Com dívida de R$ 17,3 bilhões na Série A, clubes reforçam busca por equilíbrio financeiro
Com avanço das SAFs clubes em crescimento passam a priorizar planejamento e gestão sustentável

O futebol brasileiro alcançou receitas recordes nos últimos anos, mas o crescimento econômico dos clubes veio acompanhado por um aumento significativo do endividamento. De acordo com o Relatório Convocados, elaborado pela "OutField" em parceria com a "Galapagos Capital", os clubes da Série A movimentaram R$ 14,3 bilhões em receitas em 2025, maior marca já registrada no país. No mesmo período, as equipes da elite acumularam R$ 17,3 bilhões em dívidas.
➡️ Acompanhe os negócios no esporte em nosso novo canal. Siga o Lance! Biz no WhatsApp
O levantamento também aponta que as despesas operacionais seguem pressionando as contas dos clubes, especialmente os gastos com futebol e folha salarial. Nesse cenário, a busca por equilíbrio financeiro passou a ocupar espaço cada vez maior nas estratégias de gestão das instituições.
– O futebol brasileiro começa a entender que organização e responsabilidade financeira são fundamentais para manter competitividade no longo prazo. Não existe mais espaço para pensar apenas no imediato. Atualmente, planejamento é parte importante da construção esportiva dos clubes que almejam se manter fortes e vencer de maneira sustentável – afirmou Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá.
Fair play financeiro impulsiona mudança de cenário
A discussão sobre sustentabilidade financeira ganhou força com a criação do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), modelo de fair play financeiro implementado pela CBF. O sistema prevê mecanismos de controle ligados ao endividamento, aos gastos esportivos e ao equilíbrio operacional dos clubes.
A implantação será gradual a partir de 2026 e contará com monitoramento independente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). Entre os pilares do projeto estão o controle de dívidas em atraso, limites para gastos com elenco e a exigência de equilíbrio operacional para clubes das Séries A e B.
➡️ Dependência de venda de atletas é problema para Palmeiras e outros gigantes: 'Risco alto'
Paralelamente, clubes e investidores passaram a adotar modelos de gestão com foco em planejamento de médio e longo prazo. Um dos exemplos citados é o do Paraná Clube SAF, cuja gestão foi assumida pela Next Play, empresa da Chenus, em janeiro de 2026. Segundo a companhia, foi aprovado um modificativo que acomodou mais de R$ 240 milhões em dívidas do clube, além de medidas voltadas para ampliação de receitas e reestruturação operacional.
– Estamos envolvidos em um projeto de longo prazo. É verdade que tivemos resultados esportivos e financeiros bastante positivos em apenas cinco meses, com o acesso para a Série A do estadual de maneira invicta, alta média de público nas partidas, crescimento exponencial do programa de sócio-torcedor, entre outros feitos. Porém, nosso maior objetivo é plantar da maneira correta para que tenhamos frutos para as próximas décadas e não somente para uma temporada – disse Pedro Weber, CEO da Next Play.
Segundo os dados apresentados pela empresa, o Paraná Clube registrou 12 vitórias e dois empates no Campeonato Paranaense, alcançou média de aproximadamente 13 mil torcedores por partida e ampliou sua base de sócios-torcedores ativos para 5 mil.

O movimento também é observado em outros clubes. Presidente do Juventude, Fabio Pizzamiglio afirmou que o planejamento financeiro passou a integrar diretamente a estratégia esportiva da instituição.
– Hoje, no Juventude, sustentabilidade financeira deixou de ser apenas uma meta administrativa e passou a fazer parte da estratégia esportiva do clube. Trabalhamos com planejamento de médio e longo prazo, controle de despesas e responsabilidade nos investimentos para garantir competitividade sem comprometer o futuro da instituição. Conseguimos fechar os últimos exercícios com superávit, o que nos dá segurança para continuar investindo em estrutura, futebol e desenvolvimento institucional de maneira responsável. Praticamente zeramos as dívidas do clube e hoje vivemos uma realidade de equilíbrio, algo fundamental dentro do cenário atual do futebol brasileiro – afirmou.
A avaliação é compartilhada por Thiago Gosling, presidente do Inter de Minas.
– Os clubes precisam entender que crescimento sustentável não acontece apenas dentro de campo. No Inter de Minas, trabalhamos com responsabilidade financeira, planejamento e metas realistas, sempre pensando na continuidade do projeto. O futebol brasileiro vive um momento em que organização e equilíbrio passaram a ser tão importantes quanto o investimento. Construir um clube competitivo exige visão de longo prazo, controle e compromisso com a instituição – declarou.
O avanço das SAFs também é apontado como um dos fatores que contribuem para a mudança de mentalidade na gestão dos clubes. Segundo Moises Assayag, especialista em finanças no esporte e sócio-diretor da Channel Associados, a presença de investidores e parceiros ampliou a cobrança por governança e previsibilidade financeira.
– Com o crescimento das SAFs, o futebol brasileiro passou a operar em uma lógica muito mais próxima do mercado corporativo. Existe, por um lado, tanto uma preocupação da gestão como uma cobrança maior por governança, controle financeiro e previsibilidade, porque investidores e parceiros querem enxergar projetos sustentáveis a longo prazo – afirmou.
Tudo sobre

Lance! Negócios
Banco volta a estampar Grêmio e Inter nas rodadas finais do Brasileirão
Há 6 dias
Lance! Negócios
Vasco ganha coleção de sandálias inspirada nos 'Crias da Colina'
Há 6 dias
Futebol Nacional
Sócio-torcedor: clubes brasileiros apostam em tecnologia e benefícios para atrair fãs
Há 1 semana
Lance! Negócios
Com alta de 75% nas vendas, Jungle reformula marca e projeta avançar em 2027
Há 1 semana
Futebol Nacional
Escala 5×2 vai afetar o futebol? Entenda o que pode mudar para clubes e jogadores
Há 1 semana
Santos
Santos lança linha de moda em homenagem e inspirada em Pelé; veja fotos
Há 1 semanaMais LANCE!

Novo Estatuto do Santos? Entenda a polêmica que esquenta os bastidores

Troféu da Copa do Mundo de 2022 erguido por Messi na final vai a leilão

Corinthians paga parte de dívida com a União; veja valores

Atlético-MG lidera ranking de dívidas do futebol brasileiro; veja lista

Santos deve abrir nesta quarta (21) a venda de ingressos contra o Bahia; Vila Belmiro passa por reformas

Flamengo

Dunkest: monte seu time e desafie seus amigos no fantasy game da NBA

Corinthians e Caixa avançam em acordo por dívida da Arena

Santos fecha com novo patrocinador máster até o fim da temporada; veja detalhes

Entenda os transfer bans do Santos: o que já foi pago, dívidas ativas e risco de novas punições

Partida entre Galatasaray e Barcelona atinge cifras recordes e se torna o jogo mais caro da Turquia

Inter de Limeira joga pelo acesso, e SAF com Ronaldo e Roberto Carlos começa a assumir departamentos

Justiça condena Ponte Preta por dívida com padaria
