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Julio Casares renuncia ao cargo de presidente do São Paulo

Casares pediu renúncia após forte pressão

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Izabella Giannola
São Paulo (SP)
Dia 21/01/2026
17:35
Atualizado há 1 minutos
coletiva do casares ao vivo
imagem cameraHarry Massis quem assume o cargo (Foto: Reprodução / São Paulo TV)

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Julio Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo , depois de ser afastado na votação do Conselho Deliberativo, na última sexta-feira. O, agora, ex-presidente fez o comunicado em uma 'Carta Aberta à Comunidade São-Paulina' pelas redes sociais, nesta quarta-feira (21).

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Veja a postagem de Casares nas redes sociais:

Cinco dias atrás, Casares tinha sido submetido à primeira votação do processo de impeachment pelo Conselho Deliberativo. Ele é alvo de investigações na Justiça envolvendo possíveis desvios de dinheiro e saques suspeitos nas contas do clube.

A pressão se intensificou desde o fim do ano passado, quando o pedido de abertura desse processo de impeachment havia sido protocolado. O Lance! apurou que aliados de Julio Casares tentaram convencê-lo de que a renúncia seria um caminho mais adequado do que enfrentar o processo todo.

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Em um primeiro momento, porém, houve resistência por parte do dirigente. Suposições sobre uma possível renúncia começaram a ser articuladas por parte da Situação, grupo político tricolor.

Com 188 votos do Conselho, Casares foi afastado do cargo. O vice-presidente na ocasião, Harry Massis, assumiu, mas ainda havia uma segunda etapa para retirá-lo definitivamente: a convocação de uma Assembleia Geral, no prazo de um mês. Desde o resultado da votação, passou a ser articulada a hipótese de que Casares optaria pela renúncia. Pelo lado do presidente, foram alegados também problemas de saúde, o que teria influenciado na decisão.

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O Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar uma suposta gestão temerária no São Paulo. O procedimento, conduzido pela Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital, apura possíveis irregularidades que possam ter afetado interesses coletivos, como o patrimônio da instituição. O foco é verificar se uma eventual gestão temerária contribuiu para o aumento do endividamento do clube.

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Com a renúncia, a presidência passa a ser assumida definitivamente pelo vice, Harry Massis.

Casares São Paulo
Casares deixa comando do São Paulo (Foto: Divulgação/ São Paulo FC)

Quem é Harry Massis, que assume comando do São Paulo

Aos 80 anos, Massis ocupa o cargo desde 2021, quando integrou a primeira gestão de Casares. Sua ligação com o São Paulo, no entanto, é bem mais antiga: são 61 anos de relação com o clube, iniciada como sócio.

Conselheiro vitalício, Massis já exerceu diferentes funções políticas no Tricolor. Entre 2001 e 2002, atuou como diretor adjunto de futebol e acompanhou de perto o início da trajetória de Kaká, na campanha do título do Rio-São Paulo de 2001. Já nos Mundiais de 1992 e 1993, ocupava o cargo de diretor adjunto administrativo e integrou a delegação nas conquistas internacionais.

Leia, na íntegra, a carta aberta de Julio Casares

Carta à comunidade são-paulina

Uma mensagem aos torcedores, conselheiros e sócios

Ao longo da minha trajetória à frente da presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.

Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.

O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sento reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.

Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação no debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou verões construídas em verdades aparentes.

Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube - fatos que o tempo e a história haverão de registrar.

Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.

Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas.

Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.

A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política.

Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade.

Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.

Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saída e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continua a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de presidente, com efeito a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.

Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.

Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança.

Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição. Meu afastamento também tem como objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer alegações ou interferências, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.

Reitero, por fim, minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo, circunstância ou narrativa construída.

Renuncio à presidência para preservar minha saúde e proteger minha família. Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube.

Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por essa instituição, que sempre honrarei.

Julio Casares

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