Final da Copa de 1978: Em casa, Argentina realiza sonho e é campeã do mundo

Com gols de Kempes e Bertoni, a Argentina vence a Holanda e fatura a taça.

PorRedação Lance!São Paulo (SP)
18/07/2026 05:45
Mario Kempes
Mario Kempes, carregado nos braços, ergue a taça da Copa do Mundo cercado por torcedores. A seleção albiceleste derrotou a Holanda por 3 a 1 na prorrogação, no lotado estádio Monumental de Núñez, e conquistou o título inédito diante de sua nação.
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A final da Copa do Mundo de 1978 ocorreu no Estádio Monumental de Núñez.
Argentina venceu a Holanda por 3 a 1 na prorrogação.
Mario Kempes foi o destaque, marcando dois gols na partida.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima primeira edição da Copa do Mundo, realizada na Argentina em 1978, foi disputada sob uma atmosfera de intensa pressão e fervor passional. O país-sede atravessava um período político conturbado sob um regime militar, e o torneio de futebol tornou-se o centro absoluto das atenções nacionais e internacionais. O governo e o povo argentino compartilhavam a imensa exigência de que a seleção local, jogando em casa, finalmente conquistasse a glória máxima do esporte. O Lance! relembra a Final da Copa de 1978.

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A grande final, disputada no dia 25 de junho de 1978, no imponente e abarrotado Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, colocou frente a frente duas equipes sedentas pelo título inédito. A Argentina, comandada pelo técnico César Luis Menotti, apostava em um futebol ofensivo, de muita correria e habilidade, empurrada por mais de 70 mil torcedores que transformaram as arquibancadas em um espetáculo inesquecível de papel picado e cantos ensurdecedores.

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Do outro lado, a poderosa seleção da Holanda chegava à sua segunda final consecutiva, carregando a frustração do vice-campeonato de 1974. Embora não contasse com o seu maior gênio, Johan Cruyff (que havia se recusado a disputar o Mundial por questões pessoais e de segurança), a Laranja Mecânica ainda era uma força formidável. Sob o comando do treinador Ernst Happel e liderada em campo por astros como Ruud Krol, Johan Neeskens e Rob Rensenbrink, os europeus estavam dispostos a silenciar Buenos Aires.

O que se desenrolou no gramado foi uma batalha duríssima, repleta de catimba sul-americana, força física europeia e um roteiro absolutamente dramático. A decisão precisou ir para a prorrogação após um empate sofrido no tempo normal, onde a trave quase mudou a história do futebol. No tempo extra, porém, a genialidade de um ídolo cabeludo de chuteiras pretas se impôs, garantindo o delírio eterno e a primeira estrela mundial para a nação argentina.

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Final da Copa de 1978

O clima hostil e o protagonismo de Mario Kempes

O jogo começou tenso antes mesmo de a bola rolar. Os argentinos atrasaram a entrada em campo e, em seguida, reclamaram de um curativo de gesso no braço do holandês René van de Kerkhof, forçando o árbitro italiano Sergio Gonella a paralisar o início da partida até que o holandês ajustasse a atadura. O clima de intimidação tática funcionou para inflamar ainda mais a torcida local.

Com a bola em jogo, as equipes travaram um duelo de muita marcação, faltas duras e raras infiltrações limpas. Foi então que a principal estrela do torneio chamou a responsabilidade. Aos 38 minutos do primeiro tempo, Mario Kempes, "El Matador", recebeu um passe na entrada da área, invadiu a zaga holandesa na força e tocou por baixo do goleiro Jan Jongbloed. O gol explodiu o Monumental, dando a vantagem inicial aos donos da casa.

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O susto holandês e a trave salvadora no minuto final

No segundo tempo, a Holanda foi obrigada a sair para o ataque. O técnico Ernst Happel colocou o gigante centroavante Dick Nanninga em campo para explorar as jogadas aéreas. A alteração surtiu efeito doloroso para os argentinos: aos 37 minutos da etapa final, após um belo cruzamento da direita, Nanninga subiu de cabeça e empatou o jogo, instaurando o silêncio e o desespero no estádio.

O maior infarto coletivo da história do futebol argentino, no entanto, ocorreu exatamente no último minuto do tempo regulamentar. Aos 45 minutos cravados, o craque holandês Rob Rensenbrink recebeu um lançamento longo nas costas da defesa, antecipou-se ao excelente goleiro Ubaldo Fillol e desviou para o gol quase sem ângulo. A bola caprichosamente bateu na trave e foi afastada pela zaga. Por centímetros, a Holanda não se sagrou campeã no tempo normal.

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A consagração na prorrogação e a festa albiceleste

Sobrevivendo ao susto monumental, a Argentina entrou na prorrogação renovada emocionalmente. Aos 15 minutos do primeiro tempo extra, brilhou novamente a estrela de Mario Kempes. Após uma jogada individual espetacular a trancos e barrancos, dividindo com dois zagueiros e com o goleiro, a bola sobrou limpa para o camisa 10 empurrar para as redes, anotando o seu sexto gol no torneio (o que lhe garantiu a artilharia isolada).

Com a Holanda esgotada e lançada ao ataque de forma desorganizada, a Argentina encontrou o espaço necessário para dar o golpe de misericórdia. Aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação, Kempes puxou contra-ataque e serviu Daniel Bertoni. O atacante finalizou com perfeição e sacramentou a vitória por 3 a 1. Com o apito final, os torcedores invadiram o gramado em uma catarse coletiva incomparável, celebrando o dia em que o mundo do futebol se curvou à Argentina pela primeira vez.

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Assista aos melhores momentos da grande final

Para reviver a tensão, a bola na trave holandesa e os gols decisivos de Mario Kempes na prorrogação, confira no vídeo abaixo os melhores momentos dessa histórica e inesquecível final em Buenos Aires:

Lance!

Ficha técnica da Final da Copa de 1978

ARGENTINA 3 x 1 HOLANDA

  1. Competição: Copa do Mundo FIFA de 1978 - Final
  2. Data: 25 de junho de 1978 (Domingo)
  3. Local: Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires (Argentina)
  4. Público: 71.483 espectadores
  5. Árbitro: Sergio Gonella (Itália)
  6. Auxiliares: Ramón Barreto (Uruguai) e Erich Linemayr (Áustria)
  7. Gols:
    • Argentina: Mario Kempes (38'/1ºT e 15'/1ºT da Prorrogação) e Daniel Bertoni (10'/2ºT da Prorrogação)
  8. Holanda: Dick Nanninga (37'/2ºT)

Escalações:

  1. ARGENTINA: Ubaldo Fillol; Jorge Olguín, Luis Galván, Daniel Passarella e Alberto Tarantini; Osvaldo Ardiles (Omar Larrosa), Américo Gallego e Mario Kempes; Daniel Bertoni, Leopoldo Luque e Oscar Ortiz (René Houseman). Técnico: César Luis Menotti.
  2. HOLANDA: Jan Jongbloed; Wim Suurbier (Wim Jansen), Ruud Krol, Ernie Brandts e Jan Poortvliet; Johan Neeskens, Arie Haan e Willy van de Kerkhof; René van de Kerkhof, Johnny Rep (Dick Nanninga) e Rob Rensenbrink. Técnico: Ernst Happel.
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