Artilheiro da Copa de 2002: Ronaldo, do Brasil

A redenção de Ronaldo Fenômeno com seus 8 gols na Copa do Mundo de 2002.

PorRedação Lance!São Paulo (SP)
18/07/2026 04:55
2002: Ronaldo x Khan
Ronaldo com o inconfundível corte de cabelo "Cascão" sorrindo com a camisa do Brasil. O lendário atacante superou o drama das lesões, marcou oito gols na Copa do Mundo de 2002 e foi o grande herói da conquista do pentacampeonato na Ásia. (FIFA)
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A Copa do Mundo de 2002 foi a primeira realizada no Japão e na Coreia do Sul.
Ronaldo foi o artilheiro com oito gols, ajudando o Brasil a conquistar o pentacampeonato.
O torneio teve muitas surpresas, com potências caindo e zebras avançando nas fases finais.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima sétima edição da Copa do Mundo, realizada em 2002, entrou para a história por ser a primeira sediada fora do eixo Europa-Américas, tendo Japão e Coreia do Sul como anfitriões conjuntos. O torneio oriental foi marcado por enormes surpresas, com potências tradicionais caindo precocemente e zebras históricas avançando até as fases finais. O fuso horário de madrugada não impediu que o mundo parasse para acompanhar um campeonato repleto de grandes estrelas, tecnologia de ponta nos estádios e uma bola veloz que infernizava os goleiros. O Lance! relembra a trajetória do artilheiro da Copa de 2002: Ronaldo, do Brasil.

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A seleção brasileira desembarcou na Ásia sob uma espessa nuvem de desconfiança. O Brasil havia sofrido nas Eliminatórias, correndo o risco real de ficar de fora de um Mundial pela primeira vez em sua história, e o técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, assumiu a dura missão de resgatar o orgulho nacional. Com a formação da célebre "Família Scolari", o treinador blindou o grupo contra as críticas da imprensa, comprou brigas ao não convocar o ídolo Romário e apostou em um esquema tático com três zagueiros para dar liberdade aos seus geniais alas e meias.

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No entanto, o maior ponto de interrogação de todo o planeta esportivo pairava sobre o dono da cobiçada camisa 9 do Brasil. Entre os anos de 1999 e 2000, o outrora melhor jogador do mundo havia sofrido duas gravíssimas lesões no joelho, rompendo o tendão patelar em cenas dramáticas que chocaram o esporte. Foram longos anos de cirurgias complexas, dor e um exaustivo processo de fisioterapia. Muitos médicos e especialistas cravavam que sua carreira no esporte de alto rendimento estava completamente arruinada.

Contrariando todos os prognósticos médicos, Felipão bancou a convocação e confiou no poder de superação de sua estrela. Durante o torneio, sentindo dores musculares que ameaçavam o seu rendimento e atraíam o foco negativo da imprensa mundial, o atacante tomou uma decisão genial extracampo. Ele raspou a cabeça e deixou apenas uma inusitada franja na frente, eternizando o folclórico corte "Cascão". A tática psicológica funcionou com perfeição: no dia seguinte, a mídia e a torcida só falavam sobre o cabelo exótico, esquecendo completamente as dores e a perna do craque.

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Esse homem era Ronaldo Luís Nazário de Lima, que confirmou de uma vez por todas o seu merecido apelido de "Fenômeno". Protagonizando a maior história de superação que o futebol já viu, ele não apenas conduziu o Brasil ao tão sonhado pentacampeonato mundial, como também encerrou o torneio como o grande Artilheiro da Copa de 2002. Ao anotar oito gols, Ronaldo quebrou um longo tabu: desde o polonês Grzegorz Lato, em 1974, nenhum artilheiro havia conseguido ultrapassar a barreira de seis gols em uma única edição de Copa do Mundo.

Artilheiro da Copa de 2002: Ronaldo, do Brasil

O renascimento de Ronaldo e os gols na fase de grupos

A jornada de redenção do Fenômeno começou logo no duro jogo de estreia do Grupo C contra a Turquia. A seleção brasileira perdia por 1 a 0 no segundo tempo, até que Ronaldo recebeu um belo cruzamento de Rivaldo e, com extrema elasticidade e acrobacia, esticou a perna para desviar a bola no ar e empatar o jogo (que o Brasil viraria por 2 a 1). O grito de gol preso na garganta há quatro anos finalmente havia saído.

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Com a confiança reestabelecida, Ronaldo não perdoou os adversários seguintes. Na goleada fácil por 4 a 0 contra a estreante China, ele marcou o último gol da partida, escorando um cruzamento preciso de Cafu. Para encerrar a fase de grupos, o Brasil aplicou um sonoro 5 a 2 na aguerrida seleção da Costa Rica. Mantendo o seu faro de gol apurado e uma velocidade impressionante para quem estava voltando de lesão, o camisa 9 balançou as redes duas vezes ainda no primeiro tempo.

O faro decisivo no mata-mata e o "bico" salvador

Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a pesada seleção da Bélgica em um dos jogos mais difíceis de toda a campanha. Após um duelo tenso e marcado por polêmicas de arbitragem, Rivaldo abriu o placar de forma genial. Coube a Ronaldo, na reta final da partida, receber um contra-ataque letal de Kléberson e bater rasteiro por baixo do goleiro para selar a vitória por 2 a 0. Nas quartas de final contra a Inglaterra, no famoso jogo do gol de falta de Ronaldinho Gaúcho, foi a única vez na Copa em que Ronaldo passou em branco e acabou substituído.

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O grande teste dramático aconteceu na semifinal, em um tenso reencontro contra a Turquia. Em um jogo muito fechado, com a defesa turca parando as principais jogadas brasileiras, a genialidade e o improviso falaram mais alto. No início do segundo tempo, Ronaldo foi cercado por quatro marcadores na entrada da área. Sem espaço para preparar um chute clássico, ele se inspirou no amigo Romário e usou o famoso "bico" (chute de ponta de chuteira) para surpreender o excelente goleiro Rüştü Reçber. O golaço garantiu a magra e salvadora vitória por 1 a 0, colocando o Brasil na final.

A consagração definitiva de Ronaldo contra a Alemanha

A aguardada final da Copa do Mundo em Yokohama colocou o Brasil frente a frente com a Alemanha, marcando o inédito encontro das duas maiores potências do torneio na história da competição. De um lado, o melhor ataque liderado por Ronaldo; do outro, a melhor defesa comandada pelo temível goleiro Oliver Kahn, que já havia sido eleito o melhor jogador do torneio antes da bola rolar.

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O segundo tempo da final foi o cenário perfeito para a glória eterna do brasileiro. Aos 22 minutos, Rivaldo chutou forte, Oliver Kahn falhou e deu rebote; como um autêntico predador, Ronaldo acompanhou o lance e empurrou para as redes. Minutos depois, Kléberson cruzou, Rivaldo fez um corta-luz genial deixando a bola passar por debaixo das pernas e o Fenômeno finalizou com categoria no canto de Kahn, sacramentando o 2 a 0. Com oito gols, a Chuteira de Ouro e a taça do Penta em mãos, Ronaldo fechou a ferida de 1998, silenciou seus críticos e reafirmou seu lugar como um dos maiores ícones da história do esporte mundial.

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