Artilheiro da Copa de 2018: Harry Kane, da Inglaterra
Relembre a campanha de Harry Kane, o letal artilheiro da Copa do Mundo de 2018.

A vigésima primeira edição da Copa do Mundo, realizada na Rússia em 2018, foi celebrada como um dos torneios mais bem organizados e tecnologicamente avançados da história. O evento marcou a estreia oficial do árbitro de vídeo (VAR), uma inovação que impactou diretamente a dinâmica das partidas, resultando em um recorde absoluto de penalidades máximas assinaladas. Em um campeonato repleto de zebras históricas e reviravoltas dramáticas, a forte seleção da França sagrou-se bicampeã com um futebol pragmático e extremamente eficiente. O Lance! relembra a trajetória de Harry Kane, o artilheiro da Copa de 2018.
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A seleção da Inglaterra desembarcou no leste europeu carregando o tradicional peso de inventora do esporte, mas com expectativas surpreendentemente modestas por parte de sua exigente imprensa. Sob o comando do técnico Gareth Southgate, o amargo histórico recente de vexames e eliminações precoces deu lugar a um elenco rejuvenescido, leve e focado. A aposta tática britânica baseava-se em um esquema de três zagueiros e em uma letal eficiência nas jogadas de bola parada, que logo se transformariam na grande arma da equipe ao longo de toda a competição.
Para que esse sistema tático funcionasse perfeitamente, o jovem esquadrão precisava de um líder inquestionável e de um finalizador preciso no comando do ataque. A braçadeira de capitão e a lendária camisa 9 foram entregues a um centroavante clássico, famoso por sua disciplina, excelente posicionamento dentro da grande área e um faro de gol insaciável. Diferente dos antigos e pesados centroavantes britânicos, ele também possuía técnica refinada para sair da área e distribuir o jogo, caso a defesa adversária estivesse muito fechada.
Esse ídolo nacional vinha de temporadas espetaculares pelo Tottenham Hotspur na Premier League e chegou à Rússia no auge de sua maturidade física e mental. Ele era o cobrador de pênaltis oficial da equipe, uma responsabilidade imensa em um torneio onde o VAR punia de imediato qualquer infração dentro da área. Sua imensa frieza diante dos goleiros e sua incrível facilidade de concluir jogadas com apenas um toque na bola o transformaram no grande símbolo da empolgante campanha inglesa, que fez o país voltar a cantar e sonhar com a mítica frase "It's coming home" (O futebol está voltando para casa).
O dono dessa precisão cirúrgica e liderança nata era Harry Kane, que gravou o seu nome na história do futebol como o indiscutível Artilheiro da Copa de 2018. Com uma primeira fase de grupos avassaladora e muita letalidade nos momentos de extrema tensão, o atacante inglês balançou as redes seis vezes no torneio russo. Sua brilhante campanha individual não apenas resgatou o orgulho da pátria, conduzindo a Inglaterra a uma histórica semifinal após vinte e oito anos de espera, como também lhe garantiu a cobiçada Chuteira de Ouro de forma isolada.
Harry Kane, o artilheiro da Copa de 2018
O início avassalador contra Tunísia e Panamá
A rotina artilheira de Harry Kane começou a ser desenhada logo na estreia da Inglaterra pelo Grupo G, em um confronto difícil diante da Tunísia. Aos 11 minutos do primeiro tempo, o centroavante demonstrou o seu clássico oportunismo de rebote e abriu o placar. Os africanos empataram e impuseram uma forte retranca, mas o faro de gol do capitão salvou os britânicos nos acréscimos da etapa final. Bem posicionado na pequena área após uma cobrança de escanteio, Kane cabeceou com precisão para garantir a suada vitória por 2 a 1.
No segundo compromisso do torneio, o adversário era a estreante e frágil seleção do Panamá. O que se viu no gramado de Nizhny Novgorod foi um verdadeiro massacre inglês, que terminou com o placar elástico de 6 a 1. Harry Kane foi o grande maestro da impiedosa goleada, convertendo duas cobranças de pênalti com chutes fortes e indefensáveis no alto. Para completar seu espetacular hat-trick (três gols na mesma partida), o artilheiro ainda marcou o seu terceiro tento com um desvio quase sem querer de calcanhar após um chute de longa distância do companheiro Ruben Loftus-Cheek, chegando a cinco gols em apenas duas partidas.
A quebra da maldição contra a Colômbia
Poupado no último jogo da fase de grupos (uma derrota por 1 a 0 para a Bélgica que serviu apenas para definir as posições da chave), o capitão britânico retornou ao time titular para o gigantesco desafio das oitavas de final. O duelo contra a perigosa Colômbia foi extremamente truncado, físico e repleto de provocações de ambos os lados. Em um jogo travado e tenso, a bola parada voltou a ser a grande salvação da equipe inglesa.
No início do segundo tempo, o próprio Harry Kane foi agarrado dentro da área durante uma cobrança de escanteio. O árbitro não hesitou e apontou a marca da cal. Com o peso de uma nação inteira nos ombros, o camisa 9 cobrou o pênalti exatamente no meio do gol, superando o goleiro David Ospina e abrindo o placar com o seu sexto gol na Copa do Mundo. A Colômbia buscaria o empate heroico no minuto final com Yerry Mina, mas a Inglaterra espantou o seu histórico trauma e venceu a dramática disputa de pênaltis, com Kane convertendo com perfeição a sua cobrança.
O retorno de Harry Kane ao topo e a cobiçada Chuteira de Ouro
Após a heroica classificação, a Inglaterra embalou e superou a forte Suécia por 2 a 0 nas quartas de final, em um jogo dominado pela bola aérea britânica, mas onde Kane atuou mais como um articulador, sem balançar as redes. O grande sonho inglês foi interrompido na prorrogação da semifinal, diante da experiente e talentosa geração da Croácia, resultando em uma dolorosa eliminação por 2 a 1. Na disputa pelo terceiro lugar, os ingleses voltariam a perder para a Bélgica por 2 a 0, fechando a participação na Rússia em um honroso quarto lugar.
Embora Harry Kane não tenha marcado nos três últimos jogos da campanha, sua arrancada letal na primeira fase e o gol decisivo nas oitavas de final já haviam lhe garantido a marca de seis gols. Esse número foi suficiente para manter o capitão britânico no topo absoluto da artilharia do torneio, superando craques mundiais como Antoine Griezmann, Kylian Mbappé, Cristiano Ronaldo e Romelu Lukaku. Ao faturar a Chuteira de Ouro de forma isolada, Kane se juntou a Gary Lineker (1986) como os únicos jogadores ingleses a alcançarem esse gigantesco feito individual na rica história das Copas do Mundo.
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