Artilheiro da Copa de 2014: James Rodríguez, da Colômbia
A mágica de James Rodríguez, o grande artilheiro da Copa do Mundo de 2014.

A vigésima edição da Copa do Mundo, realizada no Brasil em 2014, foi tratada como a grande celebração do futebol em seu autêntico país do coração. Apelidada carinhosamente de "Copa das Copas" pelos torcedores, a competição entregou um espetáculo formidável, marcado por estádios lotados, festas inesquecíveis nas cidades-sede e uma das maiores médias de gols das últimas décadas. Em um torneio recheado de viradas épicas e placares elásticos, o brilho ofensivo foi a grande marca registrada das seleções que desembarcaram na América do Sul. O Lance! relembra a jornada de James Rodríguez, o artilheiro da Copa de 2014.
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A seleção da Colômbia chegou a solo brasileiro com a missão de encerrar um longo e doloroso jejum de dezesseis anos sem participar de um Mundial. O país vivia uma imensa euforia com a excelente campanha nas eliminatórias, mas sofreu um baque devastador meses antes do torneio. O principal ídolo, capitão e goleador inquestionável da equipe, Radamel Falcao García, sofreu uma grave lesão no joelho e acabou cortado da competição, deixando uma nação inteira órfã de sua maior esperança de gols às vésperas da estreia.
Sem o seu temido e clássico centroavante, a equipe comandada pelo experiente técnico José Pékerman precisava desesperadamente que um novo protagonista assumisse a pesada responsabilidade de liderar o setor ofensivo. A aposta de liderança recaiu sobre os ombros de um jovem meia-atacante de 22 anos, que na época defendia as cores do Monaco. Dono de uma visão de jogo privilegiada e uma perna esquerda capaz de colocar a bola onde quisesse, ele tinha a missão de ser o grande maestro do envolvente toque de bola colombiano.
O que o mundo não esperava era que esse talentoso armador de jogadas se transformasse em um finalizador absolutamente letal. Demonstrando extrema frieza diante dos goleiros adversários e um repertório vasto que incluía chutes de longa distância, infiltrações surpresa na área e cobranças de pênalti indefensáveis, ele ditou o ritmo de todo o torneio. Para completar, seu enorme carisma e as animadas coreografias de dança nas comemorações ao lado dos companheiros rapidamente conquistaram a simpatia e o apoio da torcida global.
O dono dessa canhota mágica e do sorriso contagiante era James Rodríguez, que se eternizou como o indiscutível Artilheiro da Copa de 2014. Em uma campanha histórica que levou a Colômbia pela primeira vez na história até a fase de quartas de final, o camisa 10 marcou seis gols em apenas cinco partidas. Sua exibição de gala ofuscou gigantes da época como Lionel Messi, Neymar e Thomas Müller, garantindo a Chuteira de Ouro de forma isolada e o cobiçado prêmio de gol mais bonito de todo o campeonato.
James Rodríguez, o artilheiro da Copa de 2014
O brilhante cartão de visitas na fase de grupos
A caminhada goleadora de James começou de forma empolgante logo na estreia do Grupo C. Diante da retrancada seleção da Grécia, a Colômbia venceu por 3 a 0, com o camisa 10 coroando sua grande atuação tática ao marcar o último gol da partida já nos acréscimos, com um belo chute rasteiro e colocado. No segundo desafio, contra a sempre física equipe da Costa do Marfim, ele voltou a ser decisivo. James abriu o placar com uma fortíssima cabeçada — um recurso não muito habitual em seu repertório de jogadas —, abrindo os caminhos para a importante vitória sul-americana por 2 a 1.
Para fechar a primeira fase com chave de ouro e cem por cento de aproveitamento, a equipe enfrentou a seleção do Japão. Poupado durante o primeiro tempo devido ao cansaço, James Rodríguez entrou na etapa complementar e transformou o jogo em um verdadeiro espetáculo. Ele distribuiu duas assistências geniais para o companheiro Jackson Martínez e, no apagar das luzes, deixou um zagueiro japonês deitado no chão com um drible seco antes de dar uma cavadinha espetacular sobre o goleiro, fechando a goleada de 4 a 1 e consolidando-se como o grande nome da primeira fase do torneio.
A pintura antológica contra a seleção uruguaia
O grande épico da carreira de James Rodríguez ocorreu no lendário estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, no quente duelo sul-americano das oitavas de final contra o Uruguai. Sem contar com o astro Luis Suárez, os uruguaios tentaram impor um jogo de muita marcação, mas a genialidade do craque colombiano falou mais alto de uma forma que os torcedores jamais esqueceriam.
Aos 28 minutos do primeiro tempo, James protagonizou, com sobras, o lance mais bonito daquela Copa do Mundo. Ele recebeu a bola de costas na intermediária, matou no peito girando o corpo sem deixar a bola cair e emendou um voleio espetacular de perna esquerda. A bola explodiu no travessão antes de entrar, marcando um golaço antológico que mais tarde lhe renderia o prestigiado Prêmio Puskás da FIFA. No segundo tempo, mostrando um puro oportunismo digno de um centroavante de ofício, ele apareceu livre na pequena área para empurrar a bola para as redes após um passe de cabeça, decretando a vitória por 2 a 0 e a sonhada vaga inédita para a Colômbia.
As lágrimas de James em Fortaleza e a Chuteira de Ouro
O conto de fadas colombiano esbarrou nas quartas de final, quando a equipe enfrentou os anfitriões, o Brasil, na vibrante Arena Castelão, em Fortaleza. Em um jogo duro, extremamente faltoso e de imensa pressão emocional, os brasileiros dominaram o início da partida e chegaram a abrir 2 a 0 no placar. Mostrando muita personalidade mesmo diante da torcida rival inflamada, James chamou a responsabilidade para si e diminuiu a desvantagem cobrando um pênalti com extrema categoria, deslocando o goleiro Júlio César aos 35 minutos do segundo tempo.
Apesar da imensa pressão colombiana nos minutos derradeiros, o Brasil segurou a suada vitória por 2 a 1. A imagem do jovem James Rodríguez chorando copiosamente no gramado após o apito final, sendo abraçado e consolado pelos brasileiros David Luiz e Daniel Alves — e ovacionado de pé por todo o estádio —, rodou o planeta e se tornou um dos maiores símbolos de fair play do torneio. Com aquele gol de pênalti na triste despedida, o meia encerrou sua mágica participação com seis gols marcados. A Chuteira de Ouro coroou o excepcional talento de um jogador que soube assumir o brilho máximo quando sua nação precisou, escrevendo seu nome com letras douradas na galeria dos grandes artilheiros mundiais.
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