "El País", do Uruguai
"O Peñarol ficou cinco anos fora da Libertadores porque custava manter uma equipe durante seis meses. Era um futebol exportador. Há dois anos, uma nova administração mudou a forma de manejar o clube e passou a investir em marketing e profissionalizar outros departamentos.
Hoje, muitos jogadores continuam voltando da Europa, readquirindo a forma para voltar ao Velho Continente. Mas os tempos são
outros. O clube aposta em garotos da base para suprir as ausências.
Claro que, economicamente, o futebol uruguaio não tem como concorrer com outros centros. No entanto, o quarto lugar obtido pela seleção no Mundial criou um clima de euforia no país."

Análise tática - Mauro Beting - Colunista do LANCE!
"Se a história bicampeã e o time atual do Santos são admiráveis e respeitáveis, o penta Peñarol tem camisa poderosa, torcida apaixonada, e um elenco que eliminou favoritos. Mais uma proeza não será surpresa. Embora não seja provável diante do favoritismo santista.
O goleiro (Sosa) é inseguro. Mais espalma que segura. O sistema defensivo é forte na entrada da área, com volantes eficientes (Freitas e Aguiar), mas pesados, como os zagueiros Valdez e Rodríguez. Com a bola no chão, como gosta de jogar a turma de Neymar, o caminho está aberto. Isto porque os laterais (González e Darío Rodríguez) têm dificuldades. O contragolpe, porém, é preciso. Martinuccio garante contundência e boa companhia à torre Olivera, bom no jogo aéreo. Os meias pelos lados (Corujo e Mier) dão dinâmica ao melhor Peñarol dos últimos anos."
Sugerida para você!






Mais LANCE!













