Atlanta 30 anos: Scheidt e Grael levam a vela ao topo: 'Minha vida virou do avesso'
Medalhas de ouro inédita consolidaram tradição do país na modalidade

As águas da costa de Savannah, na Geórgia, uniram os caminhos de dois brasileiros totalmente diferentes, mas que fizeram história nos Jogos de Atlanta 1996. De um lado, o jovem Robert Scheidt que, aos 23 anos, chegava com todo o ímpeto em sua estreia olímpica. De outro, o calmo e experiente Torben Grael, já multimedalhista olímpico. Ali, os dois conquistariam suas primeiras medalhas de ouro, consolidando o legado da vela brasileira.
Até os Jogos de Paris 2024, quando foram superados pela ginasta Rebeca Andrade, Scheidt e Grael figuravam como os brasileiros com mais medalhas olímpicas na história. Depois de Atlanta, Robert conquistou mais uma prata (Sydney 2000) e um ouro (Atenas 2004) na classe Laser, além de uma prata (Pequim 2008) e um bronze (Londres 2012) na classe Star. Torben, que já tinha uma prata (Los Angeles 1984) e um bronze (Seul 1988), também voltou ao pódio em Sydney e Atenas, com bronze e ouro, respectivamente.

➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico
Scheidt: "Minha vida virou do avesso"
A participação de Robert Scheidt em Atlanta foi uma novidade em todos os aspectos. Além da primeira participação olímpica do atleta, marcou a estreia da classe Laser no evento. Atualmente chamada oficialmente de ILCA (International Laser Class Association), a categoria individual é conhecida pela simplicidade e baixo custo no cenário competitivo da vela.
A medalha de ouro veio após uma disputa acirrada com o britânico Ben Ainsle, que seguiria como um dos grandes rivais do brasileiro pelos ciclos seguintes. Scheidt ficou entre os três primeiros colocados em todas as regatas disputadas e chegou à prova decisiva com dois pontos de vantagem na liderança, bastando a ele impedir uma boa largada do adversário. Foi exatamente o que aconteceu. Os dois queimaram as três largadas e Robert subiu ao lugar mais alto do pódio.
Ao relembrar o momento, Robert conta que, apesar de já ser bicampeão mundial de vela, não sofria tanto assédio da mídia, em uma época ainda sem a presença massiva da internet e das redes sociais. Ele se deu conta da dimensão de sua conquista por meios analógicos: a recepção no aeroporto e o telefone fixo.
— Naquela época, não tinha internet, celular, não tinha nada. Eu competi meio embaixo do radar. Pra mim, parecia que era um outro campeonato qualquer, mas, quando eu chego de volta com a medalha, desembarco no Aeroporto de Guarulhos, minha vida virou do avesso. De repente, tinha carro dos Bombeiros me esperando, o telefone de casa não parava de tocar. Foi uma mudança drástica de vida, passei a ser reconhecido, tive propostas e tudo o mais que acontece depois de uma medalha em Olimpíada — contou.

Robert Scheidt escreveu sua história ao longo de sete participações olímpicas, presente até os Jogos de Tóquio 2020. Porém, guarda o dia 31 de julho de 1996 em um lugar especial entre as memórias no esporte.
— Quando você ganha a segunda, a terceira, é maravilhoso, você se sente no topo do mundo, mas também vem um alívio. Quando você vai pra segunda, já existe aquela expectativa de que você ganhe de novo, você quer ganhar de novo. A primeira é, talvez, a mais especial — refletiu.
A bandeira que mudou tudo na vela
Torben Grael retornava às Olimpíadas na classe Star, repetindo a parceria com Marcelo Ferreira. A dupla precisava de uma nova história, após a frustração em Barcelona, em que terminaram apenas com o 11º lugar. Desta vez, Torben e Marcelo tiveram um início firme, com vitória na primeira regata, e chegaram à decisão com um ponto de vantagem sobre os australianos Colin Beashel e David Giles, únicos adversários pelo ouro.
O momento mais marcante daquele 29 de julho veio antes mesmo que o barco "Vida Bandida" cruzasse a linha de chegada. Com cerca de 30 minutos decorridos do início da regata, ao contornar uma boia do percurso, Marcelo notou a bandeira preta que mudou tudo: Beashel e Giles haviam queimado a largada e estavam desclassificados. Ali, em alto-mar, os dois celebraram e concluíram a regata com sentimento de dever cumprido.
— Ir para a Olimpíada é um grande feito. Ser medalhista é ainda maior, você sempre será lembrado. Agora, ser campeão olímpico é a satisfação de ter chegado ao topo do mundo, no lugar mais alto possível. Muda o reconhecimento — refletiu Torben.
O ouro de Atlanta foi apenas o primeiro com o dedo de Torben Grael, que perpetuou seu legado na modalidade que mais trouxe títulos olímpicos para o Brasil. O velejador ainda voltaria ao topo do pódio em Atenas 2004, em sua despedida olímpica como atleta, antes de perpetuar o legado também fora da água: anos depois, participou como head coach das campanhas que levaram a filha Martine Grael ao bicampeonato olímpico nos Jogos do Rio e de Tóquio.

Tudo sobre

Tênis
Carlos Alcaraz busca ritmo e elogia Zverev no ATP 500 de Viena
Há 7 minutos
Fora de Campo
Podcast 'Mundo da Luta' chega ao 400º episódio com entrevista de José Aldo
Há 1 hora
Lutas
Lenda do UFC afirma quem é o maior peso-pena da história
Há 2 horas
Fórmula 1
Fernando Alonso ataca rival da F1: 'Qualidade muito baixa'
Há 3 horas
Fórmula 1
Chefe da Mercedes rebate críticos de Antonelli na F1: 'Disseram que ele não merecia'
Há 4 horas
Tênis
Rival de Alcaraz em Viena vive fase de alta após trocar treinador
Há 4 horasMais LANCE!

NBA: Tensão entre Brown e Tatum persiste após negociação

NFL anuncia atração principal do show de intervalo do Super Bowl 2027

Brasil volta a liderar evento do UFC com veterano do peso-leve

Seleção Brasileira conhece adversários da fase de grupos da Copa do Mundo de vôlei

Com Curry e Gui Santos, Warriors bate marca negativa na NBA após 19 anos

Corinthians vive semana com jogos decisivos na temporada; veja calendário

Michael Morales provoca Carlos Prates no UFC: 'Vai precisar dos pulmões'

Brasileiros Thiago Wild e Heide buscam top 100 para ingressar no Australian Open

Análise: o que esperar de Gabriel Bortoleto nas últimas corridas da F1 2026

Kimi Antonelli precisa de dois pontos para ser campeão da F1; veja conta

Reforço do Fenerbahçe, Cachopa foi recebido por ex-craque brasileiro na Turquia

Los Angeles 2028: saiba como está a corrida olímpica da natação

Los Angeles 2028: saiba como está a corrida olímpica da maratona aquática
