São Paulo começa dança das cadeiras política com eleição de cargos vitalícios
Disputa entre conselheiros é termômetro para a eleição presidencial

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O calendário político do São Paulo começa a esquentar, assim como a dança das cadeiras. Em ano eleitoral, mudanças são aguardadas — que vão desde o Conselho Deliberativo até eleições presidenciais. Nesta terça-feira (28), os novos nomes dos conselheiros serão dobrados, terminando às 17h (de Brasília), nesta quarta.
Assim, o Conselho Deliberativo começa a votar os dez novos conselheiros vitalícios do clube, um pleito que, mais do que preencher cadeiras, funciona como termômetro de forças para a eleição presidencial marcada para dezembro. Neste ano, após dois mandatos da chapa da situação, a oposição começa a ganhar força, o que estava sendo refletido desde janeiro, com a votação do impeachment de Julio Casares.

A disputa pelas dez vagas vitalícias
Quando se fala em cargo vitalício, as cadeiras de conselheiro estão entre as mais cobiçadas. Isso porque seus ocupantes participam de decisões estratégicas para o clube, como a aprovação de patrocínios, a votação dos balanços financeiros e outras deliberações que influenciam diretamente os rumos políticos e orçamentários.
O processo tem duas etapas. Primeiro, os interessados se candidatam. Depois, o Conselho Consultivo analisa as candidaturas e filtra até 40 nomes, de um total de cem inscritos, que seguem para a votação do Conselho Deliberativo. Cada conselheiro deliberativo pode votar em até três candidatos, e os dez mais votados assumem o mandato vitalício.
Essas votações começaram na terça (28), com os resultados previstos para serem divulgados nesta quarta-feira 929). Mas um bastidor chamou atenção neste processo: o acordo político. Estas dez vagas já nascem previamente costuradas entre situação e oposição, grupos políticos do clube. Até então, cinco das dez vagas já estão reservadas para grupos de oposição, com a expectativa de que o restante fique com nomes ligados à situação.
A lista completa dos 40 candidatos
- Alberto Calisto Malta
- Alfredo Cotait Neto
- Antonio Augusto Bueno Costa
- Antonio Carlos Ioshimoto
- Caio Augusto M. Forjaz
- Cezar Augusto M. Forjaz
- Clovis Gomes Botelho
- Domingos Ferreira de Moraes Jr.
- Douglas de Albuquerque Alvarenga
- Epaminondas Aguiar Neto
- Erovan Tadeu da Silva Carmo
- Fabio Daniel Romanello Vasques
- Geraldo Jose Brunholi
- Gerson de Fazio Cristovão
- Itagiba Alfredo Francez Jr.
- João Ricardo Ierardi
- Jose Alberto Padin Iglesias
- Jose Carlos da Costa Moretti
- Jose Dinis Pereira da Fonseca
- Jose Edgard Galvão Machado
- Luiz Augusto Lia Braga
- Luiz Carlos Canassa
- Marcelo Marques Livolsi
- Mario Bombi
- Mário Celso da Silva Braga
- Milton José Neves Junior
- Nelson Rovai Cabral
- Newton Flávio Bittencourt
- Norberto Angelo Zaratini
- Odilon Mutti
- Orlando Rossini Junior
- Osmar Correa da Silva
- Osni Reginaldo Arantes
- Paulo Gustavo Bolizan D. de Souza
- Rafael Moreira Palma
- René Isidro Ramirez Salinas
- Ricardo Moreira
- Roberto Sueiki Minami
- Rodrigo Roquette Gaspar
- Vinicius Pinotti
Mas quem chama atenção nesta lista?
Dos cotados ao Conselho do São Paulo, alguns nomes chamam bastante atenção nesta lista. Entre os nomes ligados diretamente a grupos políticos estão Luiz Braga e Rafael Palma (Força SP), Moraes e Guto (Salve o Tricolor Paulista) e Vinícius Pinotti — um dos nomes mais influentes.

Pinotti foi um dos nomes por trás da movimentação do impeachment de Casares. No final do ano passado, foi uma figura que ajudou a protocolar o pedido de afastamento do ex-presidente.
Os bastidores da corrida presidencial
As eleições para a diretoria e a presidência do São Paulo estão previstas para o final deste ano. Com a atual gestão de Harry Massis e toda a polêmica do impeachment de Casares, o Tricolor enxerga a oposição crescendo cada vez mais. Ainda sem os candidatos definidos, de fato, alguns nomes começam a ganhar força.
O nome que mais gerou barulho nos bastidores foi o de Rogério Caboclo, ex-presidente da CBF, cogitado por parte da oposição.

A ideia, no entanto, esbarra em forte resistência dentro do próprio Conselho Deliberativo. Caboclo comandou a CBF entre 2019 e 2021 e foi afastado do cargo após denúncias de assédio moral e sexual feitas por uma funcionária da entidade, época em que áudios anexados ao processo judicial vieram a público. Conselheiros consultados classificam a hipótese de candidatura como "absurda" e apontam esse histórico como motivo suficiente para inviabilizá-la.
Enquanto isso, outras alternativas inicialmente cogitadas pela oposição perderam força. Pinotti e Daurio Speranzini não devem ser candidatos diretos à presidência. Diante disso, ganharam espaço os nomes de Marcelinho Portugal Gouveia e Flávio Marques, ambos com trânsito relevante dentro do Conselho Deliberativo e vistos como opções de maior consenso dentro da oposição. Uma das alas está se posicionando favoravelmente a Marcelinho. Ainda assim, avalia-se nos bastidores que qualquer um dos dois precisa consolidar apoio para se firmar como pré-candidato competitivo.
São Paulo tem crise dentro da própria gestão
Um grupo de oito conselheiros protocolou, no último sábado (25), uma representação formal ao Conselho Deliberativo e à Comissão de Ética do clube pedindo o afastamento liminar de Harry Massis, atual presidente, além da abertura de processo disciplinar que pode levar à sua expulsão do quadro associativo.
O documento, assinado por Artur Eliseu da Silva, Carlos Henrique Sadi, Edson Francisco Lapolla, Giacomo Albanese, Joandre Antônio Ferraz, José Alexandre Medicis da Silveira, Pérsio Rainho e Silvia Saddi Cury, pede a apuração de suposta gestão temerária e aponta sucessivas violações ao Estatuto Social e à legislação esportiva.

Nos próximos dias, o resultado da votação de conselheiros vitalícios (quarta-feira) e o desdobramento da representação contra Massis devem indicar os rumos da disputa pelo poder no São Paulo.

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