Guerra entre torcedores leva medo a Alagoas

Amigos desde a infância, Cristiano e Filipe foram assassinados a tiros em agosto passado quando iam para o Estádio Rei Pelé, em Maceió. O motivo: usavam camisetas do CSA e cruzaram com torcedores do rivalCRB. Os jovens, na épocacom 17 e 16 anos respectivamente, não costumavam ir aos jogos, não pertenciam a torcidas organizadas e nem tinham histórico de brigas. Foram mortos somente porque estavam em uma parada de ônibus próximos a pessoas envolvidas com gangues.

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– Pelos disparos que atingiram as vítimas, percebe-se que são típicos de execução – diz um trecho do relatório de investigação do delegado Ronilson Medeiros, responsável pelo caso, ao qual o LANCENET! teve acesso com exclusividade.


O duplo homicídio é um dos casos mais chocantes de uma guerra instalada entre torcedores do CRB e CSA, os dois principais times da capital alagoana. Oficialmente, as brigas deixaram sete mortos em sete meses e dezenas de feridos em confrontos cada vez mais sangrentos. O número é alarmante (maior do que os casos registrados no Rio, São Paulo e Minas Gerais), mas pode ser maior.

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Um homem de 32 anos disse em depoimento à Polícia Civil que aproximadamente 70 pessoas teriam sido assassinadas desde 2008 devido às rixas (ver ao lado). Ele foi ouvido após sobreviver ao ataque a facadas por cinco torcedores. Verdade ou delírio?

– Infelizmente, a declaração dele pode ser uma realidade. Há muitos homicídios inicialmente sem motivação. Só depois a gente descobre que eram brigas de torcidas rivais – afirma a delegada Maria Aparecida Araújo, encarregada da área no entorno do Estádio Rei Pelé.

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A violência vista nos últimos anos deu as caras logo no começo de 2011. Em janeiro, na véspera do primeiro do clássico do ano, Adriano Freitas, 20 anos, foi assassinado por torcedores do CSA. No dia do jogo, nove ônibus foram depredados e pessoas feridas. Autoridades resolveram agir porque a situação tornou-se insustentável.

Confira bate-bola com a delegada Maria Aparecida:

LANCENET!: O que a Polícia Civil tem feito para acabar com os crimes envolvendo torcidas?
MARIA APARECIDA: Todos os crimes são investigados. Muitos casos de homicídio inicialmente não aparece como briga de torcida porque não é em dia de jogo. Mas quando começamos a investigar, a ouvir as pessoas, constatamos que essas rixas são a origem. E a vingança entre os grupos resulta em mais mortes.

LNET!: Mas as pessoas envolvidas estão ligadas às torcidas organizadas?
Alguns sim. Outros apenas usam camisetas ligadas às torcidas. O difícil é esclarecer qual a participação das organizadas nos crimes.

LNET!: Além das brigas, quais os crimes que torcedores mais sem envolvem?
Tem muita gente envolvida ao tráfico de drogas. E usam as torcidas para traficar e consumir drogas. E o tráfico, em todo o Brasil, deixa um rastro de mortes.

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