Final da Copa de 1990: Alemanha impede o tri da Argentina na Itália
Com gol de pênalti de Brehme, a Alemanha vence a Argentina e fatura o tri.

A décima quarta edição da Copa do Mundo, sediada na Itália em 1990, entrou para os registros do esporte como um dos torneios mais defensivos, físicos e táticos de todos os tempos. Marcada pela baixíssima média de gols e por seleções que priorizavam o antijogo e a força física em detrimento do brilho técnico, a "Copa das Copas" terminou com uma decisão que refletiu com exatidão o espírito de toda a competição. O Lance! relembra a Final da Copa de 1990.
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No dia 8 de julho de 1990, o imponente Estádio Olímpico de Roma foi o palco de um roteiro inédito: pela primeira vez na história, duas seleções voltavam a se enfrentar em duas finais consecutivas de Copa do Mundo. Quatro anos após o épico duelo no México, a Alemanha Ocidental (que se reunificaria meses depois) e a Argentina duelavam pela supremacia do esporte. Para os europeus, era a chance da grande revanche; para os sul-americanos, a oportunidade de assegurar um histórico tricampeonato e a hegemonia global.
Final da Copa de 1990
As duas equipes, no entanto, chegaram à decisão vivendo momentos radicalmente distintos. A Alemanha Ocidental, sob o comando da lenda Franz Beckenbauer, apresentou o futebol mais sólido e organizado do torneio, guiada pelo talento incansável do capitão Lothar Matthäus e pelos gols de Jürgen Klinsmann e Rudi Völler. Era um time completo, extremamente forte fisicamente, mas que também sabia ditar o ritmo com a bola nos pés.
Do outro lado, a Argentina de Carlos Bilardo era o retrato da superação e do sacrifício. A equipe chegou à final aos trancos e barrancos, carregando uma série de desfalques por suspensão (como o veloz Claudio Caniggia), lesões e o desgaste de duas dramáticas disputas de pênaltis. O gênio Diego Maradona jogava no sacrifício, com o tornozelo severamente inchado, e a principal esperança sul-americana residia nas luvas do surpreendente goleiro Sergio Goycochea, o grande pegador de pênaltis do torneio.
O confronto na capital italiana foi ríspido, catimbado e envolto em gigantescas polêmicas de arbitragem. O teimoso empate sem gols se arrastou até os minutos finais, quando uma penalidade máxima contestada até os dias de hoje decidiu o rumo da taça, frustrou o sonho argentino de forma dramática e colocou o esquadrão alemão no topo do mundo pela terceira vez em sua história.
A catimba argentina e a primeira expulsão em finais
Ciente de sua enorme inferioridade física e técnica devido aos desfalques, a Argentina entrou em campo com um único e exclusivo propósito tático: destruir as jogadas da Alemanha Ocidental, amarrar o jogo no meio-campo e arrastar a decisão para os pênaltis, onde Goycochea poderia brilhar mais uma vez. A estratégia resultou em um primeiro tempo feio, de muita imposição física, onde os alemães tentavam furar o forte ferrolho sem sucesso.
A tensão do antijogo atingiu o seu ápice aos 20 minutos do segundo tempo. O zagueiro argentino Pedro Monzón, que havia entrado no intervalo, levantou demais a perna direita e acertou a canela de Jürgen Klinsmann em uma dividida. O árbitro mexicano Edgardo Codesal não hesitou e aplicou o cartão vermelho direto, transformando Monzón no primeiro jogador em toda a história a ser expulso em uma final de Copa do Mundo.
O pênalti polêmico e a frieza de Andreas Brehme
Mesmo com um homem a mais em campo, a Alemanha sofria para criar chances limpas contra a heroica e desesperada resistência argentina. O relógio caminhava perigosamente para a prorrogação quando, aos 40 minutos da etapa final, o lance mais polêmico do torneio aconteceu. O atacante Rudi Völler invadiu a área pela direita e caiu após uma dividida com o zagueiro Roberto Sensini. O árbitro Edgardo Codesal enxergou falta no toque do defensor e marcou o pênalti, gerando a ira e o desespero de todos os jogadores argentinos.
O capitão alemão Lothar Matthäus era o cobrador oficial da equipe, mas, alegando um problema com as travas de sua chuteira nova que havia sido trocada no intervalo, cedeu a responsabilidade ao lateral-esquerdo Andreas Brehme. Mostrando uma frieza inabalável diante do maior pegador de pênaltis do mundo, Brehme bateu rasteiro, com precisão cirúrgica, no canto direito de Goycochea. O goleiro argentino até acertou o lado e saltou bem, mas não alcançou a bola: 1 a 0 para a Alemanha.
O desespero sul-americano e o legado de Beckenbauer
O gol alemão nos minutos finais desestabilizou por completo a Argentina. Apenas dois minutos depois, aos 42, o atacante Gustavo Dezotti puxou Jürgen Kohler pelo pescoço após uma falta, recebeu o segundo cartão amarelo e também foi expulso, deixando a equipe albiceleste com apenas nove homens em campo, enquanto Maradona chorava e reclamava da arbitragem.
O apito final sacramentou o merecido tricampeonato da Alemanha Ocidental (juntando-se a Brasil e Itália como os maiores vencedores da época). Além da festa europeia, a decisão de 1990 eternizou o técnico Franz Beckenbauer, o "Kaiser", que se igualou ao brasileiro Zagallo como os únicos homens na história do esporte (naquele momento) a conquistarem a Copa do Mundo tanto como jogador (1974) quanto como treinador (1990).
Assista aos melhores momentos da grande final
Reviva a tensão, as expulsões, o domínio europeu e a polêmica cobrança de pênalti de Andreas Brehme que definiu o rumo da Copa do Mundo na Itália. Confira abaixo os melhores momentos de Alemanha Ocidental 1 x 0 Argentina:
Lance!
Ficha técnica da Final da Copa de 1990
ALEMANHA OCIDENTAL 1 x 0 ARGENTINA
- Competição: Copa do Mundo FIFA de 1990 - Final
- Data: 8 de julho de 1990 (Domingo)
- Local: Estádio Olímpico, Roma (Itália)
- Público: 73.603 espectadores
- Árbitro: Edgardo Codesal (México)
- Auxiliares: Armando Pérez Hoyos (Colômbia) e Michal Listkiewicz (Polônia)
- Cartões Amarelos: Völler (Alemanha Ocidental); Maradona e Troglio (Argentina)
- Cartões Vermelhos: Pedro Monzón (20'/2ºT) e Gustavo Dezotti (42'/2ºT) (ambos da Argentina)
- Gol: Andreas Brehme (Alemanha Ocidental - 40'/2ºT)
Escalações:
- ALEMANHA OCIDENTAL: Bodo Illgner; Klaus Augenthaler; Thomas Berthold (Stefan Reuter), Jürgen Kohler e Guido Buchwald; Andreas Brehme, Thomas Häßler, Lothar Matthäus e Pierre Littbarski; Rudi Völler e Jürgen Klinsmann. Técnico: Franz Beckenbauer.
- ARGENTINA: Sergio Goycochea; Juan Simón; Néstor Lorenzo, José Serrizuela, Oscar Ruggeri (Pedro Monzón) e Roberto Sensini; José Basualdo, Jorge Burruchaga (Gabriel Calderón) e Pedro Troglio; Diego Maradona e Gustavo Dezotti. Técnico: Carlos Bilardo.
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